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Jair Bolsonaro ficou especialmente irritado e mandou demitir Marcos Cintra após a publicação de detalhes da proposta de recriação da CPMF porque viu ...

A fala do presidente foi uma referência à interceptação de comunicações privadas do ministro Sergio Moro e diversas outras autoridades.

Última atualização

Jair Bolsonaro ficou especialmente irritado e mandou demitir Marcos Cintra após a publicação de detalhes da proposta de recriação da CPMF porque viu no vazamento uma desobediência a pedido feito pessoalmente por ele à equipe econômica.

Antes de ser internado para sua quarta cirurgia, o presidente foi ao ministério e solicitou que o assunto não fosse esmiuçado até que ele saísse do hospital. Ressaltou que não estava convencido e pediu que o aguardassem para dar rumo à reforma tributária.

Gota d’água – Este último episódio acabou sendo a cereja do bolo no processo de fritura de Cintra, agora ex-secretário da Receita. Bolsonaro estava insatisfeito e fazia críticas ao trabalho dele no órgão a outras autoridades, sem qualquer cerimônia, há meses.

De boas intenções… – O presidente costumava dizer que Cintra era uma boa pessoa, mas que não tinha condições de controlar a Receita. Depois disso, Paulo Guedes (Economia) começou a confidenciar que, dado o rumo da coisa, não seria possível manter o secretário no cargo por muito tempo.

…o inferno está cheio – No dia 15 de agosto o Painel relatou que a cabeça do então chefe do fisco estava à prêmio.

Foi-se – Na noite desta terça (10), mais de 12 horas antes da exoneração de Cintra, membros da Receita já especulavam, junto a parlamentares, que a queda do chefe era certa.

Sete palmos de terra – Na Câmara, o debate sobre a criação de um novo tributo nos moldes da CPMF é considerado natimorto. O DEM, partido dos presidentes do Congresso, liderou a derrubada da contribuição no passado. Assumir sua volta seria uma derrota política, na avaliação de integrantes da sigla.

Via alternativa – Instado pelo relator da reforma tributária na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), a apresentar alternativa para desonerar a folha de pagamentos sem recorrer à CPMF, o economista Bernard Appy já estudou o assunto no passado.

Tente outra vez – Appy concluiu que é possível desonerar os tributos que incidem sobre salários, mas não de maneira linear, e sim concentrada nos trabalhadores que recebem um salário mínimo. Penduricalhos que incidem sobre a folha, como a contribuição ao Sistema S, também poderiam ser cortados. O custo da operação seria de R$ 150 bilhões.

Armas em punho – A bancada de deputados do PSL segue em pé de guerra. Houve lavação de roupa suja em reunião na terça (10) e até tentativa de colher assinaturas para destituir o líder do partido na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO).

Segundas intenções – Felício Laterça (PSL-RJ) trabalhado para tirar Waldir do posto. Ele aproveitou que um grupo grande questiona a liderança do goiano para tentar, com um abaixo-assinado, derrubá-lo. Os colegas, porém, suspeitaram de que Laterça queria a vaga e recuaram da operação.

Troca tudo – O presidente do PSL, Luciano Bivar (PSL-PE), não escapa das queixas. Cerca de 10 deputados estudam meios de convocar uma assembleia para discutir a renovação da executiva, com o objetivo de tirá-lo do comando da sigla.

Dois é bom – O debate sobre medidas de aperfeiçoamento do Judiciário não ficará restrita à Câmara. O senador Cid Gomes (PDT-CE) protocolou projeto que cria a figura do juiz de garantia. Para ele, o magistrado que conduz a investigação não pode ser o mesmo que julga.

Umbigo do mundo – Cid já mapeou resistências e avalia que será alvo de críticas de lavajatistas que verão na iniciativa uma tentativa de fustigar o ex-juiz Sergio Moro. Ele, diz, porém, que a discussão nasceu antes da Lava Jato e chegou a ser defendida no passado por Renato Casagrande (PSB), hoje governador do ES.

BFF – Em almoço com deputados do PSDB, Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) declinou elogios a Aécio Neves (MG). Disse que votou no mineiro para presidente em 2014, tratou aquela derrota para o PT como fruto de fraude e ainda posou para foto.

Visita à Folha – Marcos Alves, presidente do Mercado Bitcoin, visitou a Folha nesta quarta (11). Estava acompanhado de Ricardo Bonatelli, presidente da PUB Comunica.

TIROTEIO

“O Marcos Cintra acabou como bode expiatório, porque na verdade era o Paulo Guedes quem queria a nova CPMF.”

Do deputado Paulinho da Força (SD-SP), sobre a queda do agora ex-secretário da Receita em meio à discussão da recriação do imposto.

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