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Querer não é poder

Dirigentes de partidos e integrantes de Cortes superiores já reconhecem que os repetidos acenos do clã Bolsonaro a práticas autoritárias ...

No andamento do processo, não foi publicado o motivo do adiamento do julgamento pelo STF

Última atualização

Dirigentes de partidos e integrantes de Cortes superiores já reconhecem que os repetidos acenos do clã Bolsonaro a práticas autoritárias ultrapassaram o terreno da bravata.

Há, porém, no Congresso e no Supremo, a avaliação de que, hoje, a família não dispõe de mecanismos para efetivar uma manobra antidemocrática. Tanto o STF quanto o Parlamento mantêm contato com as Forças Armadas. O apoio restrito a um terço da população também é visto como limitador a qualquer manobra.

Não por falta de aviso
O ministro da Defesa e o Secretário de Governo de Jair Bolsonaro, ambos generais do Exército, foram acionados por ministros do Supremo nesta semana, após a publicação de vídeo na rede social do Presidente que equiparou a Corte a uma hiena. Os dois auxiliares do Presidente manifestaram descontentamento com o gesto.

Vai que cola
O fato de a família Bolsonaro ter feito, nos últimos dias, repetidas ofensivas e recuos sobre as instituições despertou no Congresso e no STF a percepção de que ela está “tomando o pulso”, sentindo a recepção das redes e da imprensa a esses atos.

Um por todos
Antes de preparar nota de repúdio à declaração de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que pregou “um novo AI-5” contra eventual radicalização da esquerda, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), telefonou a líderes para organizar resposta que representasse da esquerda à direita.

Deus escreve certo…
Um ministro do Supremo diz que não é mais possível fingir que não há desejo da família de instituir um regime autoritário, mas que os Bolsonaro não têm força nem organização para isso.

…Por linhas tortas
Ele citou como exemplo o fato de, sem qualquer influência externa, a declaração de Eduardo ter ofuscado o embate do Presidente com a TV Globo após reportagem sobre o assassinato de Marielle Franco que levantou forte polêmica.

Inferno são os outros
Jair Bolsonaro pediu cautela aos filhos e a integrantes do grupo ligado ao escritor Olavo de Carvalho. Relativizou, porém, o teor das falas de seus aliados. Disse que há má vontade e desonestidade na interpretação do que eles dizem.

Só para constar
O pito de Bolsonaro foi passado, segundo os relatos, só para garantir que não “usem esses episódios para desgastar o governo”.

Quebra-molas
A criação de uma comissão mista que unifique as propostas de reforma tributária da Câmara e do Senado emperrou. Cada Casa tem um projeto e um relator e os dois não chegam a um acordo sobre quem deve presidir o novo colegiado.

Quebra-molas II
Há mais: o do Senado defende que imposto único a ser criado abra espaço à adesão voluntária de estados e municípios. Já o da Câmara advoga pela inclusão desses entes já no texto da norma. Eles também preveem a desoneração da folha de maneiras diferentes.

Suécia?
Para convencer o governo a mudar a avaliação dos servidores, o secretário de Desburocratização, Paulo Uebel, exibiu a nota média dos do Executivo: 9,8 de 10.

Digo eu
Modesto Carvalhosa diz que só ele, Laércio Laurelli e Luiz Carlos Crema redigiram pedido de impeachment de Gilmar Mendes. “Não houve interferência, sugestão nem qualquer participação de terceiros. Trata-se de fake news”.

Diz ela
Deltan Dallagnol e Thamea Danellon foram alvo de queixa no Ministério Público após mensagem obtida pelo The Intercept Brasil. No texto, Thaméa diz que Carvalhosa lhe pediu que minutasse o pedido de impeachment.

Tiroteio
“Defender ruptura institucional é o oposto de ser conservador. Eduardo não passa de um Che Guevara com sinal trocado”. Do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), sobre o filho de Bolsonaro ter dito que novo AI-5 poderia ser resposta à “radicalização da esquerda”.

Publicação simultânea com a Folha de São Paulo

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