Paulo Guedes chamou a atenção de investidores, do Supremo e do Congresso com a fala sobre o AI-5.
Floresceu no primeiro grupo avaliação de que, ao perceber que não terá força para aprovar seu programa, o governo tentará criar uma crise para ampliar poderes para além dos limites constitucionais. No STF, a reação de Dias Toffoli foi lida como recado de que tal ideia não pode habitar cabeças que aspiram credibilidade. A conclusão de políticos pode ser resumida assim: “Ele é um ‘olavete’”.
Homem e circunstância
A analistas, investidores pontuaram que o ministro da Economia decidiu afirmar que “ninguém deve se assustar” se sugerirem um AI-5 como resposta a protestos logo após sofrer derrota pública: o adiamento da reforma administrativa por interferência direta de Jair Bolsonaro.
Sinal trocado
Investidores também dizem que a insistência de aliados do governo em relativizar atos de exceção não só cristaliza a imagem de que o Brasil é um país instável como irrita o Congresso num momento em que os negócios esperam ansiosamente pelo “dia seguinte” da reforma da Previdência.
Sem coelho na cartola
Nomes do mercado também pontuaram que a herança deixada por Michel Temer na área econômica se esgotou – e o último espólio foi o leilão do pré-sal.
Segue o jogo
Apesar do barulho, a equipe econômica mantém aspiração de aprovar a autonomia do Banco Central ainda este ano, além de lançar quatro ações: as reformas administrativa e tributária e as propostas que aceleram privatizações e a venda de imóveis estatais. Aliados de Guedes também negaram indisposição com o Congresso.
Alhos e bugalhos
Integrantes do STF disseram que a reação de Toffoli, presidente da Corte, evidenciou a diferença do impacto da fala do ministro responsável pela área econômica, que se comunica com o mercado “e fala em nome dele e para ele”, e a de um filho do Presidente, como Eduardo.
Gota no oceano
Apesar do parentesco, explicaram ministros, Eduardo é “um entre 513 deputados”. Guedes, não.
Até tu, Brutus
Na Câmara, até aliados que reclamaram de “exageros da imprensa” na repercussão do episódio disseram que o ministro “cometeu uma idiotice e atrapalhou o governo”.
Vai ter luta
A defesa de Deltan Dallagnol prepara um mandado de segurança ao Supremo contra a advertência que o procurador recebeu do Conselho Nacional do Ministério Público, ontem, por ter dito que alguns ministros do STF aparentavam ‘leniência com a corrupção”.
Vai ter luta II
Um dos questionamentos que será feito pelos advogados diz respeito aos critérios de cálculo do tempo em que de processos administrativos disciplinares prescrevem no CNMP.
Vai ter luta III
A defesa de Deltan entende que o prazo para que o caso que lhe rendeu uma punição ontem expirou em outubro e vai sustentar, com base nessa tese, que o processo não poderia ter sido julgado pelo colegiado.
Abre a torneira
O governo enviou adendo nesta semana a projeto de lei que será votado pelo Congresso e inseriu na proposta previsão de liberação de mais R$ 2 bilhões. O valor será usado para pagar emendas prometidas a deputados.
Vai que cola
Ao honrar parte das negociações que travou com parlamentares para aprovar a reforma da Previdência, o Planalto tenta melhorar o ambiente no Congresso e evitar que propostas importantes como a medida provisória que remodela o Mais Médicos caduque amanhã.
DNA
O Ministério da Educação mudou o nome da Plataforma Paulo Freire, criada na gestão de Fernando Haddad (PT) para a inscrição de professores em cursos de licenciatura, para Plataforma Capes.
Tiroteio
“Ninguém menciona AI-5 se não tiver simpatia por ele. É porque está ou no imaginário ou na agenda”. Da economista Elena Landau, após Paulo Guedes afirmar que um pedido de AI-5 em resposta a protestos não deve assustar ninguém.