No dia 5 de novembro de 2015, rompia a barragem de rejeitos de minério de Fundão, que pertencia à mineradora Samarco, em Mariana, Minas Gerais, considerada a maior tragédia ambiental do Brasil.

Na época, a lama de rejeitos chegou ao Rio Doce e espalhou uma coloração avermelhada até a foz dele, em Vila de Regência.
De acordo com a filmmaker e fotógrafa Andressa Galvão, de 25 anos, apesar de continuarem praticando o esporte no local atingido, os surfistas não têm certeza da qualidade da água. “Eles não têm nenhuma posição certa se a água está contaminada ainda ou qual é a condição dela, mas mesmo assim eles surfam, por amor a onda e ao mar”, afirmou Andressa.
A Onda
Francelino pratica o esporte desde os 12 anos e, aos fins de semana, costumava viajar para Regência para surfar com o pai. Durante esse tempo, se tornou membro da Associação de Surf de Regência e, há um ano, resolveu se mudar para a Vila, porque “queria estar mais próximo da comunidade”.
No dia 5 recebeu a ligação de Hugo Caiado, amigo e praticante do esporte town-in (onde um jet-ski leva o surfista até a melhor onda, sem que ele precise nadar até o local), para participar de um documentário sobre o surf no Estado. Além dele, o surfista experiente em ondas grandes Benito Dagostini também foi escolhido.
No momento em que Hugo perguntou qual onda Francelino queria, ele não teve dúvida e pediu a maior. “Me senti preparado para aquele momento, olhei para a praia, vi minha família e amigos e fui. Hugo ainda me perguntou se eu ia por minha conta e risco e eu aceitei”, contou.
(Na foto abaixo, Francelino aparece de costas ao lado da esposa, que também é surfista, e do filho, que já segue os passos do pai)
Os surfistas de onda grande Carlos Burle e Ian Cosenza analisaram a foto da onda e disseram ter aproximadamente 15 pés, equivalente a 5 metros de altura.
De acordo com Francelino, a onda parecia um tsunami, “nunca tinha visto algo assim”, mas o fato de ter sido rebocado por um jet ski facilitou o surf. “Quando consegui, olhei para a praia e o pessoal estava gritando. Só consegui saber o tamanho da onda depois que me mostraram a foto”, disse.
Confira a sequência de fotos com a onda de Francelino:
