Personalidades como Donald Trump relataram dormir de quatro a cinco horas por noite — menos que o período de sete a nove horas de sono recomendado para adultos. Se pudéssemos otimizar a experiência do sono para desfrutarmos da maioria dos benefícios do sono profundo, só que em menos tempo? Essa possibilidade pode estar mais próxima do que parece, graças a novas técnicas de “otimização do sono”.
Em uma noite normal, o cérebro passa por estágios diferentes do sono, cada um com um padrão característico de ondas cerebrais, em que neurônios de diferentes regiões do cérebro atuam juntos, em sincronia, em um ritmo específico.
Durante a fase R.E.M., do “movimento rápido dos olhos”, esse ritmo é bastante rápido. Em certos momentos, nossos olhos deixam de se mover, nossos sonhos desaparecem e o ritmo das ondas cerebrais cai para menos de uma “batida” por segundo — momento em que entramos em nosso estado de inconsciência mais profundo, chamado “sono de ondas lentas”.
É este estágio que tem sido o interesse para os cientistas que investigam a possibilidade da otimização do sono. “As ondas lentas facilitam a transmissão de informações”, diz Jan Born, diretor do Departamento de Psicologia Médica e Neurobiologia Comportamental da Universidade de Tübingen, Alemanha.
Elas também podem desencadear o fluxo de sangue pelo cérebro, reduzir o hormônio associado ao estresse, o cortisol, e ajudam a rejuvenescer o sistema imunológico. Após estudos, cientistas, incluindo Born, consideraram que aumentar a produção dessas ondas lentas poderia impulsionar os benefícios do sono.
Num experimento, participantes dormem usando um dispositivo preso à cabeça que acompanha a atividade cerebral e é capaz de notar o início da produção de ondas lentas. Nesse momento, o dispositivo emite pulsos curtos de som suave em intervalos regulares durante a noite, em sincronia com as ondas lentas naturais do cérebro.
Born descobriu que esse estímulo auditivo suave é suficiente para reforçar os ritmos cerebrais necessários à otimização do sono. Os participantes que usaram o dispositivo tiveram desempenho melhor nos testes de memória, melhoras no equilíbrio hormonal e no sistema imunológico.
Cérebro precisa de recarga
Embora estejam no início, esses estudos mostram que há muitas promessas no ramo da otimização do sono.
Aurore Perrault e Jan Born são otimistas quanto ao potencial dos produtos comerciais que recorrem a pulsos sonoros para estimular essas ondas lentas regenerativas. Perrault enfatiza que ainda precisamos de estudos mais amplos para garantir sua eficácia fora das condições controladas do laboratório.
No futuro, será interessante ver se a otimização do sono também pode trazer benefícios a longo prazo. Sabemos que a perda crônica de sono pode aumentar o risco de doenças como diabetes e até Alzheimer — mas não está claro se essas novas técnicas ajudarão a reduzir tais riscos.
Por enquanto, a única maneira garantida de colher todos os benefícios do sono — tanto a curto quanto a longo prazo — é garantir que você tenha o suficiente dele. Nosso cérebro não pode funcionar sem recarga. Independentemente de você decidir experimentar esses dispositivos, é desejável ir dormir mais cedo e evitar álcool, cafeína e uso de telas antes de dormir, fatores esses conhecidos por prejudicar a qualidade do sono.
