Um dia após a soltura do ex-presidente Lula da prisão em Curitiba, onde estava desde 7 de abril do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro criticou o petista ao deixar o Palácio do Alvorada, ontem, para comparecer a um churrasco no setor militar de Brasília.
“Lula está solto, mas continua com todos os crimes dele nas costas”, disse Bolsonaro. “A grande maioria do povo brasileiro é honesto e trabalhador, não vamos dar espaço e nem contemporizar com um presidiário”, afirmou.
Mais cedo, pelas redes sociais, Bolsonaro já havia atacado Lula, mas indiretamente, sem mencionar o nome do ex-presidente nem de nenhum adversário político.
“Amantes da liberdade e do bem, somos a maioria. Não podemos cometer erros”, disse no Twitter. “Sem um norte e um comando, mesmo a melhor tropa, se torna num (sic) bando que atira para todos os lados, inclusive nos amigos. Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa”.
Em um segundo tuíte, o Presidente da República escreveu: “Iniciamos a (sic) poucos meses a nova fase de recuperação do Brasil e não é um processo rápido, mas avançamos com fatos”. E repetiu: “Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa”.
Nos dois posts, Bolsonaro evita qualquer menção direta a adversários políticos que ganharam liberdade após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar a prisão após a condenação em segunda instância. Porém, ao deixar o Alvorada, ele deixou claro de que as postagens eram sobre Lula.
“Já fiz um comentário nas minhas mídias sociais hoje e vai ter outro à tarde”, disse quando foi perguntado sobre a soltura do ex-presidente.
Mais cedo, Bolsonaro tinha recebido a visita do seu filho o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e também do ministro de Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno.
Eduardo afirma que haverá antipetismo
O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) escreveu em sua conta no Twitter ontem que a liberdade do ex-presidente vai provocar uma nova reunião de forças antipetistas, enquanto Lula discursava na sede do Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo.
“A revolta e indignação da sociedade com a impunidade volta (sic) à tona novamente com a soltura de Lula. Isso vai criar uma atmosfera em que novamente deixaremos pequenas diferenças de lado e ocorrerá uma união em torno do antipetismo”, escreveu Eduardo.
Eduardo Bolsonaro, líder da bancada do PSL na Câmara, também escreveu que eventual obstrução da pauta para pressionar pela votação da PEC 410, que traria à Constituição a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, “não faria sentido”.
“Se a obstrução for efetiva, conte comigo. Mas, o que os técnicos me dizem é que se aprovada na CCJ a PEC precisa passar por comissão especial. Ou seja, dificilmente conseguiríamos aprová-la este ano”.
Moro diz que não responde a criminosos presos ou soltos
Sem citar nominalmente o ex-presidente Lula, o ministro da Justiça, Sergio Moro, rebateu as críticas a ele em discurso ontem em São Bernardo do Campo (SP). No Twitter, Moro afirmou que não responde a “criminosos” e disse que “algumas pessoas só merecem ser ignoradas”.
“Aos que me pedem respostas a ofensas, esclareço: não respondo a criminosos, presos ou soltos. Algumas pessoas só merecem ser ignoradas”, disse o ministro.
Em seu discurso, Lula chegou a chamar o ex-juiz federal, responsável por sua condenação no caso do triplex, de “canalha”. “Eu preciso provar que o juiz Moro não era um juiz. Era um canalha que estava me julgando”, disse o petista.
Também em uma rede social, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional Augusto Heleno afirmou que o ex-presidente “incita a violência” e “ofende o Presidente da República”.
“Lula, em seu discurso, mostra quem é e o que deseja para o País. Incita a violência (cita povo do Chile como exemplo), agride várias instituições, ofende o Pres Rep e mostra seu total desconhecimento sobre carreira militar”, escreveu o general.
No discurso, Lula fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro e citou quatro vezes a situação do Chile, país que enfrenta convulsão social que já deixou vinte mortos. E destacou que o Chile segue a política que, na sua avaliação, estaria sendo implantada no Brasil pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.
Lula fez ainda ataques à Lava a Jato e também acusou o procurador Deltan Dallagnol de ser chefe de uma “quadrilha”.
“Eu precisava provar que o Dallagnol não representa o Ministério Público, que é uma instituição séria. O Dallagnol formou uma quadrilha com a força-tarefa da Lava a Jato. Inclusive para roubar o dinheiro da Petrobras e das empreiteiras”, disparou.
