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“Quem imita vira carne de segunda”

Aos quase 50 anos de carreira e 73 de idade, ele ainda é o mesmo menino que dava cambalhotas nos saraus de seu avô, em São Bento do Una. Agrestino, ...

Alceu: “Enquanto existirem fronteiras, serei agrestino, pernambucano, nordestino”

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Aos quase 50 anos de carreira e 73 de idade, ele ainda é o mesmo menino que dava cambalhotas nos saraus de seu avô, em São Bento do Una. Agrestino, pernambucano, nordestino, brasileiro, sul-americano, arrasta uma multidão em seus shows. E tome baião, forró, coco, xote, rojão, embolada, martelos e toadas! E tome Alceu Valença!

Alceu: “Enquanto existirem fronteiras, serei agrestino, pernambucano, nordestino” (Foto: Antônio Melcop/Divulgação)

O coração bobo que pipoca há 40 anos dentro do peito é o mesmo, autêntico, único, e vê novos fãs admirando o seu trabalho. Estará cada vez mais jovem? Qual é o segredo?

“O meu segredo é ser amigo da arte, buscar sua identidade e não imitar ninguém. Porque quem imita vira carne de segunda”, destaca ele ao AT2, prestes a comandar a embolada na sexta-feira, em show no evento Exagerado, em Carapina.

Para o premiado cantor, compositor, poeta e cineasta, ser fiel à sua identidade é o seu superpoder.

“Não acredito na Madonna brasileira, no Michael Jackson brasileiro, na Lady Gaga brasileira. Cada um tem seu jeito, sua identidade, sua história. Eu não canto rock como o Mick Jagger, mas ele também nunca cantará forró ou frevo como eu. Cada um na sua”, defende.

Na noite, canções como “Coração Bobo”, que fazem sucesso há 40 anos em todo o mundo.

“É como sempre digo: sou como espelho do meu povo” – Alceu Valença, cantor e compositor

AT2: Como escolher o repertório em meio a tantas canções tão amadas?
Alceu Valença: Nunca fui tradicionalista, mas preservo algumas tradições. No período de festas juninas, canto somente aqueles gêneros desenvolvidos no agreste e no sertão que ajudaram a consolidar o forró como o gênero principal do São João, na linha de Gonzaga, Jackson, Dominguinhos e tantos outros.

No Carnaval, canto apenas os ritmos primordiais que caracterizam o Carnaval do Nordeste, como frevo, maracatu, ciranda e caboclinhos. Tenho também um show acústico, um de sucessos, outro com meu repertório dos anos 1970, tem o “Grande Encontro”, o concerto das Valencianas. É como sempre digo: sou como um espelho do meu povo. Eu me reconheço nele e ele se reconhece em mim.

AT2: “Coração Bobo” é cantada por você e por nós há 40 anos. Como é isso para você?
Alceu Valença: “Coração Bobo” foi meu primeiro grande sucesso nacional. Numa noite fria em Paris, comecei a escutar os discos de Jackson do Pandeiro. Compus “Coração Bobo” como uma homenagem ao Jackson. Ao voltar, o convidei para cantar a música comigo no Festival da Tupi.

Originalmente, os versos diziam: “O coração dos aflitos / explode dentro do peito”. Jackson propôs uma modificação decisiva na letra da canção: “Troque explode por pipoca”, sugeriu. E a música ficou: “O coração dos aflitos / pipoca dentro do peito”. Muito melhor!

AT2: “Coração Bobo” foi um mergulho nas minhas referências primeiras. Se ela tem alguma mensagem é essa. Conheça a sua identidade, tome posse dela.
Gosta do termo “música regional”?

“Minha música é pop porque é essencialmente popular”, diz Alceu (Foto: Augusto/SKR Films )Alceu Valença: Enquanto existirem fronteiras, serei agrestino, pernambucano, nordestino, brasileiro, sul-americano. Minha música é absolutamente carregada de elementos da música nordestina, porque esta é a minha formação, a base da minha identidade. De algum modo, toda identidade é regional.

Por outro lado, rotular de regional a música que não é essencialmente mercadológica é uma maneira de estigmatizar um determinado segmento. Eu sempre transitei entre a identidade e o contemporâneo, minha música é pop porque é essencialmente popular.

 (Foto: Antônio Melcop/Divulgação)AT2: O quanto ainda há em você do menino de São Bento do Una que dava cambalhotas por aí?
Alceu Valença: Nasci e passei a infância em São Bento do Una, no agreste de Pernambuco. Uma cidade que tinha cinco mil habitantes, dois cinemas, cinco grupos de teatro, uma banda de música. A cultura era algo absolutamente natural.

Meu avô promovia saraus em sua fazenda. Ele tocava violão e bombardino, e tinha uma dupla informal com um tio meu, chamada Patativa e Azulão.

Então, eu cresci em contato com todos os elementos, que são os que Luiz Gonzaga utilizou para criar o baião, tudo isso é parte do universo do forró. Posso dizer que minha ancestralidade é a mesma, e isso está presente em toda a minha obra.


SERVIÇO:

Alceu Valença
O quê:
Show na sexta-feira (18), às 22h, no evento Exagerado. Na quinta-feira, tem Luísa Sonza e, no domingo, o musical infantil “No Mundo Encantado dos Sonhos”. A entrada no evento Exagerado é gratuita, mas os shows são pagos
Quanto: Para o show de Alceu, mesa (para quatro pessoas): Setor Ouro a R$ 800 e Prata a R$ 600. Pista a R$ 160,00 (inteira) e R$ 80,00 (meia)
Venda: Lojas Jaklayne Joias (shoppings Vitória, Mestre Álvaro, Praia da Costa, Vila Velha), Soft Modas (Guarapari), X-Ray Lan House (Campo Grande), Estrela Loterias (Masterplace Mall) e pelo site blueticket.com.br
Classificação: 16 anos

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