
Nesse sentido, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-ES) oferece diversas ações que visam apresentar e desenvolver o empreendedorismo junto a alunos dos ensinos fundamental, médio, profissional e superior das instituições formais de ensino.
Em parceria com o governo estadual, municipal e instituições de ensino privadas, o Sebrae realiza atividades como oficinas, palestras, workshops e maratonas.
Segundo o gestor da Educação Empreendedora do Sebrae-ES, Pedro Vianna, o objetivo é formar cidadãos preparados para o futuro. “Não queremos formar empresários, mas sim empreendedores. Não importa se o aluno será dono de uma empresa, funcionário público ou empregado. Onde ele estiver queremos que tenha na veia o comportamento empreendedor, que saiba resolver problemas, correr riscos calculados e criar soluções inovadoras”, explica Pedro.
Neste ano, as ações de Educação Empreendedora do Sebrae estão sendo realizadas em 10 municípios capixabas: Vitória, Vila Velha, Cariacica, Viana, Conceição da Barra, Pinheiros, Ibatiba, Venda Nova, Castelo e Serra, envolvendo cerca de 12 mil alunos.
Em 2020, o Sebrae pretende levar ainda mais ações às instituições de ensino do Estado e, para isso, abriu parcerias com instituições de ensino para que o tema possa atingir um número cada vez maior de estudantes.
De acordo com Pedro Vianna, além de levar a Educação Empreendedora aos alunos, é importante que os professores entendam a importância do empreendedorismo e incentivem essa prática no ambiente escolar. “O professor já é, pela sua profissão, um empreendedor, mas na maioria das vezes não percebe. O Sebrae pode auxiliar nesse processo, aprimorando os conhecimentos do docente”.
O professor Vinícius Ferreira Santi, por exemplo, que trabalha na Cooperativa Educacional de Linhares, levou medalha de ouro no Prêmio Sebrae de Educação Empreendedora, realizado no início do mês em Florianópolis (SC). A premiação foi entregue por Priscila Cruz, cofundadora e presidente-executiva do movimento “Todos Pela Educação”.
Ele foi reconhecido pelo seu projeto interdisciplinar inspirado nos princípios do cooperativismo.
“Estamos preparando futuros empresários”

Segundo o professor, com as atividades do projeto, uma pequena empresa produtora de palha italiana e pipoca goumert foi criada pelos alunos.
O capixaba explica que a ideia do ramo de atuação partiu dos próprios alunos após uma pesquisa de mercado. “Depois que eles decidiram investir em pipoca gourmet e palha italiana, fizemos duas oficinas com voluntários para que eles aprendessem a fazer o produto. Com material doado, eles iniciaram a produção, venderam a mercadoria e fizeram um caixa inicial”, contou.
De acordo com Vinícius, o produto é feito nas dependências da escola com maquinário doado. Com a venda dos produtos na própria unidade, os alunos já podem contabilizar um pequeno lucro. “Desde o início do projeto, no início do ano, os alunos conseguiram obter mais de R$ 1 mil de lucro. Pode parecer pouco, mas para eles que começaram um negócio há pouco tempo, é muito. É gratificante vê-los evoluindo”, disse.
A seguir, Vinícius conta como foi vencer o Prêmio Sebrae de Educação Empreendedora, no início do mês em Florianópolis (SC).
A TRIBUNA – Como foi saber que um projeto idealizado por você estava na final de um prêmio nacional?
VINÍCIUS FERREIRA SANTI – Na verdade, esse prêmio caiu de paraquedas. A diretora da escola apresentou a proposta e a gente já tinha material para inscrever. Então fomos contemplados na categoria estadual concorrendo com cinco ou seis escolas.
A TRIBUNA – Você esperava por isso?
VINÍCIUS FERREIRA SANTI – Não. De início, não acreditei. Tanto que na hora de receber o prêmio, eu fiquei aéreo. Nunca poderia imaginar que eu iria ganhar um prêmio dessa amplitude. Vencer, para mim, foi uma realização profissional e pessoal.
A TRIBUNA – Qual a sensação de você representar o Espírito Santo em uma premiação nacional?
VINÍCIUS FERREIRA SANTI – Eu costumo dizer que com essa premiação percebemos que estamos no caminho certo. Muito se falou lá no evento de uma educação fora da caixinha, aquela educação que não fica restrita só à sala de aula. Então, eu acredito que o projeto Cooperativa Mirim traz isso para o aluno. Estou realmente muito feliz.
A TRIBUNA – E como surgiu a ideia de criar esse projeto na escola onde você trabalha?
VINÍCIUS FERREIRA SANTI – Eu e alguns professores participamos de um seminário na região Sul do País e trouxemos essa ideia de lá. Implantamos na escola e eu me tornei o orientador do projeto.
A TRIBUNA – Os alunos compraram a ideia?
VINÍCIUS FERREIRA SANTI – Todos se envolveram muito. A partir das minhas orientações, eles foram pensando em como seria essa empresa e qual o melhor ramo a seguir. Fizeram pesquisa de mercado e perceberam que o ramo alimentício era o ideal.
A TRIBUNA – Como eles reagiram ao saber da premiação?
VINÍCIUS FERREIRA SANTI – Também não acreditaram na hora, mas depois ficaram muito felizes. É gratificante ver que eles estão cada vez mais motivados no mundo dos negócios. É muito bom saber que estamos preparando futuros grandes empresários. Na verdade, o meu maior prêmio foi ver a dedicação e a evolução dos meus alunos no projeto.
