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Um olhar especial para a vida nas vias capixabas

O que seria do trânsito se não fosse o pulsar, pensar, caminhar, o agir de cada pessoa ao acelerar, ultrapassar e atravessar nas ruas, avenidas e ...

George Pereira Alves é diretor técnico do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES), advogado e professor.

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O que seria do trânsito se não fosse o pulsar, pensar, caminhar, o agir de cada pessoa ao acelerar, ultrapassar e atravessar nas ruas, avenidas e rodovias? No meio de tantos verbos e de nós, seres humanos que fazemos o trânsito e tudo que o envolve acontecer, nos falta, sem dúvidas, conjugar de uma vez por todas a obediência à sinalização, o respeito à legislação e a prudência em nossos comportamentos.

É preciso enxergar que a vida passa pelas vias, como as veias que transitam pelo corpo até chegar ao coração. Pode não ser a minha nem a sua, mas mesmo se o percurso for perto, logo ali, os batimentos de alguém, com os mesmos direitos que eu e você, podem ser interrompidos.

Por isso, é imperativo que o motorista, o motociclista, ciclista, pedestre e usuário de outros meios de mobilidade assumam cada um a responsabilidade para que a segurança, e mais, a saúde de todos prevaleça no trânsito.

É equivocado achar que uma escolha errada no trânsito influencie somente o infrator, com pagamento de multa e prejuízo à própria integridade física e vida. Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), seis de cada 10 leitos de UTI do país são ocupados por vítimas de acidentes de trânsito, totalizando um custo de 45 bilhões de reais por ano.

É um montante suficiente para construir 1.800 hospitais ou 28.000 escolas. Esses dados mostram invariavelmente que somos todos vítimas de acidentes, direta ou indiretamente.

Vale destacar que o excesso de velocidade ainda é a maior causa de acidentes, seguido no ranking na maioria das vezes por consumo de álcool e uso de celular ao dirigir.

Ou seja, são ações movidas exclusivamente por escolhas que fazemos. Imagine que, em média, uma pessoa gaste nove segundos para atender a uma chamada telefônica, conforme projetam especialistas, e enquanto que, para responder a uma mensagem de texto, dure de 20 a 23 segundos. Agora calcule quantos segundos de vida a distração, seja por uma interação no smartphone ou causada pelas consequências da mistura bebida alcóolica e volante, podem fazer você perder se ocorrer um acidente de trânsito. Na verdade, nem tente, pois o valor da vida é incalculável.

Nesse cenário de modernidade, celeridade e busca pela otimização das tarefas diárias, as quais, inegavelmente, influenciam no comportamento humano em busca de rapidez nas ações cotidianas, o trânsito está inserido de forma direta. Mas é preciso aliar esse novo modelo aos pilares básicos a serem observados em qualquer relação: empatia e o cuidado com o próximo. Este é o principal legado que as atividades da Semana Nacional de Trânsito, que formalmente ocorreu de 18 a 25 de setembro com participação ativa do Detran-ES, deixa para as pessoas.

A vida tem que ser conduzida de forma leve, os momentos bons explorados de forma intensa e os ruins enfrentados com sabedoria. Façamos o trânsito nosso de cada dia assim também: respeitando o espaço do outro, dando preferência, sendo cordial.

Que transitemos com mais educação e atitudes responsáveis, e sejamos todos multiplicadores de boas condutas. Pois no trânsito, o sentido é a vida.

George Pereira Alves é diretor técnico do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES), advogado e professor.

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