- Vitória, ES 25°C

Vitória 25°C

Anúncio
Regina Navarro Lins

Esposas submissas

“Uma boa esposa não rouba do marido certos prazeres, mesmo que estes a contrariem. Mesmo arriscando-se, por exemplo, a não adormecer, deixa um abajur ...

Última atualização

“Uma boa esposa não rouba do marido certos prazeres, mesmo que estes a contrariem. Mesmo arriscando-se, por exemplo, a não adormecer, deixa um abajur aceso para que ele possa ler as notícias dos jornais. Não lhe dê lições; no seu trabalho ele pode receber ordens, portanto, deixe-o tranquilo quando ele chegar em casa. Mesmo que você saiba mais do que ele, faça de conta que quer aprender, que ele é o mestre….” Esses foram alguns conselhos dados às mulheres pelas revistas dos anos 1950.

Motivo de espanto
As mentalidades mudaram muito desde então, por isso nos surpreendemos quando uma mulher clama pela manutenção da submissão da esposa ao marido. “Casa-te e Sê Submissa” é o título do livro escrito por uma jornalista italiana, Constanza Miriano, casada e mãe de quatro filhos.

Defesa da submissão

Ela defende que o verdadeiro dom da esposa é a submissão por amor. Nisso consistiria sua felicidade. “A mulher leva inscrita a obediência. O homem leva a vocação da liberdade”; “Quando tiveres de escolher entre o que gostas tu e o que gosta ele, escolhe o que gosta ele”; “Ainda não és uma cozinheira experiente. Nem uma dona de casa perfeita. Que problema há se ele o disser? Aceita-o e diz que vais aprender”. São algumas das polêmicas frases do livro publicado na Itália e Espanha.

Mudanças irreversíveis

Ao contrário dos conservadores, não acredito que essas afirmações absurdas contra as mulheres signifiquem um retorno aos antigos valores. Mesmo porque tanto homens quanto mulheres possuem o mesmo potencial para os diversos comportamentos.

A supremacia masculina, que perdurou tanto tempo, envenena todas as relações humanas, prejudicando também os homens. O caminho para a igualdade de direitos entre homens e mulheres ainda é longo, mas as mudanças são irreversíveis.

O segundo sexo
A mais famosa declaração de Simone de Beauvoir — “uma pessoa não nasce, e sim torna-se mulher” — e a sua convicção de que as mulheres seriam sempre o segundo sexo se dependessem economicamente dos homens para viver tornaram-se credos do movimento feminista nas décadas seguintes. Ela não tinha dúvida de que os gêneros masculino ou feminino são socialmente construídos.

A mística feminina
Em 1963, Betty Friedan havia lançado The feminine mystique (A mística feminina), estudo em que analisa o vazio na mulher dona de casa. Friedan, em 1966, fundou a Organização Nacional para as Mulheres (National Organization for Women), e foi sua primeira presidente.

A queima dos sutiãs
O episódio conhecido como Bra-Burning, ou A queima dos sutiãs, foi um evento de protesto com cerca de 400 ativistas do WLM (Women’s Liberation Movement) contra a realização do concurso de Miss America em 7 de setembro de 1968, em Atlantic City, no Atlantic City Convention Hall. Edi Cavalcante nos conta como isso ocorreu.

Na verdade, a “queima”, propriamente dita, nunca aconteceu. Mas a atitude foi incendiária. A escolha da americana mais bonitinha era tida como uma visão arbitrária da beleza e opressiva às mulheres, por causa de sua exploração comercial. Elas colocaram no chão do espaço, sutiãs, sapatos de salto alto, cílios postiços, sprays de laquê, maquiagens, revistas, espartilhos, cintas e outros “instrumentos de tortura”.

O combate por dentro
A jornalista Gloria Steinem desvendou o mundo sexista de Hugh Hefner. Fundou a MS, revista cujo título reivindicava o direito de mulheres não serem identificadas como Miss ou Mrs (senhorita ou senhora), designações que definem a mulher pelo seu relacionamento com o homem – senhorita, mulher que não tem homem; senhora, aquela que tem um homem ou já teve, mas ele partiu ou morreu.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.