Além de dar ares de crise incontornável ao impasse entre Jair Bolsonaro e seu partido, a batida da Polícia Federal que atingiu o presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), ampliou a desconfiança entre o Congresso e Sergio Moro (Justiça).
Assim que a operação foi divulgada, deputados de centro-direita especularam sobre o timing da ofensiva e a possibilidade de vazamento de informações para o Planalto. A esquerda explorou o tema em plenário. Siglas simpáticas a Bolsonaro ouviram silentes.
Quebra-cabeça – Deputados e integrantes do universo jurídico passaram a manhã indagando se Bolsonaro havia sido avisado da ofensiva com antecedência e relembrando o calendário de encontros do presidente com o ministro da Justiça e o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.
Gota’água – Dentro do PSL, a operação da PF com foco em Bivar foi vista como o ponto de não retorno para a crise interna. Ninguém aposta mais em uma solução pacífica. Aliados de Bivar acreditam que o Planalto não só sabia da ofensiva deflagrada nesta terça (15), como atuou para que a Justiça Eleitoral a autorizasse.
De igual para igual – O PSL está em vias de fechar acordo para que o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral Henrique Neves represente o partido na disputa com Bolsonaro. Segundo integrantes da legenda, só faltam formalidades para a assinatura do contrato. O presidente conta com outro ex-ministro da corte, Admar Gonzaga, em sua banca.
Vidente – Assistindo ao impasse de camarote, o deputado Alexandre Frota (SP), que foi expulso do PSL e se filiou ao PSDB, comentou: “Saí na hora certa. Enxerguei isso antes”.
Um andorinha… – Não pegou bem entre líderes da centro-direita a tentativa do presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Felipe Francischini (PSL-PR), de se antecipar à decisão do STF sobre a prisão após condenação em segunda instância.
…Não faz verão – O parlamentar não levou a ideia a seus pares e representantes de algumas siglas prometem enterrar o assunto na Casa.
Calculado – Integrantes do PDT dizem que Tabata Amaral (SP) decidiu romper com a legenda quando já sabia que não seria expulsa. Ela vai à Justiça para deixar o partido sem perder o mandato após ter sido punida por votar a favor da reforma da Previdência.
Para todos – O Ministério da Economia pretende lançar simultaneamente, na Câmara e no Senado, projetos para reformar o Estado. A expectativa é a de que, na Câmara, entre a reforma administrativa. Já ao Senado caberia a revisão de regras fiscais que obrigam o repasse de verbas federais a fundos esquecidos no Orçamento.
Brecha – Em troca de votos em uma reforma administrativa, que reduziria os salários no serviço público, deputados querem que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), endosse a criação de uma nova regra de correção do salário mínimo. A que vigorou até este ano expirou em junho.
Brecha 2 – Um dos defensores de um novo regramento é o deputado Paulinho da Força (SD-SP), que sugeriu reajuste pela inflação mais metade da projeção de crescimento econômico. Como se trata de uma previsão, o aumento seria ajustado a cada três meses.
A ver – Ministros do STF dizem que há um acordo tácito para que o julgamento da prisão em segunda instância não seja suspenso por pedido de vista.
Voz da experiência – A Febraban contratou dois veteranos da política para acompanharem a pauta de interesse das instituições financeiras no Congresso. A entidade recrutou o ex-senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e o ex-deputado Silvio Costa (Avante-PE).
Eis-me aqui – No Ceará, o trabalho de limpeza das praias atingidas pelo vazamento de óleo na costa nordestina tem sido feito com a ajuda de ONGs. As entidades foram acusadas de inação por Bolsonaro, que cobrou mobilização semelhante às queimadas na Amazônia.
Eis-me aqui 2 – No estado, Verde Luz e Aquasis são duas das organizações mais atuantes. Governadores e prefeitos registram que, até o momento, atuação federal apenas pelo Ibama –e de maneira limitada, dado o pequeno efetivo.
TIROTEIO
“O governo é tão competente, mas tão competente, que faz oposição a si mesmo. Se alguém tentar atrapalhar, ajuda.”
Do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), sobre o líder do partido de Bolsonaro ter obstruído votação de projeto de interesse do Planalto.