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Biólogo é pioneiro nos estudos de meliponicultura no Estado

O biólogo Alex Fabian Rabelo Teixeira, de 49 anos, agente de Extensão Rural do Instituto Capixaba de Pesquisa Assistência Técnica e Extensão Rural ...

“Eu digo que tudo o que aconteceu na minha vida veio nas asas das abelhas”, diz o biólogo Alex

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O biólogo Alex Fabian Rabelo Teixeira, de 49 anos, agente de Extensão Rural do Instituto Capixaba de Pesquisa Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), de Linhares, Norte do Estado, lembra que, ainda criança, ficava encantado e, ao mesmo tempo, intrigado com o trabalho intenso das abelhas ao recolher o néctar das flores no quintal da casa onde morava, em Catu, no interior da Bahia.

“Eu digo que tudo  o que aconteceu na minha vida veio nas asas das abelhas”, diz o biólogo Alex (Foto: Wilton Junior/AT)

“Naquele tempo, eu já observava as abelhas e aquilo me incomodava. Por que elas faziam aquelas visitas nas flores? Depois, mais tarde, já na 8ª série, tive acesso a um livro sobre criação de abelhas africanizadas e, em seguida, ingressei no curso de Técnico em Agropecuária, em que tive o primeiro contato com a criação de abelhas”, relembra Fabian.

O livro sobre os insetos despertou tamanho interesse naquele garoto que ele acabou se tornando biólogo, com mestrado em Ecologia e Biomonitoramento, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde foi bolsista do Laboratório de Biologia e Ecologia de Abelhas (LABEA), do Instituto de Biologia da UFBA, estudando, especialmente, a ecologia de distribuição de ninhos de abelhas sem ferrão.

O biólogo é o pioneiro no Espírito Santo nos estudos da meliponicultura (abelhas sem ferrão), sendo também especialista em apicultura (ciência, ou arte, da criação de abelhas com ferrão) do Incaper.
“Eu digo que tudo o que aconteceu na minha vida veio nas asas das abelhas. Foi aquele livro, na minha juventude, que me mostrou o universo desses insetos, o seu trabalho e a sua organização. Isso foi o que me impulsionou e direcionou minha vida para trabalhar com as abelhas”, comentou.

Atualmente, Alex Fabian está finalizando uma publicação sobre as espécies de abelhas sem ferrão do Estado. “Meu desejo é publicar esse tema com apoio do Incaper ou do governo do Espírito Santo para que seja uma obra de cunho público e possa ser distribuída de graça para escolas e bibliotecas”, sugeriu o biólogo.

Ele acrescentou que a expectativa é que as pessoas conheçam cada vez mais as abelhas.
“São insetos com a interação mais especifica com as flores, sendo responsáveis pelas trocas gênicas entre as plantas com flores, promovendo a diversidade genética vegetal e a produção de frutos e sementes, fonte de alimentos para a fauna silvestre e para a humanidade”, finalizou Alex Fabian.

Insetos viram bicho de estimação

 (Foto: Wilton Junior/AT)A criação de abelhas sem ferrão, atividade conhecida por meliponicultura, vem ganhando destaque no Estado, sendo que esses insetos passaram a ser criados por hobby, para contemplação e embelezamento de jardins, nas varandas das casas ou até nas janelas dos quartos.

O biólogo e extensionista do Incaper Alex Fabian explica que elas são criadas em caixas decorativas e também podem auxiliar na polinização de diversos cultivos, como tomate, pimentão, abóbora, melancia, morango, entre outras, além de ser uma ferramenta de educação ambiental.

O produtor rural Natalino Caliman, 53, morador do distrito de Rio Quartel, Linhares, conta que há cerca de 10 anos ganhou de um vizinho uma caixinha de colmeia de abelhas da espécie Jataí.

Logo em seguida, encontrou outra colmeia no meio da plantação de cacau e a recolheu, levando para também ser criada no quintal de casa.

“Passei a ter mais interesse em saber sobre essas espécies sem ferrão ao começar a criá-las aqui em casa. Mais por boniteza, como enfeite no quintal. Atualmente, tenho cinco caixas distribuídas em vários locais da minha residência”.

Somente este ano ele teve a curiosidade de retirar o mel das colmeias. “Ainda estou aprendendo, por isso pedi auxilio do Alex”.

Alex Fabian destacou que já há grupos de apreciadores das abelhas sem ferrão nas redes sociais e estima que existam mais de 500 criadores na região, que possuem colmeias como hobby.

Agrotóxico pode extinguir animais

 (Foto: Wilton Junior/AT)Um conjunto de fatores está relacionado ao sumiço das abelhas. É o que afirma o especialista em apicultura e meliponicultura do Incaper, Alex Fabian.

Ele destaca que a problemática em torno do sumiço desses insetos iniciou com as abelhas melíferas criadas e usadas na polinização de culturas agrícolas nos Estados Unidos e na Europa, em 2007. “Naquele ano, foi identificado o desaparecimento das abelhas, denominado no meio acadêmico de Síndrome do Colapso das Abelhas”.

Segundo ele, no processo de sumiço desses insetos, as abelhas campeiras, aquelas que estão diariamente no campo coletando e transportando recursos florais (néctar e pólen), simplesmente não retornam para a colmeia, desaparecem de forma repentina.

O biólogo afirma também que o que tem contribuído para o fenômeno são as pragas (ácaro varroa), doenças, manejos inadequados, mudanças climáticas e, principalmente, o uso de agrotóxicos. “No Estado, o mais preocupante é o uso indiscriminado de agrotóxicos, em especial nas aplicações aéreas, que provocam a mortandade de várias colmeias dos apiários.”

Ele frisou que isso é alarmante. “Pesquisadores indicam os agrotóxicos, em especial os neonicotinoides, como sendo os principais responsáveis pelo sumiço desses animais, uma vez que afetam o voo e a orientação das abelhas na localização das colmeias”.

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