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Milton Nascimento: “Tudo continua o mesmo, os tempos é que são outros”

Ele diz que a amizade que nasceu nas esquinas das ruas Divinópolis e Paraisópolis com alguns garotos de “Beagá” mudou a sua vida. Foi mais do que ...

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Ele diz que a amizade que nasceu nas esquinas das ruas Divinópolis e Paraisópolis com alguns garotos de “Beagá” mudou a sua vida. Foi mais do que isso. O clube ultrapassou todas as fronteiras, ganhou milhões de sócios, encantou o mundo e entrou para a história da música.

O cantor e compositor  apresenta show com músicas dos discos clássicos no próximo dia 3 de agosto, no Espaço Patrick Ribeiro, em Vitória (Foto: João Couto/Divulgação)Hoje, quase 50 anos depois de “Clube da Esquina” (1972), ele, o gênio, Milton Nascimento, Bituca, volta àquelas canções feitas entre amigos. O que mudou?

“A nossa música, a nossa essência, a nossa amizade, tudo continua o mesmo, os tempos é que são outros”, diz o mais mineiro dos cariocas aos 76 anos, humildemente, ainda que o mundo continue se rendendo às suas letras e acordes.

Em Vitória, no dia 3 de agosto, Bituca convida para um embarque em seu “Trem Azul” na turnê “Clube da Esquina”, que celebra os dois discos feitos ao lado de amigos como Lô Borges, com pérolas como “Tudo o que você podia ser” e “Nada será como antes”.

No próxima quarta-feira, tem sorteio de ingressos para o espetáculo imperdível no Tribuna Online.

“Tudo continua o mesmo, os tempos é que são outros”, afirma Milton Nascimento

Os fãs capixabas mal podem esperar para encontrá-lo. Qual é o recado para eles?

Sempre que faço alguma coisa, eu tenho que passar pelo Espírito Santo, o povo capixaba sempre me recebeu com muito carinho. Já vivi muita coisa em Vitória, fiz amigos, conheço bem a cidade, amo a comida, tenho meus lugares favoritos, enfim, só posso dizer que, mais uma vez, estou muito emocionado de rever meus fãs capixabas. E eu só tenho que agradecer (e muito!) por mais essa oportunidade.

“Clube da Esquina” e “Clube da Esquina 2” são discos emblemáticos e muito queridos por milhões de pessoas. Como tem sido para você revisitá-los?

Realmente, essa turnê tem me proporcionado coisas que eu não imaginava. Quando fizemos os ensaios aqui na minha casa, em Juiz de Fora (MG), no começo deste ano, eu já sentia que seria um acontecimento muito especial. Mas, do jeito que tem sido, tanto no Brasil quanto lá fora, a gente jamais vai esquecer.

Como a amizade nascida entre as ruas Paraisópolis e Divinópolis moldou esses discos? Que peso têm essas amizades na sua música?

Moldam em tudo na verdade, porque se não fosse pela nossa amizade jamais teríamos feito nada disso. A amizade foi a responsável direta, foi o começo de tudo.

Lô Borges me disse uma vez que tem uma dívida de gratidão eterna com você. E você, o que me diz sobre Lô?

E eu também tenho uma gratidão eterna com o Lô, digo isso por tudo que a gente já viveu nestes anos todos. Lô Borges é das coisas mais importantes e fundamentais na minha vida. Tudo seria diferente sem o carinho e a amizade dele.

São mais de 40 anos do álbum que entrou para a história da MPB. Percebia a genialidade que é conferida ao disco naquela época?

A gente não pensava em outro assunto que não fosse a nossa música e a nossa amizade. O que viria depois seria uma consequência. Nós nunca nos preocupamos com metas, nosso lance era outro.

Que recordação guarda com mais carinho da época em que essas canções foram feitas?

Não tenho como não citar nossa temporada na casa de Mar Azul, na Praia de Piratininga, em Niterói (RJ). Lô Borges, Beto Guedes e eu passamos uma temporada lá no começo dos anos 1970, isso foi pouco antes de gravarmos o “Clube 1”, e muita coisa foi feita lá. O pessoal todo do Clube passou por aquela casa.

Após tantos anos, o que mudou nesta turma?

A nossa música, a nossa essência, a nossa amizade, tudo continua o mesmo, os tempos é que são outros.

Você já falou que “não dá para imaginar a música sem os Beatles”. Muitos dizem isso sobre Clube da Esquina. Como vê isso?

Olha, não tenho como te dizer isso, falar da gente mesmo é difícil, né? Prefiro deixar essa parte para os fãs e as pessoas que ouvem nossa música.

Elis Regina foi uma grande voz, deu outro peso à sua música. Concorda? Ela ainda faz falta?

Elis Regina foi o grande amor da minha vida. Tudo que eu fiz e o que eu faço até hoje é pensando nela.

Meu pai dizia que, se os anjos cantam, é com a voz de Milton Nascimento. Em suas redes sociais muitos dizem que a sua voz é a voz de Deus. Há algo de divino em sua voz e em sua música?

Ah, não sou capaz de responder isso, como eu disse lá atrás, falar da gente é difícil, né?

Serviço

Milton Nascimento
O quê: Show da turnê “Clube da Esquina”
Quando: Dia 3 de agosto
Horário: 22h. Abertura dos portões às 21h
Onde: Espaço Patrick Ribeiro, no novo Aeroporto de Vitória, Mata da Praia
Quanto: Pista (meia/3º lote), R$ 65; Cadeira Prata (meia/3º lote), R$ 80; Cadeira Ouro (meia/3º lote), R$ 90; Mesa (individual/único): setor Bronze, R$ 200; Prata, R$ 230; Ouro, R$ 260.
Venda: Metal Nobre (Grande Vitória), Espaço Patrick Ribeiro, Cafeteria e Choperia do Mestre (novo Aeroporto de Vitória) e site eventbrite.com.br
Classificação: 16 anos. Menores terão acesso ao evento somente acompanhados dos pais ou responsável legal
Informações: 99242-6062

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