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Redesenhe a sua mente (e urgente!)

É provável que em um passado remoto, quando os recursos básicos eram extremamente escassos, quem definia o poder de um indivíduo na sociedade eram as ...

Bartira Almeida é presidente do Instituto Ponte

Última atualização

É provável que em um passado remoto, quando os recursos básicos eram extremamente escassos, quem definia o poder de um indivíduo na sociedade eram as suas posses. Contudo, hoje, vivemos em um mundo infinitamente mais desenvolvido, onde os algoritmos comandam nossas vidas e grande parte do dia é dedicada às redes sociais.

Dessa maneira, fica evidente que ao longo da História o valor dado aos recursos puramente materiais diminuiu, e o valor dado ao que é intangível aumentou.

Uma simples demonstração dessa ideia está nos preços dos iPhones ou das bolsas de grifes. A maior parte do custo atribuído a eles não se dá pelo produto em si, mas sim por um conceito, uma ideia, um estilo, uma marca, ou seja, são definidos por fatores não tangíveis.

Com a redefinição do que é mais valioso, a noção de poder também mudou. Atualmente, a projeção, a autoridade, a capacidade de influência de um indivíduo não decorrem somente de sua riqueza, mas também, ou talvez, principalmente, de sua reputação.

Admiramos pessoas pelas suas personalidades, pelo que representam, pelas suas ações, atitudes e caráter. São esses os atributos que, hoje, as tornam poderosas, influenciadoras. Essa foi a ideia compartilhada pelo ex-presidente norte-americano Barack Obama em palestra feita recentemente em evento voltado à inovação digital, realizado em São Paulo.

De forma resumida, ele disse que precisamos mudar nosso mindset e abandonar velhos paradigmas como o de que, para ter sucesso, é preciso acumular riquezas e se isolar numa bolha social.

Ele defende que precisamos de boa moradia, de boas condições de vida e de assegurar um futuro sólido às nossas famílias, mas também precisamos nos dedicar à construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Até porque, como Obama ressalta, há um ponto em que não se consegue mais gastar todo o dinheiro acumulado.

Uma das personalidades que melhor traduz esse conceito é o filantropo e multibilionário norte-americano Bill Gates, um dos fundadores da Microsoft.

Embora seja uma das pessoas mais ricas do mundo, o poder de seu nome não vem só do seu dinheiro, mas também de sua bilionária ação social contra a extrema pobreza no mundo através da Bill and Melinda Gates Foundation. Gates usou sua fortuna para construir sua própria imagem voltada para a solidariedade e empatia e será lembrado e reverenciado especialmente por essa conduta diferenciada.

Assim como Bill Gates, muitas pessoas no Brasil não têm como gastar todo o seu dinheiro, porém agem de maneira oposta ao bilionário. Ao invés de usarem esse excesso para ajudar causas sociais, se tornarem mais poderosas e criarem um legado positivo, escolhem simplesmente guardar esse dinheiro.

Importante destacar que não sou contra a riqueza. Os empresários são geradores de empregos, impostos e produtos para a sociedade e merecem todo o respeito e admiração por isso.

Mas há uma mudança do mundo material para um mundo intangível acontecendo há algum tempo e as ações de muitos desses detentores de grandes fortunas não refletem essa realidade.

Muitos ainda acreditam que mais poder tem o que for mais rico quando, na verdade, mais poder tem aquele que usa seu dinheiro para fazer o bem. O mundo já mudou, redesenhe sua mente, urgente!

Bartira Almeida é presidente do Instituto Ponte.

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