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Roqueiro mostra dramas de lenda do jazz

Ícone do jazz mundial e símbolo sexual, o trompetista e cantor americano Chet Baker (1929–1988) não teve a vida marcada somente pela música, como ...

A peça será encenada sexta e sábado no centro de Vitória

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Ícone do jazz mundial e símbolo sexual, o trompetista e cantor americano Chet Baker (1929–1988) não teve a vida marcada somente pela música, como também pelas drogas.

A peça será encenada sexta e sábado no centro de Vitória (Foto: Divulgação/Victor Lemini)

Em 1966, ele perdeu dentes numa suposta briga de rua com traficantes e o episódio fez com que o artista interrompesse a carreira por quase dois anos. É essa incerteza de retomada da sua jornada musical que é mostrada na peça “Chet Baker, Apenas Um Sopro”. O espetáculo será apresentado sexta (05) e sábado (06), às 19h30, no Sesc Glória, em Vitória.

Quem dá vida a Chet nos palcos é o ex-Titãs Paulo Miklos, 60 anos. A atração marca a estreia do roqueiro no teatro e mescla o drama pessoal do astro do jazz e muita música.

“Como as pessoas sabem que sou músico, elas acham que eu estou prestes a tocar a qualquer momento, e isso é muito interessante. Toda a tensão do espetáculo se dá justamente no fato de se ele vai conseguir voltar a tocar ou não”, conta o ator ao AT2.

Miklos, que toca flauta transversal e saxofone, é um grande fã do trompetista e reconhece que há uma semelhança entre suas histórias. O roqueiro também abusou de álcool e drogas nos anos 1980, mas está livre dos vícios.

“Sem dúvida, me identifico com ele. Discutir esse assunto é muito caro para mim”, afirma.

“Para mim, é um acerto de contas” – Paulo Miklos, ator e músico

AT2: Como tem sido essa primeira jornada no teatro?
Paulo Miklos: A peça estreou há três anos. Fizemos São Paulo, Rio e Belo Horizonte, e todo mundo cobrou muito para que fosse para o resto do Brasil. Nesse meio tempo, fiz o disco “A Gente Mora no Agora” (2017) e a novela “O Sétimo Guardião”, e agora retomamos com a peça para fazer seis cidades.

Estou muito feliz em chegar a Vitória com um espetáculo maduro, com ótima crítica. Estamos mostrando uma figura icônica da cultura mundial. A musicalidade dele chegou até o Brasil e influenciou a geração da Bossa Nova.

AT2: Como tem sido encarar o público de outra forma?
Paulo Miklos: Estou sempre amadurecendo e aprendendo a cada experiência como ator. E o teatro, sem dúvidas, traz uma carga de aprendizado grande. A minha relação com o público sempre foi de provocação e cumplicidade, e no teatro não é diferente. É lógico que, ao entrar em cena, dá sempre um frio na barriga. Se não der, alguma coisa está estranha. (Risos)

AT2: Como define o espetáculo?
Paulo Miklos: É um espetáculo teatral com muito drama, mas com muita música intercalada. A peça mostra o envolvimento dele com as drogas e o álcool, a insegurança desse grande gênio da música. Mas o público vai ouvir clássicos do jazz que o Chet Baker gravou e cantou. Executamos essas músicas ao vivo.

AT2: Qual é a sua relação com a música de Chet Baker?
Paulo Miklos: Conheço sua obra desde adolescente, porque toco instrumentos de sopro também. Toquei saxofone nos Titãs, gravei CDs, fiz shows, então sempre ouvi jazz.

Acho que o importante é reconhecer essa influência dele, que chegou até mim pelos cantores e artistas que eu admiro, como Caetano, que foi influenciado por João Gilberto, que, por sua vez, foi influenciado por Chet. O toque dele no trompete tem uma postura lírica muito romântica, suave, clara, muito bonita.

AT2: Como se preparou para viver esse personagem?
Paulo Miklos: Fiz um mergulho para conhecer de perto esse personagem, lendo biografias, assistindo a documentários… Existe um documentário chamado “Let’s Get Lost”, do fotógrafo Bruce Weber, que foi o responsável por fotos icônicas do Chet Baker quando jovem. Ele era um homem muito bonito, um galã muito cobiçado!

AT2: Você se identificou com ele durante esse processo?
Paulo Miklos: Sem dúvida! É um personagem bastante controverso, que teve uma trajetória conturbada. Certamente, esse envolvimento dele com drogas e álcool vem de uma depressão, de muita insegurança, embora ele seja um grande ícone, muito adulado. Tanta gente vive isso. Discutir esse assunto, com certeza, é muito caro para mim.

AT2: Artistas do rock e do jazz tiveram suas vidas marcadas por um estilo sem limites. Você também já teve um passado de excessos. Como define esse período? Há arrependimento?
Paulo Miklos: Não. É uma situação que muita gente vive. A peça, para mim, é justamente um acerto de contas: poder revisitar, sabendo exatamente do que eu estou falando, através do Chet Baker.

Eu conheço essas águas escuras, consigo navegar muito bem nisso, e, através desse personagem, posso então lavar a alma.

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