
Em troca de roupas, eletrônicos, alimentos e quantias em dinheiro, entre R$ 10 e R$ 20, um casal permitia que a filha, de 11 anos – atualmente com 12 – fosse estuprada por um operador de empilhadeira, em Viana.
O acusado do crime, Fábio Alexandre Hoffman, de 40, foi apresentado à imprensa na tarde de terça-feira (22). De acordo com o titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegado Lorenzo Pazolini, os pais da vítima são alcoólatras, e o estupro só foi descoberto pela polícia quando a criança apanhou do pai, no dia 31 de janeiro deste ano.
“A menina foi agredida com uma panelada na cabeça pelo pai, e foi conduzida à delegacia e a um abrigo. A partir daí, com seus depoimentos e os relatórios de acompanhamento psicossocial vieram à tona uma série de abusos que ela vinha sofrendo, que aconteciam com concordância dos próprios pais”, destacou o delegado.
Pazolini explicou que a menina e as irmãs, de 2, 7 e 9 anos, foram para um abrigo, após a de 12 ser lesionada, e ser constatado que as demais viviam abandonadas pelos pais, em razão da dependência
química.
De acordo com o delegado, a menina foi abusada por cinco meses antes de entrar no abrigo, e quatro meses depois, mesmo depois de abrigada, em razão das visitas à família, que eram semanais. “Os abusos aconteceram na própria casa do abusador. Ele visitava as crianças no abrigo, depois pegava essas crianças com o conhecimento dos pais e levava para casa com o pretexto de passear, levar ao cinema, shopping. Mas, na verdade, a menina de 12 anos era vítima de estupro de vulnerável”.
Em troca da permissão, os pais recebiam vantagens. “Eles já tinham uma relação de parentesco, porém, bem distante. Mas sem dúvida, eles aferiam uma pequena vantagem econômica. Esse abusador, além
de pequena quantia em dinheiro, também entregava aos pais, roupas, aparelhos eletrônicos e até
alimentos. A menina também recebia presentes”, explicou.
Ao fim da apuração do estupro, o delegado prendeu Fábio em casa, na segunda-feira e, como os pais da criança, ele vai responder por estupro de vulnerável. “Estou sendo acusado sem ter feito nada”, alegou o preso, em entrevista

“Entregaram na mão do abusador”
Para a polícia, não há dúvida de que os pais da menina, de 12 anos, têm culpa e devem pagar pelo mesmo crime. “Eles a entregaram na mão do abusador”, destacou o delegado Lorenzo Pazolini.
De acordo com o delegado, o casal não cumpriu com as obrigações básicas de pais. “Os pais vão ser indiciados por estupro de vulnerável com a mesma pena prevista para o autor, por conta da omissão.
Eles tinham o dever legal de proteger a criança, de educar e praticar atos do dia a dia com ela e as irmãs, mas infelizmente, se omitiram nesses deveres.
Sabiam que a criança era vítima de abuso e não adotaram nenhuma providência”, pontuou Pazolini.
O delegado ainda acrescentou que o caso não terminou. Isso, porque durante as investigações, surgiu a suspeita de que as irmãs da vítima também poderiam ter sido abusadas, e a delegacia apura a situação. Os pais estão impedidos de se encontrar com as crianças.
Reportagem de Jéssica Cardoso para o jornal A Tribuna desta quarta-feira (23).