
Quando Maycon Douglas Fernandes, 24, deixou Alto Rio Novo, no Noroeste do Estado, rumo aos Estados Unidos, carregava na mala um sonho de infância. Na última semana, às vias de realizá-lo, não resistiu a travessia ilegal na fronteira com o México e morreu, engrossando a estatística de corpos de expatriados que não superam o deserto.
Natural de Minas Gerais, Maycon Douglas morreu na cidade de McAllen, no Texas, logo após a travessia do Rio Grande por meio de um bote impróprio, tornando-se o quarto brasileiro a morrer, somente neste ano, no perigoso trajeto, que inclui rios gélidos e desertos descampados.
De acordo com relatos de um companheiro de viagem e da família do jovem, durante a caminhada rumo aos Estados Unidos, após atravessarem a fronteira, Maycon passou mal, vomitou três vezes e morreu, sendo deixado para trás no deserto pela maioria dos componentes do grupo de imigrantes ilegais, sem receber socorro.
A versão da companheira de Maycon Douglas, Renata Clementino da Cunha, de 33 anos, é que o jovem foi encontrado no deserto por policiais. Eles se casaram há pouco tempo, depois de se conhecerem na internet. Também segundo ela, foi o coiote (pessoa que coordena a travessia ilegal) que informou a família da tragédia.
O corpo do jovem foi levado para o Instituto Médico Legal de Laredo, cidade do estado americano do Texas, onde ainda aguarda o translado para o Brasil sem data de chegada.
Segundo Bruno Andrade, 23, irmão de Maycon, que está em Minas Gerais com a mãe do jovem – que está tomando fortes medicamentos – , a família aguarda a liberação de documentos – que está sendo feita com o auxílio de uma tia que reside nos Estados Unidos.
Não bastante a espera pelo corpo para a realização de um enterro em Conselheiro Pena, na região do Vale do Rio Doce, a família também lida com a falta de dinheiro para realização do caro translado. É lá que Maycon havia pedido seu enterro caso morresse na travessia, antes de partir.
A reportagem entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores sobre a possibilidade legal de algum tipo de auxílio junto à família, mas não obteve resposta. Assim, segue a agonia para o enterro do jovem que queria juntar dinheiro e construir a casa própria no interior capixaba.
Para ajudar a família de Maycon a realizar o traslado do corpo foi criado uma campanha de arrecadação. Com a campanha, a família acredita que terá condições de providenciar todas as documentações necessárias e transportar o corpo de Maycon para Minas Gerais, onde estão seus familiares e amigos.
Para realizar a doação, basta entrar na página e clicar no link “Doar”. A doação é feita por cartão de crédito e é preciso preencher alguns dados.
https://padref.com/vaquinhas/maycon-douglas-de-andrade-fernandes/
Lucas Rezende
Confira a reportagem completa no Jornal A Tribuna desta quarta