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Ex-treinadores elogiam mentalidade de André Stein na trajetória até título mundial

Ao lado do parceiro Evandro, André Stein conquistou o Mundial de vôlei de praia, na Áustria, e consolidou seu nome entre os grandes do Espírito Santo ...

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Ao lado do parceiro Evandro, André Stein conquistou o Mundial de vôlei de praia, na Áustria, e consolidou seu nome entre os grandes do Espírito Santo no esporte. Foto: FIVB/Divulgação

O que é preciso para se construir um campeão? Para muitos treinadores e jogadores, essa é uma pergunta que não tem uma resposta precisa. Mas os “professores” de André Stein não têm dúvidas em apontar as características que fizeram do capixaba campeão mundial no vôlei de praia.

Tanto Robson Ribeiro, primeiro treinador de André nas quadras, quanto Leandro Brachola, responsável pela transição para as areias, são unânimes: a força mental e a capacidade técnica fizeram o capixaba de 22 anos alcançar o topo do mundo em Viena.

“Apesar de ser um atleta novo na praia, com pouca experiência em decisão, ele se comportou bem, emocionalmente e tecnicamente, fizeram muita diferença para derrubar os donos da casa”, apontou Robson, o Robinho, primeiro treinador de Stein no Projeto Vôlei Vida, em Vila Velha.

“Ele sempre teve muito raciocínio, facilidade de aprender. E sempre gostou de treinar. Ele ficava até meia-noite, podia estar exausto, mas se pedisse para fazer não reclamava. No esporte, 10% é talento, o problema são os outros 90%, que dependem do atleta. Tem alguns que morrem no talento”, recorda o treinador.

O mais jovem campeão mundial de vôlei de praia iniciou no projeto em 2009, aos 15 anos. Não precisou de muito para mostrar talento, acumular convocações para as seleções do Estado, conquistar títulos e chamar a atenção.

Quanto estava no juvenil do Mauá (SP), André participou de uma sessão de treinos com Leandro Brachola, técnico dos campeões olímpicos Alison e Bruno.

Com olhar clínico para o vôlei de praia, Brachola não teve dúvidas do talento do garoto, com 19 anos na época.

“Ele tem muito potencial. Acaba que as coisas vão acontecendo rápido porque ele está sempre fazendo as coisas certas, ouve muito os profissionais que trabalham com ele”, elogiou Brachola, que esteve em Viena e assistiu à final.

Na decisão do Mundial, a dupla, que é comandada pelo técnico Ednilson Costa, venceu os anfitriões Clemens Dopller e Alexander Horst por 2 sets a 0, com parciais de 23/21 e 22/20.

Potencial para evoluir

O técnico Leandro Brachola viu no jogador capixaba André Stein a capacidade de assimilar com facilidade os fundamentos da praia. Não teve dúvidas em apostar no jovem e o vê traçar os rumos dos grandes nomes do vôlei capixaba, como Alison, Fábio Luiz e Loyola.

“André Stein é um atleta ainda jovem, tem muito para evoluir. Apesar disso, já joga no nível dos principais atletas e essa conquista o coloca entre os principais atletas hoje”, disse.

Seguindo esse caminho, o jogador capixaba já é motivo de orgulho para aqueles que o viram começar no Estado e que hoje serve de inspiração para uma nova geração de jovens promessas que desejam trilhar caminho parecido e alcançar o sucesso no esporte como os jogadores Vinícius Freitas, Thâmela Coradello e Filipe Baioco.

“As oportunidades se apresentaram e ele aproveitou. Fico muito feliz de botar uma criança numa trajetória de sucesso e servir de exemplo. Se tivermos bons exemplos, vão se tornar multiplicadores”, garante o técnico Robson Ribeiro, que foi o primeiro treinador de André Stein nas quadras.

Sintonia de veteranos

Dupla foi formada no início do ano e já comemora o primeiro grande triunfo da parceria. Foto: FIVB/Divulgação

A sintonia e o comprometimento mostrados pela dupla formada por André Stein e Evandro escondem o tempo em que a parceria foi formada.

Foi no início do ano que os dois se juntaram e deram início ao time que, oito meses depois, se torna a sétima equipe brasileira a faturar o segundo título mais importante do vôlei de praia, atrás apenas dos Jogos Olímpicos.

“Nosso diferencial foi a parte psicológica, por isso conseguimos o título. E isso envolve muita comunicação dentro e fora de quadra. Durante o torneio nós criamos esse padrão de comunicação que foi essencial para o entrosamento da dupla”, afirmou o atleta capixaba em entrevista a reportagem de A Tribuna, antes de retornar ao Brasil.

André revelou que até mesmo a psicóloga que trabalha com a dupla se mostrou surpresa com o entrosamento apresentado pelos jogadores com tão pouco tempo de trabalho juntos.

“Até a nossa psicóloga, que começou a trabalhar com a gente, falou que vê em nós uma conexão muito grande desde que começamos a trabalhar. Fora de quadra nos damos muito bem e dentro da quadra encaixou. Parece que jogamos há mais tempo do que realmente jogamos”, revelou André.

Para o capixaba, a paciência e a vontade da dupla foram virtudes essenciais para a consagração nas areias. Mas a superação das dificuldades que surgem para uma dupla recém-formada tornou o gostinho da conquista ainda mais especial.

“Foi uma campanha bem difícil, como somos uma dupla nova, tivemos muitos altos e baixos. Mas isso que fez o título ficar ainda melhor. Soubemos nos superar muito nos momentos de dificuldade, buscar a solução”, completou.

Em segundo no ranking do Circuito Mundial, a parceria retorna ao Brasil, onde permanecerá no Rio treinando para a última etapa. A disputa será entre os dias 22 e 27 de agosto, em Hamburgo, na Alemanha.

Reportagem de Felipe Pacheco publicada na edição de terça-feira (8) de A Tribuna

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