
em Domingos Martins: pesquisa aponta que quase 30% das rodovias federais não estão cobertas por contratos de manutenção. Foto: Iago Miranda – 18/08/2017
A Confederação Nacional do Transporte concluiu, após estudo que durou 13 anos, que a tecnologia usada em rodovias no Brasil está defasada
Sete meses. Esse é o tempo que os asfaltos em rodovias brasileiras, depois de longas obras, duram até registrarem problemas estruturais que prejudicam a vida de motoristas.
A conclusão é da Confederação Nacional do Transporte (CNT), que, por meio de sua equipe técnica, analisou o estado de conservação dos asfaltos de rodovias nos últimos 13 anos.
A situação, segundo a CNT, é alarmante, já que não tem previsão de melhora a curto prazo, uma vez que a metodologia utilizada no Brasil para projetar rodovias tem uma defasagem de quase 40 anos em relação a países desenvolvidos como EUA, Japão e Portugal.
“Enquanto Portugal utiliza três zonas para calcular o impacto das variações climáticas sobre as técnicas e os materiais utilizados na construção de rodovias, o método empregado no Brasil não faz nem essa diferenciação”, diz a CNT.

Além disso, a pesquisa da CNT aponta ainda que quase 30% das rodovias federais não estão cobertas por contratos de manutenção, o que prejudica a fiscalização sobre as obras, até mesmo as de conservação das vias.
Presidente da CNT, Clésio Andrade, considera que, mesmo sendo essencial para a economia, o setor não vem recebendo a devida atenção por parte do poder público.
“Sem uma malha rodoviária de qualidade e proporcional à demanda do País, a economia brasileira terá dificuldades de crescer de forma dinâmica e na rapidez de que o Brasil necessita”, alerta.
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Razões que contribuem para o problema
1 Insuficiência de recursos para fiscalização e manutenção de rodovias
2 Problemas na manutenção preventiva dos pavimentos
3 Ausência de política de gerenciamento dos pavimentos e planejamento de manutenção
4 Gastos excessivos com correções decorrentes de má execução de obras – até 24%
5 30% das rodovias sem serviços de manutenção
6 Uso de técnicas obsoletas na construção de rodovias
7 Deficiências no controle e na fiscalização de obras de construção de rodovias
8 Falta de fiscalização e controle de pesagem
9 Ausência de políticas públicas de longo prazo para o setor rodoviário
10 Setor sobrecarregado por falta de política integrada
Fonte: Confederação Nacional do Transporte (CNT).
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Reportagem: Lucas Rezende/AT