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Astro da Oficina G3 canta sucessos dos Beatles em Vitória. Veja entrevista

Mauro Henrique, da oficina G3. Foto: Reprodução Pela primeira vez, um cantor de rock cristão participará do Projeto Sócio de Carteirinha, em que o ...

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Mauro Henrique, da oficina G3. Foto: Reprodução

 

Pela primeira vez, um cantor de rock cristão participará do Projeto Sócio de Carteirinha, em que o convidado canta sucessos do quarteto de Liverpool com a banda capixaba Clube Big Beatles. O escolhido para essa estreia foi o brasiliense Mauro Henrique, vocalista da banda Oficina G3.

O show será quinta-feira, dia 17, às 21 horas, no Teatro da Ufes, em Goiabeiras. No repertório, sucessos como “Come Together”, “Let It Be”, “Hello, Goodbye”, “Get Back”, “Dig a Pony” e “Blackbird”.

Os ingressos estão sendo vendidos a R$ 25,00 (meia) e R$ 50,00 (inteira) nas Óticas Paris (Praia do Canto), Imprimix (Praia Shopping), bilheteria do teatro, durante à tarde, e no site tudus.com.br. A classificação é livre. Informações: 3335-2953.

Em entrevista ao AT2, o cantor falou sobre o show, sua relação com os Beatles, preconceito, a carreira na banda Oficina G3 e sua visão de morte.

 

AT2:  Como recebeu o  convite para tocar Beatles em Vitória? Espera levar  fãs da Oficina G3 para o show?

Mauro Henrique Achei superlegal,  porque sou  grande fã de Beatles e nunca tive a oportunidade de cantar a música deles.

Já cantei com amigos, mas não em um projeto tradicional como esse. Fiquei até de cara quando recebi o convite do Edu Henning  e perguntei: “Você tem certeza?” Ele me falou de alguns artistas que participaram, fiquei lisonjeado com o convite e, de forma alguma, poderia falar que não iria. Até porque gosto de Beatles!

Boa parte do público ainda tem a cabeça fechada quanto a essas coisas, mas eu respeito. O grande lance é respeitar. Essas oportunidades fazem com que as pessoas que têm algum preconceito da religião percebam que não somos bitolados. Tenho uma relação boa com vários artistas seculares. Música, para mim, é música.

A banda Oficina G3 nunca gostou muito de rótulo. A gente fala do que a gente acredita. O X da questão está na letra, cantamos o que vivemos e acreditamos.

 

AT2: Teve influência da banda em sua carreira?

Normalmente, todo roqueiro tem como influências Beatles, Led Zeppelin e Elvis Presley. Para mim, sempre foram  Beatles e o  Led.

O louco dos Beatles é que eles são muito abrangentes no estilo. Nunca seguiram  fórmula e tudo que  se propunham a fazer virava sucesso. Para mim, é muito intrigante.

Eles lançavam músicas pra caramba! Sou de uma banda que lança disco a cada 5 anos. Sei que  trabalho  é gerir um disco, e os caras eram frenéticos, lançavam novidade sempre! As canções  sempre são curtas, cerca de 2 minutos. Penso em como os caras conseguem dizer muito em tão pouco tempo.

 

AT2: Como  foi enfrentar a barreira entre o rock e a religião?

Já houve. Quem roeu esse osso nem fui eu, foi o Juninho lá no início da Oficina G3, em 1989. Naquela época, não podia tocar na igreja porque tinha cabelo grande, tatuagem, brinco ou a sonoridade pesada. Hoje em dia, é supertranquilo. As pessoas estão mais esclarecidas.

Temos 30 anos de banda e os frutos são muitos. O número de pessoas que nossa música ajudou é enorme. Vira e mexe, a gente vai tocar em igreja e uma pessoa diz  que se converteu em nosso show.

Quando a gente determina que só determinado estilo é para Deus, está limitando ele. É inocência, ou até ignorância, dizer que Deus atua nesse estilo ou naquele outro.

Quem somos nós para limitar Deus? A única coisa que a gente tem que fazer é estar com o coração sincero diante Dele, e isso a Oficina sempre teve. E é assim que você tem que seguir a vida. Ser sincero no que faz e diante de Deus.

 

AT2: Como escolheu as canções?

Escolhi as  que gosto. Depois, analisei as letras e escolhi as que não ferem o que acredito.

Quando a Bíblia fala de reter o que é bom, é justamente isso: você sentir paz no seu coração. Se está falando de algo que não concordo,  não vou cantar essa letra. Se fere os meus princípios, não faço. É uma forma muito leve de viver.

Quando se trata de letra, tem músicas dos Beatles que as pessoas gostam muito, mas  são depressivas, vão contra o que acredito.

“Let it Be”, por exemplo,  tem uma parte  que fala “Mother Mary comes to me” (“Mãe Maria vem para mim”). A letra é linda, mas, como no meu segmento eu não venero Maria, mudei para “Jesus Christ comes to me” (“Jesus Cristo vem para mim”). Foi a forma que encontrei para não ferir meus princípios.

 

AT2: Você está com outros projetos paralelos…

Estou em Manaus fazendo um projeto. O “Loop Session” é um evento que só faço durante a semana. No ano passado, quando a gente foi até Vila Velha,  fazia num formato diferente. Fizemos quase 40 shows só em eventos, eram poucos por mês. Neste ano, a gente quis fazer dois meses de shows direto. Estou morto de cansado! A gente está trabalhado na estrada o tempo todo, só volta em casa para trocar a mala.

E a Oficina G3 está com a agenda lotada de setembro para frente.  De segunda a quarta, são nossos dias de descanso e eu uso para fazer o projeto.

 

AT2:  Há novidades da Oficina G3?

Oficina sempre foi o primeiro plano. Agora a banda adotou o formato de singles. O mercado mudou de maneira absurda. Existe uma crise no País que, obviamente afetou todo mundo. Estamos fazendo os eventos, mas vemos a dificuldades. Na questão de fonograma, essa crise não é no sentido financeiro. Hoje não vende CD, hoje é tudo à base de streams e  YouTube. Na minha visão hoje, se eu lanço um disco, as pessoas não têm tanta paciência de ouvir um disco inteiro.

A demanda está muito grande de coisas boas. E o que você quer fazer com elas, playlist? Com essa coisa de playlist, as pessoas deterioraram  o conceito de um disco. As pessoas não vão ouvir um disco inteiro como se fosse um livro, com início, meio e fim. Vai ouvir para colocar o melhor daquele álbum na playlist dele. A melhor forma que encontramos, e achamos mais justa, é que, quando a pessoa tem um single e ela gosta do seu trabalho,  vai dar uma atenção maior para aquela faixa. E, em cima dessa música, você vai poder trabalhar mais coisas, como lyric vídeo e clipe.

E hoje a pessoa pode pagar por uma música. Não precisa comprar um disco inteiro por causa de uma música. Já lançamos três singles, e teve um resultado muito bom. Não quer dizer que não vamos compilar um álbum. Mas por que deixar as pessoas ansiosas, se eu posso simplesmente fazer as músicas e ir divulgando aos poucos? É um formato muito interessante.

 

AT2: Como é ser um astro cristão? É difícil lidar com a fama?

Nunca me vi como um astro e acho que nunca vou me ver. Eu sempre sou muito acessível com as pessoas. Converso normal com elas, como amigos meus. Me vejo como um cara normal, que gosta de música e vive dela. Mais privilegiado ainda por ser um roqueiro dentro de um país em que o rock não predomina, e acho que nunca vai predominar. Me vejo como um privilegiado por Deus.

O Whindersson Nunes  é “brother” meu e eu acho que o grande lance é essa coisa informal. A galera gosta. É a forma natural de ser do ser humano. O “Loop Session” acabou levantando essa bandeira, de que nós, artistas, somos pessoas normais. É um evento bem diferente, que a gente faz piada. Isso é o ser humano. Não é porque a gente é cristão que não tem senso de humor, não é feliz.

Tudo que remete à vida é alegria, companheirismo, amor e amizade. E é isso que tento viver no meu cotidiano. Eu sou o que sou. Tento ser sempre eu, por isso não me vejo como um astro. Fico admirado com o que as pessoas sentem com meu trabalho.

 

AT2: Viveu uma fase difícil, quando sua então esposa, Jakylene Dantas, morreu em 2012, após dois anos de luta contra um câncer no pulmão e na coluna cervical. Como encarou tudo isso?

Sofremos porque somos humanos. Mas, a partir do momento que a pessoa entende o Evangelho que foi proposto por Cristo, ela vai entender que Cristo está falando de algo eterno, muito maior do que o material, do que a carne.

A gente sabe, até pela Ciência, que toda matéria não é eterna. Quando começa a pensar por esse lado, você passa a ter uma vida mais leve, de esperança, mas não esperança no que é terreno, e sim no que é o eterno.

A esperança que sustentou a minha dor e a dela era saber que tudo é transitório. A gente não entendia por que nosso coração estava leve, a gente brincava.

Foram 18 meses dentro de hospital, e ela simplesmente era grata a Deus,  porque ela acreditava no eterno e eu também. E isso fez com que a gente não sofresse tanto.

 

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