por: Carlos Rubim
“Será que os pais não querem Ensino Religioso para seus filhos?”
O Estado brasileiro é laico. Essa frase, salientada pelo presidente da República para não aprovar a obrigatoriedade do Ensino Religioso nas escolas, leva-nos a algumas questões, mas gostaria de destacar uma que é relevante: será que ser laico significa ser arreligioso?
O Ensino Religioso, que, há alguns anos, tinha caráter confessional ou até mesmo catequético, mudou. A necessidade dessa mudança foi importante. Temos um Ensino Religioso que prima, sobretudo, pelo respeito à pluralidade religiosa e à reafirmação da relação do homem com o divino.
O governo do Espírito Santo, em lei, determinou que as escolas oferecessem a disciplina aos alunos. Muitas escolas estão em processo de adaptação, que precisa ser aprimorado.
A escola é que tem essa obrigatoriedade do oferecimento do Ensino Religioso, depende dos pais, responsáveis ou alunos adultos aceitarem ou não. Infelizmente a Secretaria de Educação abriu edital para contratação de professores para a rede pública, mas somente três aulas estavam à disposição de mais de dez professores habilitados na cidade de Vitória. Será que os pais não querem Ensino Religioso para seus filhos?
Essa irrisória demanda de aulas é assustadora leva-me a concluir que diretores e pedagogos escolares estão mal informados, ainda, acerca do que é de fato o Ensino Religioso para melhor instruir os pais.
A Conferência dos Bispos do Brasil vem com muita insistência solicitando às autoridades políticas a obrigatoriedade da disciplina nas escolas. Claro que a CNBB precisa também começar a obrigar as escolas católicas a fazerem o mesmo, quem sabe as pioneiras nessa área, algo que não vem ocorrendo.
Além da CNBB, existe o Conselho Nacional e Estadual de Ensino Religioso com várias representatividades que atua de modo muito significativo junto à regularização da disciplina na área da educação.
É urgente, necessário, que o Ensino Religioso volte para nossas escolas. Nossas crianças precisam falar sobre suas experiências religiosas, ouvirem as demais experiências dos colegas de classe. Isso é aprendizado para o respeito.
Quem ainda não possui uma religiosidade ou espiritualidade pode ser suscitado com este ensino. O Ensino Religioso vem de encontro com a humanização de nossas crianças, muitíssimo importante.
O presidente da República saiu por uma tangente, mas não convenceu e tampouco falou com profundidade de causa, aberto à discussão. O que mais preocupa não é termos um Estado Laico, mas impregnado pelo laicismo, que significa indiferentismo ao sagrado, ou ao divino ou, diria, é uma desconsideração com Deus.
Na Grande Vitória a preocupação é maior, pois na capital a disciplina não é oferecida em nenhuma escola da rede. Isso preocupa muito pois é obrigatório o oferecimento, a matrícula que é optativa.
É preciso que todas as escolas abram suas portas para Deus, que possui diversos nomes, que provoca diversos rituais, celebrações, mas, que de algum modo, acreditamos e é fundamental em nossa vida.
É necessário aprender acerca das diversas experiências e vivências religiosas do homem, isso é o que busca o Ensino Religioso atual.
Frei Carlos Rubim é escritor, professor e mestre em Ciências das Religiões
