- Vitória, ES 23°C

Vitória 23°C

Anúncio
Tribuna Livre

Você está pronto para a quarta revolução industrial?

por: Fransérgio Leite da Cunha "Essa revolução industrial está sendo evidenciada pela criação das fábricas 4.0" Estamos passando pela quarta ...

Última atualização

por: Fransérgio Leite da Cunha

 

“Essa revolução industrial está sendo evidenciada pela criação das fábricas 4.0”

Estamos passando pela quarta revolução industrial. Ela está acontecendo de forma silenciosa e muito devagar em nosso país. Mas sim está acontecendo e com muito mais força ao redor do mundo. Estamos preparados para encará-la?
Vivemos a primeira revolução industrial no final do século XVIII, quando os produtos feitos pelos artesãos foram substituídos por outros fabricados pelas máquinas movidas a vapor. Nesta mesma época surgiram os luditas, misoneístas, que invadiam as indústrias e promoviam a destruição das máquinas, pois alegavam que estas máquinas tiravam seus empregos.
Tivemos a segunda grande revolução industrial iniciada ao final do século XIX, com o uso intenso da energia elétrica acionando motores e o uso dos combustíveis derivados de petróleo como outra fonte de energia. A história nos mostrou que os luditas estavam enganados, pois ambas transformações trouxeram o progresso, novas indústrias e, consequentemente, novos postos de trabalho, melhorando a qualidade e a expectativa de vida para aqueles que se prepararam para o novo mundo.
Após alguns anos, mais precisamente na década de 70, surgiram os robôs industriais, promovendo a terceira revolução industrial. Com os robôs, aliados ao intenso uso da eletrônica, da instrumentação e dos computadores, veio a automação de maneira generalizada na produção, e com isso mais qualidade e velocidade de entrega dos produtos, melhorando mais ainda a nossa qualidade de vida e diminuindo os esforços e a exposição desnecessária a riscos de acidentes dos operários em algumas modalidades de trabalho.
Eis que surgiram novamente os neofóbicos ou novos luditas que ainda acreditam que os robôs, a automação e o advento da tecnologia são responsáveis por tirar o emprego dos trabalhadores. Como se deu no século XVIII, os ludistas de ontem são os taxistas de hoje, os quais protestam e agridem os motoristas que usam aplicativos de celulares para agilizar e modernizar seus serviços. Ou os empresários do setor hoteleiro, os quais tomam atitudes de retaliação aos aplicativos cuja finalidade é oportunizar ao cidadão comum poder alugar sua casa para turistas.
Essa quarta revolução industrial está sendo evidenciada pela criação das fábricas 4.0, ou seja, indústrias que aliam toda sua automação com sistemas de tecnologia da informação altamente desenvolvidos, unindo a internet das coisas, internet dos serviços e sistemas cyber-físicos, proporcionando indústrias altamente competitivas. Isso promove processos de produção mais autônomos e customizáveis, de maneira muito mais eficiente do que temos como padrão atualmente. O termo fábrica 4.0 surgiu na feira de Hannover, Alemanha, em 2011 e foi iniciado em 2013 no mesmo país. Tal conceito proporcionou a competitividade da indústria alemã com as indústrias da China, onde o custo da mão de obra é infinitamente menor.
A saída para não se tornar um profissional obsoleto e talvez mais um ludita é procurar acessar o ciclo de transformação e de evolução do conhecimento. Somente estando preparados e com mais bagagem cultural é que deixaremos para trás o século XVIII, e nos livraremos do assombro dos bárbaros invadindo fábricas, quebrando máquinas, e colocando a culpa em robôs e aplicativos de celular pela própria inércia.

Fransérgio Leite da Cunha é Maker, pós-doutor em Engenharia Elétrica pela USP/EESC.

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected].

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.