
Com o corte de verbas do governo federal para as universidades, as pesquisas dos estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) ficaram prejudicadas. De acordo com a instituição, só os cortes para bolsas foram de cerca de 70%.
Chefe da Divisão de Iniciação Científica do Departamento de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade, Antônio Rocha Neto explicou que a mudança vai reduzir o número de pesquisas.
“Os estudantes vão deixar de desenvolver as pesquisas porque não têm essa verba, que dá para custear passagem e comida no restaurante universitário”, afirmou.
No mestrado e doutorado, a situação não é diferente. Estudantes temem que seus projetos não tenham continuidade devido ao corte de bolsas.
O estudante de mestrado em Engenharia Elétrica Kevin Hernadez Ossa, 25, tentou bolsa, mas não
conseguiu com verba federal. “Eu tinha todos os requisitos para conseguir, minhas notas eram altas, mas não havia oportunidades”, explicou ele, que conseguiu a bolsa por meio de outro projeto.
Os estudantes contam que conseguem produzir artigos que são selecionados em congressos, mas na hora de apresentar não têm apoio financeiro.
O aluno de pós-doutorado em Engenharia Elétrica Carlos Torturella Valadão, 31, vai ter que apresentar quatro artigos no Simpósio Brasileiro de Automação Inteligente, em Porto Alegre. “Não há verba para cada um apresentar o seu. Cada inscrição integral custa R$ 800”, calculou.
O mesmo acontece com publicações em revistas. Os alunos destacam que elas são importantíssimas
para conseguir apoio para os projetos.
O estudante de mestrado em Engenharia Elétrica Eduardo Henrique Montenegro Couto, 24, vai para o Canadá apresentar um artigo sobre um simulador inteligente para usuários de cadeiras de rodas. Ele é comandado com olhar, sinais cerebrais e musculares. “O apoio do governo paga metade da inscrição. Falta a outra parte, passagem, hospedagem e alimentação. Vou por conta própria”, afirmou.
Reportagem de Verônica Aguiar