
O desafio de ter de trabalhar 6 horas por dia e estudar para concorrer a uma vaga de Medicina na universidade, com estudantes que se dedicam exclusivamente aos livros, não intimidou o estudante Mahony Santana, de 20 anos.
Morador de Serra-Sede, no município da Serra, aluno de escola pública e do cursinho popular Projeto Universidade Para Todos (Pupt), ele foi aprovado na Universidade Federal de Pelotas (RS). Suas aulas começam dia 18 de setembro.
O jovem foi aprovado por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que utiliza a nota do Exame Nacional do Ensino Médio.
“Eu tinha que trabalhar para ajudar nas despesas de casa e também para pagar o cursinho”, disse ele, cujo pai é técnico em segurança do trabalho e a mãe, dona de casa.
A mensalidade do curso custava R$ 100. Sabendo o que tinha que fazer, Mahony se organizou. Trabalhava das 9 às 15 horas, como operador de telemarketing. Estudava por conta própria das 16 às 18h30 e das 19 às 22 horas assistia às aulas do cursinho.
“Eu intensificava os estudos durante a semana. No final de semana, não estudava. Procurava acompanhar o noticiário, lia livros e assistia filmes”.
Assim, mesmo nos momentos de descanso, ele adquiria conhecimentos para a prova.
Questionado sobre qual seria o seu diferencial, ele explicou que se considera esforçado. “Em um ano, faltei apenas a uma aula. Estava em todas as monitorias, desde Redação a Matemática e procurava aproveitar ao máximo o cursinho”.
Ele concluiu o ensino médio em 2014. Em 2015 estudou em casa e, em 2016, foi o único ano em que fez cursinho. “São poucos os casos dos alunos que passam em Medicina, tendo que conciliar estudo e trabalho”, avaliou a coordenadora do Pupt, Cíntia Trazzi.
O diretor pedagógico do Darwin, Mário Broetto, explicou que casos como o de Mahony são muito particulares.
“A grande maioria dos alunos que consegue aprovação em vestibulares de grande concorrência fica praticamente em dedicação exclusiva na preparação”, destacou.
Segundo ele, o caso do estudante mostra que a forma como o aluno aproveita o tempo é o mais importante.
“Um aluno que estuda três horas por dia pode render mais do que um que estuda seis. Isso depende da concentração, do foco”.
A reportagem completa sobre a história de Mahony você confere na edição desta quinta-feira (3) do jornal A Tribuna.
Reportagem: Verônica Aguiar