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Crise no casamento agora aos 3 anos

Foto: Rodrigo Gavini/AT Especialistas constatam que os conflitos do casamento, que antes aconteciam no sétimo ano, estão sendo percebidos mais cedo ...

Crise no casamento agora aos 3 anos
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Foto: Rodrigo Gavini/AT

Especialistas constatam que os conflitos do casamento, que antes aconteciam no sétimo ano, estão sendo percebidos mais cedo

Depois do “sim” no altar, os contos de fadas não mostram a rotina corrida, as contas para pagar e as pequenas discussões do dia a dia. E com isso, muitas vezes, vem a desilusão.

De acordo com especialistas, a cada dia aumenta o número de casais que procura ajuda ainda nos primeiros anos de união. Segundo psicólogos e terapeutas de casais, a crise no relacionamento agora está acontecendo aos três anos.

“Vejo que nos últimos anos, mais casais procuram ajuda entre os dois anos e meio ou três anos de união. Eles chegam querendo se separar por causa das diferenças e outras questões. Vejo que hoje os casais não se programam para o casamento, são impulsivos e movidos por um sentimento de paixão”, destacou a terapeuta sistêmica e familiar do Instituto Vivência, Jaqueline Menezes.

A psicóloga Márcia Barone, que é coordenadora do Núcleo de Atendimento e Pesquisa da Conjugalidade (NAPC) da Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae, explicou que em um projeto de atendimento clínico voltado para casais foi observado que nos últimos anos houve aumento na procura dos casais com união de até cinco anos.

“Os casamentos realizados hoje são entre pessoas da denominada geração “Y”, que tem como característica o imediatismo e o desejo de inovar. Diferente da geração “X”, em que características como equilíbrio e a estabilidades são mais identificadas.”

De acordo com o psicólogo Breno Rosostolato, coordenador do LovePlan – Imersão de Casais, a procura por casais com poucos anos de união é surpreendente. “Eles chegam com verdadeiras crises existenciais no casamento. E querem ajuda e direcionamento”.

No entanto, no imaginário popular, a crise no casamento deve ser esperada por volta dos sete anos de união. Para o psicólogo especialista no tratamento das dificuldades do relacionamento amoroso Thiago Almeida, a ideia se criou depois que o termo “crise dos sete anos” se popularizou com o filme “The Seven Year Itch”.

“O clássico de 1955, que no Brasil recebeu o nome de ‘O Pecado Mora ao Lado’, popularizou a ideia da crise dos sete anos por causa do enredo. No entanto, um estudo da ONU revelou que o número de separações vai aumentando a partir do terceiro ano de relacionamento e atinge o pico no sétimo ano, quando começa a declinar”, explicou.

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Traição e dor no terceiro ano

Professora amargou o fim da relação no terceiro ano do casamento quando o marido saiu de casa por causa de outra mulher. Foto: Thiago Coutinho/AT

Uma professora de 30 anos, que preferiu não se identificar, viu o seu relacionamento de 13 anos terminar depois de uma crise no terceiro ano do casamento.

Ela contou que conheceu o ex-marido na escola quando cursavam o ensino médio no interior do Estado. “Quando passamos na faculdade, nos mudamos para Vitória. Apesar de morar sozinha, ele foi morar com a família dele, porque planejamos casar depois de terminar a faculdade”.

Assim que se estabeleceram, começaram a morar juntos e casados. No entanto, perto de completar três anos de casamento, a professora contou que o ex-marido começou a mudar o comportamento.

“Ele sempre foi muito romântico. Mas, perto de começar a grande crise, começou a ficar estranho, sumia de casa e ficava horas fora e ninguém sabia o que estava fazendo. Comecei a ficar preocupada, cheguei a achar que ele estava doente, mas descobri depois que ele estava tendo um caso com outra mulher”.

Ela contou que no primeiro momento quis terminar tudo. “Ouvi conselho da minha família, da família dele e resolvi tentar. Mas não adiantou, ele não queria mais o casamento, saiu de casa e não quis nem tentar resgatar. Sofri muito, foram anos em um relacionamento para nada”, disse.

O caso da professora não é o único e acontece até mesmo com famosos, recentemente, a modelo Juliana Salimeni e o youtuber Felipe Franco confirmaram o fim do casamento de dois anos, depois de 12 anos de relacionamento. Há rumores de que o fim chegou depois de uma traição de Felipe.

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Mais de 30 casais se separam por dia

Psicóloga Gisele Barreto: “Casar é construir juntos e não querer tudo de uma vez”. Foto: Dayana Souza/AT

Quando o casal não consegue superar a crise, então vem o divórcio. De acordo com dados do Sindicato dos Notários e Registradores do Estado do Espírito Santo (Sinoreg), mais de 30 casais se separam todos os dias no Estado.

Essa é a média diária de divórcios registrados no Estado este ano. De janeiro até o final de julho, foram 5.647 divórcios. Em 2016, a média do ano foi de 34 casamentos desfeitos diariamente.

Segundo a advogada especialista em Direito de Família, Thiêzy Menegassi, muitos fatores contribuem para o aumento no número de divórcio.

“Diria que a possibilidade do divórcio direto instituído pela emenda 66 de 2010 e a possibilidade desse divórcio ser realizado por vias extrajudiciais nos cartórios contribuíram fortemente para esse crescimento. Porém, a mudança na legislação não é a única razão”, opinou.

A advogada destacou ainda que o imediatismo dos jovens também é um motivo para o número de divórcios no Estado.

“A incessante busca pela perfeição, a facilidade de trazida pelas redes sociais e vários outros fatores vêm contribuindo para esse fenômeno”, disse.

Segundo o advogado João Vitor Guimarães Vaz, o número de divórcios é crescente em todo o País e cada mudança na sociedade provocada uma mudança na lei. “Mas essa facilidade com a lei não pode ser considerada a causa de aumento”, destacou.

A psicóloga comportamental Gisele Barreto disse que muitas vezes faltam atitudes simples no casamento. “Dos milhares de casais que começam sua vida juntos, muitos não são capazes de manter a relação por muito tempo. Casar é construir juntos e não querer tudo de uma vez”.

De acordo com o advogado, Flávio Fabiano, o casamento já não é visto da mesma forma pela sociedade e isso faz com que muitas pessoas entrem na união já pensando em um possível fracasso.

“Há pessoas que fazem o casamento pensando no divórcio, na divisão de bens. Isso é muito triste, acaba desvirtuando o propósito do casamento”, disse.

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Perguntas podem prever separação

A terapeuta Jaqueline Menezes diz que uma comunicação sincera é fundamental no casamento. Foto: Rodrigo Gavini/AT

E se todos pudessem prever se vão se separar ou não de seus companheiros? Uma pesquisa da Universidade da Virgínia, dos Estados Unidos, diz que é possível. Segundo os estudiosos, duas perguntas podem prever separação.

Para os pesquisadores e economistas Leora Friedberg e Steven Stern, que lideram o estudo, uma das perguntas cruciais, que devem ser respondidas por ambos os cônjuges, é:

“Em uma escala de 1 a 5, como um sendo muito pior e cinco sendo muito melhor, o quanto você imagina que seu nível de felicidade seria diferente se você e seu parceiro se separassem?”

O outro questionamento é: “Usando a mesma escala, o quanto você imagina que o nível de felicidade do seu parceiro seria diferente se vocês se separassem?”

Os estudiosos fizeram essas perguntas para 3.597 casais em dois momentos: entre 1987 e 1988 e seis anos depois.

A primeira conclusão, de que se uma pessoa responde à primeira questão com um “5”, ou seja, seria muito mais feliz, quer dizer que a pessoa tende a um divórcio já era esperada.

Durante esse período de seis anos, 7% dos casais entrevistados se separaram, sendo que a taxa de divórcio foi maior nos casais que disseram se sentir mais felizes caso houvesse um divórcio.

No entanto, o que surpreendeu no estudo foi o fato de a taxa de divórcio ser maior entre os casais que tinham percepções incorretas sobre a felicidade do outro. Os que acreditaram que os parceiros ou parceiras estavam mais felizes na relação do que realmente estavam foram os que mais se divorciaram depois de seis anos.

“Uma comunicação sincera e honesta é fundamental para a duração de um casamento. É preciso se conhecer e conhecer o outro para que o casamento tenha sucesso”, destacou a terapeuta sistêmica e familiar do Instituto Vivência, Jaqueline Menezes.

De acordo com a psicóloga Gisele Barreto, é justamente essa falta de comunicação que está faltando nos casais hoje.

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É preciso atenção na felicidade do outro

As perguntas

  • – Em uma escala de 1 a 5, como um sendo muito pior e cinco sendo muito melhor, o quanto você imagina que seu nível de felicidade seria diferente se você e seu parceiro se separassem?
  • – Usando a mesma escala, o quanto você imagina que o nível de felicidade do seu parceiro seria diferente se vocês se separassem?
  • – Os estudiosos fizeram essas perguntas para 3.597 casais em dois momentos: entre 1987 e 1988 e seis anos depois.

Conclusão

  • – A conclusão que os pesquisadores chegaram foi que se uma pessoa responde à primeira questão com um “5”, ou seja, seria muito mais feliz, quer dizer que a pessoa tende a um divórcio.
  • – Durante esse período de seis anos, 7% dos casais entrevistados se separaram, sendo que a taxa de divórcio foi maior nos casais que disseram se sentir mais felizes caso houvesse um divórcio.
  • – Ainda Segundo os pesquisadores, a chave está na segunda pergunta. Segundo o estudo, para não enfrentar um divórcio, a dica é prestar atenção na felicidade do companheiro.

Fonte: Universidade de Virgínia, EUA.

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Traição

Uma professora de 28 anos viu seu casamento de três anos terminar devido à traição do ex-marido.

“Tínhamos uma vida normal de casal, tranquila. Achava que éramos felizes, estávamos planejando construir uma casa. Até que descobri a traição. Era uma amiga de trabalho. Tentei reatar o casamento, mas ele não quis”.

Brigas

Foto: Antonio Moreira/AT

Uma consultora de vendas de 34 anos ficou casada por cinco meses. “Percebi que as coisas não estavam dando certo. Ele não priorizava o casamento”

Ela contou que eles brigavam muito e depois de uma briga feia com ameaça de agressão terminaram o casamento. “Um papel assinado não define nossa felicidade”.

Sem amor

Uma assistente administrativo de 26 anos contou que se casou aos 20 anos e a união durou cinco anos, quando descobriu que o amor tinha acabado.

“Ele era extrovertido, gostava de viajar. Mas depois mudou, ficou calado. Em seguida pediu o divórcio e disse que não me amava mais. Vi que lutava sozinha pelo casamento”.

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Terapeutas dizem que falta tolerância

William e Cristina Rezende contam que passaram por duas crises, que foram superadas com diálogo. Foto: Fábio VIcentini/AT

Especialistas afirmam ainda que a dificuldade de se colocar no lugar do outro e a ausência de diálogo levam à separação dos casais

Passada a empolgação da festa do casamento, presentes, fotografias e lua de mel, todo casal estabelece um tipo de rotina. E é aí, segundo especialistas, que podem surgir as frustrações e os problemas que levam à crise no casamento logo nos primeiros anos.

A falta de tolerância, de planejamento e a dificuldade de se colocar no lugar do outro são hoje os principais problemas apontados por psicólogos e terapeutas de casais para as grandes dificuldades na vida conjugal.

De acordo com o psicólogo e gestalt-terapeuta Enéas Lara sempre haverá conflitos em um relacionamento. “No entanto, a crise se instala mais cedo em função de um menor nível de tolerância para as diferenças. O empoderamento também contribui, na medida em que ambos os sexos são mais independentes, se autorregulam e, por isso, se submetem menos à expectativa do outro”, destaca.

O psicólogo especialista no tratamento das dificuldades do relacionamento amoroso Thiago Almeida, também destaca a falta de resiliência como fator agravante nas relações atuais.

“A tolerância entre as pessoas no mundo em que vivemos diminuiu. Ninguém atualmente quer levar desaforo pra casa, ninguém quer ser inferior ao outro, então as crises nos relacionamentos também mudaram”.

A falta de diálogo é um dos maiores fatores de brigas e de crises nos relacionamentos, avalia o psicólogo. “A intolerância, a falta de empatia, a descoberta de falta de paixão, falta de amor, as mídias sociais. Tudo contribui”, frisou.

Segundo a consultora de relacionamento do Match Group LatAm, Marina Simas, o que acontece hoje nos relacionamentos é que as pessoas estão mais individualistas, e por isso há uma dificuldade de se colocar no lugar do outro.

“Os casais estão querendo uma relação de ganha-ganha e isso prejudica o relacionamento. Pensam que perderam a liberdade e procuram terminar o relacionamento. Mas isso é um engano. Uma boa maneira de enfrentar a crise no casamento é perceber o outro e vê que está fazendo de bom para a relação”.

Segundo a psicóloga e sexóloga Gina Strozzi, sexualidade do casal é um termômetro para a saúde do relacionamento. “E quando as coisas não vão bem, a intimidade é um dos campos mais afetados. Dificuldades na área sexual e de comunicação são alguns dos possíveis fatores de crise.”

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O segredo é continuar namorando

Viver a dois não é fácil, mas o segredo está no companheirismo. Mesmo depois do casamento, o casal deve continuar namorando, é o que garantem a artista plástica Cristina Rezende, 52, e o bancário William Rezende, 54.

Eles contam que passaram por duas crises no casamento. Chegaram a procurar advogado para se separar, mas resolveram dar uma chance para o amor e para a história deles. No entanto, garantem que a mudança de comportamento no relacionamento foi fundamental para a superação.

A primeira crise, Cristina revela que foi com apenas um ano de casamento. O que eles achavam que tinham superado voltou à tona anos depois, na segunda crise conjugal, aos 14 anos de união.

“No primeiro ano a gente teve um conflito, mas logo veio o primeiro filho e achamos que tínhamos superados. Mas, quando tínhamos 14 anos de casamento veio a segunda crise, e o que não tinha sido resolvido no primeiro ano voltou com força”, contou Cristina.

“A gente chegou a procurar um advogado, já estávamos montando o processo. Mas tudo mudou de vez e resolvemos nos dar uma chance para o nosso relacionamento”, contou a artista plástica.

Conselheiros

O casal revela que não foi fácil superar uma crise tão grande, mas o desejo dos dois de ficar juntos e tentar foi muito importante. Hoje os dois são conselheiros de casais e, com sua história, que já virou até capitulo de livro, ajudam outros relacionamentos e a outros casais a se manterem juntos.

“Percebo que cada vez mais vemos casais novos na união já com crise. Já chegamos a receber um casal com apenas três meses de casamento querendo se separar. Eles passaram o ano todo programando o casamento e depois da festa viram que não tinham mais nada em comum”, contou.

Com sua experiência de 28 anos de casamento, Cristina conta que está faltando coisas simples no dia a dia do casal, coisas que eles contam que também esqueceram e os levaram à crise.

“Faltam pequenas coisas que podem minar o relacionamento: o jeito de falar com carinho, de sair para tomar um sorvete, de pegar na mão para passear, por exemplo. Os casais se esquecem de continuar namorando”.

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Intimidade

A intimidade é vital para a construção das relações amorosas. É importante trabalhar a intimidade em si mesmo para então buscar a intimidade no outro dentro do relacionamento.

Conquista

A conquista tem que ser permanente dentro do relacionamento, similar ao molhar diariamente a plantinha para que ela possa estar sempre florida. No entanto, água de menos mata, água demais afoga, a dosagem equilibrada é o ideal.

Não idealize

A frustração vem com as expectativas. Não idealize o companheiro porque, assim, fica-se à espera de algo que não vem. O outro também, além de não saber sobre o que se espera, não tem a obrigação de suprir essas expectativas.

Diversão juntos

É preciso tempo de qualidade com o marido ou a mulher. Fazer programas românticos, como ir ao cinema, voltar a namorar, a curtir a relação a dois. Dessa forma, além do romantismo, criam-se laços de cumplicidade entre o casal.

Seja compreensivo

Para melhorar a comunicação com o marido ou a mulher é necessário, antes de tudo, reconhecer que o outro pensa e age diferente. Esteja aberto para compreender o posicionamento do outro e entenda que não é vergonha ceder em algumas decisões.

Mantenha o respeito

O respeito deve ser a tônica da relação, mais até do que o amor. Respeitar as diferenças, singularidades e autonomia situam o casal numa realidade e não a uma fantasia de que o casamento é um conto de fadas. Não fale dos defeitos do parceiro, nem faça piadas. O respeito é fundamental para o sucesso no casamento.

Fonte: Especialistas consultados.

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Escolha pela família

Foto: Kadidja Fernandes/AT

A crise na relação do representante comercial Odair Gomes, 44, e a servidora pública Sandra Almeida, 46, chegou aos 11 anos de casamento. Eles contam que Odair chegou a sair de casa e decidiu ir para outra relação. Mas a vontade de continuar com a família e o amor que sentiam um pelo outro ajudaram a superar as mágoas e a fazer uma escolha pela família.

“Hoje, com 20 anos de casados, e 24 anos de relacionamento, superamos a crise. Não foi fácil, fiz terapia, ela me perdoou a traição e escolhi pela família. Somos mais fortes. A nossa relação é mais madura”, ressaltou Odair.

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Reportagem especial de Lorrany Martins para o jornal A Tribuna do dia 10/09/2017

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