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Desemprego e o próximo embarque

Não há analogia melhor para representar o mercado de trabalho que do a dinâmica de uma estação de passageiros. Normalmente, há pessoas embarcando ...

Última atualização

Não há analogia melhor para representar o mercado de trabalho que do a dinâmica de uma estação de passageiros. Normalmente, há pessoas embarcando (trabalhadores sendo admitidos) e desembarcando (demitidos).

Em épocas de crescimento econômico há uma maior rotatividade, ou seja, quem sai do embarque (demissão) consegue ser admitido de forma mais rápida. Por outro lado, em épocas de fraca atividade econômica, aqueles que desembarcam (demitidos) têm mais dificuldades encontrar uma nova recolocação.

Diante dessa analogia, pode-se dizer que o atual panorama do mercado de trabalho está melhor representado pelo segundo caso descrito. A economia brasileira cresceu abaixo da média mundial nos últimos anos e, apesar da ligeira melhora de 0,2% em relação ao último trimestre, a taxa atual de desemprego no Brasil ainda é a maior (12,8%) registrada para o trimestre. São 13,3 milhões de desempregados.

No Espírito Santo, o dado mais recente mostra uma taxa próxima da média brasileira, ocupando a 13° posição entre os estados com maiores taxas de desemprego. O cenário é mais preocupante, principalmente por dois motivos: aumento da informalidade e acessibilidade dos jovens, que normalmente têm mais dificuldade de acessar o mercado de trabalho. Aqui no ES, um terço (30,2%) dessa força de trabalho está desempregada. Do ponto de vista social, esse dado é alarmante, pois há estudos relacionando desemprego de jovens e violência.

Apesar desse cenário severo, as projeções econômicas para os próximos anos são positivas, principalmente pela tendência de queda da taxa de juros e pela manutenção do controle da inflação. Esses fatores, somados a uma maior estabilidade institucional e jurídica, trazem maior viabilidade econômica aos investimentos produtivos, reduzem a incerteza das empresas quanto à instalação de novas plantas, dentre outros fatores benéficos à criação de emprego.

Além disso, ainda existem duas pautas importantes a serem discutidas. A primeira é a reforma trabalhista atual, aprovada com intuito de dar maior flexibilização nas relações entre empregador e empregado. A expectativa é que ela traga como consequência, a médio prazo, um aumento do número de empregos formais na economia. Com mais facilidade para contratar, as empresas terão menores custos e burocracia para desengavetar seus projetos de investimentos de médio e longo prazo.

A segunda pauta, talvez mais importante a longo prazo, é a qualificação da força de trabalho. Estudos indicam que a produtividade da mão de obra brasileira ainda é muito baixa em relação a países com o mesmo nível de desenvolvimento econômico. Já há em vigor alguns programas para a melhoria da qualificação, porém é necessário maior redimensionamento dessas políticas essenciais, que devem entender as vocações econômicas de cada arranjo produtivo local, e observar as tendências de mercado para que a qualificação esteja em sintonia com as demandas exigidas no futuro.

Dessa forma, a discussão do mercado de trabalho passa por um alinhamento das ações do poder público e da iniciativa privada, no sentido de se criar um ambiente propício ao crescimento e desenvolvimento econômico capaz de promover criação efetiva de empregos e, consequentemente, diminua o tempo de espera do passageiro para o próximo embarque.

Rudisom Rodrigues é conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES)

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