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Suicídio pós aborto

por: Paulo Batistuta Novaes "Para a gestante que engravidou sem planejamento a vida muda, quer ela tenha o bebê ou não" Setembro é dedicado à ...

Última atualização

por: Paulo Batistuta Novaes

 

“Para a gestante que engravidou sem planejamento a vida muda, quer ela tenha o bebê ou não”

Setembro é dedicado à prevenção do suicídio, cuja ocorrência é preocupante. Ele ocorre na tentativa da pessoa aliviar sua dor, buscando uma alternativa para deixar de sofrer. É um pedido de socorro. Daí a necessidade de se abordar o tema aborto, pois muitos desconhecem sua relação com o autoextermínio.
Países desenvolvidos patrocinam o aborto, porém este é a causa de muitos casos de suicídio. Num estudo populacional da Finlândia (que tem alarmantes índices de suicídio) quem optou por abortar teve maior taxa de suicídio comparando-se com a população em geral, com as mulheres que tiveram aborto espontâneo e com as mulheres que tiveram filhos. Aliás, menos suicídios ocorreram neste último grupo, indicando que ter filhos oferece proteção à vida.
Abortar gera estresse pós-traumático de difícil superação. Este estresse é multifacetado, manifestando-se como culpa, ansiedade, desespero, depressão, distúrbios do sono, alimentares e sexuais, adicção de álcool e drogas, psicose reativa, comportamentos autopunitivos, interrupção de laços afetivos e comportamento suicida. Em comum, os estudos científicos apontam a culpa como um sentimento recorrente.
No adoecimento pela culpa, conforme Joana de Ângelis, o sujeito tem a sensação de estar errado e escamoteando a verdade, crendo que será repreendido ou desmascarado. Assim, teme cair em descrédito ou ser alvo de zombaria, fugindo dos relacionamentos. Mal humorado, arma-se contra a família e o grupo social, desenvolvendo autocompaixão, autopunição e autodestruição.
Para Joana de Ângelis, a vergonha também relaciona-se ao aborto, decorrência de comportamentos considerados sujos e inferiores e que levam o indivíduo à autodepreciação e autopunição. Assim, prossegue a vida ocultando seu conflito culposo, tornando-se atormentado e buscando em vão alegria e prazer. Com o tempo, surge o medo de amar, medo da rejeição e castração, que geram raiva, tristeza e tensões corporais. Aos poucos, as forças de resistência do ego são solapadas, causando uma “morte do espírito”, do ideal de viver e das motivações existenciais. Sentem-se incapazes de amar, atormentadas pelo ódio e muitas não resistem, colapsando. Frequentemente a evolução é lenta e insidiosa, manifestando-se muito tempo depois, talvez no climatério!
No países nórdicos, como a Finlândia, apenas 10% da população participa de serviços religiosos. Logo, a culpa não é de ordem religiosa, mas decorre da rotura de um determinismo biológico, ou seja, parir depois de engravidar. Mas, apesar de interromper a gestação até um limite absurdo de 22 semanas, os nórdicos não oferecem apoio psicoterápico nem psiquiátrico a estas mulheres: apenas abandonam-nas.
Para a gestante que engravidou sem planejamento a vida muda, perde sua inocência, quer ela tenha o bebê ou não. Em ambas as situações haverá dificuldades. O mais importante é apoiar amplamente essas grávidas, refletindo que defender a vida é defender a saúde das mulheres.

Paulo Batistuta Novaes é médico ginecologista/obstetra e diretor da Associação Médico-Espírita do Espírito Santo

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected].

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