
Alvo de uma investigação por uso de diploma falso pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu), o professor Wemerson Nogueira, que chegou a ser finalista do Global Teacher Prize, considerado o Prêmio Nobel da Educação, vai apresentar na Coreia do Sul um projeto sustentável feito no Norte do Estado.
O projeto, que consiste na instalação de filtros em residências – principalmente naquelas com moradores afetados pela lama da tragédia de Mariana (MG) no Rio Doce, provocada pelo rompimento da barragem de rejeitos de minério –, será apresentado a convite da Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura (Unesco), agência especializada ligada à ONU.
Cada filtro custa R$ 26 e a iniciativa já atende 16.380 pessoas com 4.718 unidades, segundo Nogueira. O projeto é custeado pela Varkey Foundation, uma organização filantrópica, e começou a ser pensada na sala de aula, quando Wemerson lecionava na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Antônio dos Santos Neves, de Boa Esperança, no Norte do Estado.
A água da beira do rio, imprópria para uso, é filtrada por camadas de areia e compartimentos de pedra presentes no filtro, com ajuda de micropartículas de ferro. Após este processo, a água fica transparente e própria para uso. Moradores de Linhares, Baixo Gandu e quatro municípios mineiros – incluindo Mariana – já usam o filtro.
Wemerson chega à Coreia do Sul nesse domingo (3) para participar do Encontro Internacional da Educação para a Cidadania Global Moldar um Futuro Pacífico e Sustentável. A ideia do professor é expandir o projeto para moradores de outras nações integrantes da ONU após a apresentação.
“Quando estive em Dubai, tive contato com lideranças da Unesco e da ONU e apresentei o projeto do Rio Doce para todos os ministros e chefes de estados de diversos países. Houve muito questionamento pelo fato de termos usado uma tragédia ambiental para ensinar Química e Ciências e, ao mesmo tempo, ajudar famílias que estavam sofrendo”, disse o professor, que embarcou no aeroporto de Vitória na noite dessa sexta-feira (1º).
Wemerson está afastado das salas de aula, para onde pretende voltar no final do ano que vem. Enquanto se dedica a viagens para divulgar seu projeto, voltou a ser aluno, buscando um diploma válido, agora de Ciências Biológicas.
“Certo da minha inocência”
A Sedu informou que o processo que corre internamente contra o professor Wemerson Nogueira no órgão continua em andamento.
Ele é alvo de uma denúncia por suspeita de apresentar diploma de licenciatura falso em um processo seletivo de designação temporária da secretaria.
A suspeita é de que o professor tenha apresentado uma documentação falsa na comprovação de uma licenciatura em Química pela Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), curso credenciado pelo Ministério da Educação (MEC).
Questionado pela reportagem, Wemerson disse que a investigação “está na reta final” e contou que já foi ouvido, bem como suas testemunhas.
“Minhas provas também já foram acolhidas. A Sedu, em momento algum, me culpa. Meus advogados têm trabalhado na minha defesa e a expectativa que tenho, logicamente, é da certeza da minha inocência. Acredito na competência do corregedor responsável pelo meu caso”, falou.
Vale lembrar que, neste ano, o professor chegou a ser nomeado embaixador da Educação pelo Ministério da Educação e, em 2014, Wemerson Nogueira ganhou o prêmio Sedu Boas Práticas pela inovação em sala de aula.
Reportagem: Lucas Rezende