“Eu vou te matar, sua filha da p… Você não me atende por quê? Você tá onde?”. Foi essa uma das ameaças que a médica Milena Gottardi Tonini Frasson, 38 anos, ouviu em uma das mensagens de áudio no seu celular, enviadas pelo marido, o policial civil Hilário Antonio Fiorot Frasson, 44, enquanto estava numa festa de aniversário.
E não foi a única vez, segundo as investigações da polícia, que Milena se viu em meio a uma trama de pressão e medo antes de ser executada com dois tiros na cabeça e um na perna, no último dia 14, enquanto saía do trabalho, no Hospital das Clínicas, em Vitória.
Em outra ocasião, o policial civil ligou para um familiar de Milena e falou “que estava revoltado com a
separação” e “que isso não ficaria assim”. Na sequência, ainda no telefonema, Hilário disse que “iria
encontrá-la onde ela estivesse”.
As ameaças seguiram. A uma amiga e familiar, Milena confidenciou que sentia-se refém dentro da
própria casa, perseguida e vigiada a ponto de desconfiar que Hilário teria instalado câmeras de videomonitoramento na residência do casal, além de ter certeza que o marido monitorava suas conversas no celular.
Essas informações foram fornecidas por testemunhas, em depoimento à Polícia Civil e obtidas pela
reportagem de A Tribuna.
Hilário está preso no 19ºDistrito Policial de Novo México, em Vila Velha, desde a tarde do último dia 21, acusado de ser um dos mandantes da execução de Milena.
As investigações também contam com o termo de declaração de uma investigadora da Polícia Civil,
que se formou com Hilário.
Nele, a policial diz que “por volta de junho ou julho deste ano, recebeu uma mensagem, via WhatsApp, de Hilário Frasson, com os dizeres mais ou menos no seguinte sentido: ‘Esta mulher não sabe o que a espera’”. Depois, segundo a investigadora, Hilário enviou outra mensagem, “dizendo que havia mandado errado”.
Outro parente de Milena, muito próximo, disse que “Hilário passou a fazer ameaças a familiares, dizendo que conhecia pessoas importantes e tinha influência no Tribunal de Justiça, o que o levaria a conseguir a guarda das duas filhas e vantagens na ação de divórcio”.
Investigação
Na Delegacia Especializada de Homicídio Contra a Mulher, Hilário Frasson se recusou a responder perguntas feitas pela polícia e disse que só falaria depois que seus advogados tivessem pleno acesso aos autos.
Abaixo, veja algumas perguntas não respondidas:
1 – Durante o período em que permaneceu casado com a vítima Milena, a ameaçava?
2 – Já submeteu sua filha a castigos físicos?
3- Já agrediu Milena?
4- Já agrediu algumas de suas filhas?
5 – Você sabia pelos motivos quais Milena queria se separar?
6 – Seu pai aceitava sua separação?
7- Após o início da separação, você passou a perseguir a vítima, por meios eletrônicos ou em seu trabalho?
8 – Houve separação amigável com Milena?
9- Você possibilitou a saída amigável de Milena e a consequente separação de corpos?
10 – Você conversava com Valcir da Silva Dias (acusado de ser intermediário) por meio de telefone?
11 – Você pediu para Valcir da Silva Dias assassinar Milena?
12 – Valcir da Silva Dias indicou Dionathas Alves Vieira (acusado de ser o atirador) para executar Milena?
13 – Você encontrou-se com Dionathas para indicar o veículo usado pela vítima?
14 – Você ofereceu a quantia de R$ 2 mil a Dionathas para execução?
15 – Você conhece Hermenegildo Palauro Filho (acusado de ser intermediário) ?
16 – As tratativas se iniciaram há cerca de dois meses?
17 – No dia 16 de setembro, cerca de 14 horas após a morte de Milena, pesquisou no seu celular conteúdo
pornográfico?
Reportagem de Francine Spinassé, Hemerson Costa e Lucas Rezende para o jornal A Tribuna.
