
A decisão da Libertadores entre Grêmio e Lanús, que começa quarta-feira em Porto Alegre (RS), terá uma preocupante estatística para o futebol brasileiro: nos 13 confrontos contra argentinos na final da competição, em nove conquistas o grito de campeão foi dos nossos vizinhos.
Ex-goleiro do São Paulo, Zetti, de 52 anos, disputou três decisões consecutivas da Libertadores. Foi bicampeão em 1992 e 1993, sendo o primeiro título diante do Newell’s Old Boys/ARG.
Em 1994 o tetracampeão mundial com a Seleção Brasileira perdeu a final no duelo entre o tricolor paulista e o Vélez Sarsfield.

Ele projeta o que o Grêmio – que luta pelo tri da Libertadores – deve enfrentar pela frente, já que o jogo da volta será na Argentina.
“Passei por situações inusitadas, desde colocar produto muito forte no banheiro do vestiário, como creolina. Rojão nem se fala. Eles colocam caixa de som virada para o vidro do vestiário e a gente não conseguia ouvir o que o técnico falava. A pressão psicológica é enorme”.

“Nós, brasileiros, na Libertadores, éramos considerados times pequenos. Ou seja, bola no traseiro de time pequeno é pênalti. O árbitro marcava qualquer coisa contra, a gente sofria na mão dos árbitros, sem querer tirar os méritos argentinos”, afirmou o tricampeão com a Seleção Brasileira em 1970.
Sob o comando de Renato Gaúcho, o ex-zagueiro Luiz Alberto, de 39 anos, foi vice da Libertadores pelo Fluminense em 2008. Na semifinal, enfrentou o Boca Juniors, clube que ele defendeu em 2010.
“Alimentação, sono dos jogadores. Tem que ficar de olho porque não vão deixar os jogadores do Grêmio dormirem”.
Histórias de terror em jogo
Depois de viver experiências diferentes em três finais de Libertadores, sendo duas contra equipes argentinas (1992 e 1994), o ex-goleiro Zetti revelou histórias de terror que passou em campo.
Quando atuava pelo Santos, viveu uma das partidas mais emblemáticas do futebol sul-americano.

“Eu fiz uma final da Copa Conmebol pelo Santos, contra o Rosário Central (da Argentina) e achei que ninguém ia sair com vida”, afirmou.
E a frase de Zetti não é exagerada. O confronto foi considerado uma batalha sangrenta pela imprensa internacional.
O jogo em questão teve confusão em campo, briga entre torcidas, e a chegada ao estádio Gigante de Arroyito, em Rosário, já foi violenta.
Mesmo com barreiras feitas por policiais, a invasão dos torcedores do time da cidade fez com que o elenco santista tivesse que correr para onde desse.
“O jogo atrasou 1h20. O técnico era o Emerson Leão, tínhamos vencido o primeiro jogo por 1 a 0 e o empate sem gols era nosso. O jogo terminou em 0 a 0 e você imagina como foi essa guerra! Foi o jogo mais tenso da minha vida. Tudo podia acontecer. Mas, dentro de campo fizemos a diferença”.
No estádio, 46 mil pessoas assistiram à partida. O técnico do Rosário Central era Edgardo Bauza, que acabou sendo treinador do São Paulo no ano passado.
“O Grêmio tem que decidir o jogo em casa, o primeiro, contra o Lanús. Vai sofrer pressão, vai ter problema, deve sofrer pressão psicológica”, garante Zetti.

“Tem que ficar muito ligado na final”
Análise de Luiz Alberto, ex-zagueiro do Flu e do Boca Juniors, vice-campeão da Libertadores em 2008
O Grêmio está muito forte. É uma equipe com poder ofensivo. Em Libertadores, numa final como essa, são situações diferentes para os dois lados. O Lanús foi um time que, na semifinal, reverteu o resultado contra o River Plate (perdia por 2 a 0 e virou para 4 a 2), que tem uma tradição enorme na Argentina.
No papel, pode deixar o título para o Grêmio. Mas o Lanús é um time muito certinho, e o Renato (Gaúcho) observou isso daí. Se os caras fizerem na final aquilo que fizeram contra o River Plate, vai ser complicado.
Tem que ser visto tudo até na véspera de jogo, até o suco que vai beber. Não quer dizer que alguém vá fazer alguma coisa, mas com essas coisas tem que ficar esperto. Nunca se sabe o que eles serão capazes de fazer. Se os jogadores passarem mal no dia do jogo. E aí? Se fosse jogo preliminar já teria isso, agora imagina uma decisão? Tem que ficar muito ligado na final.
Reportagem de Acácio Rodrigues