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Jeito de Mãe

Eu, meu filho, a internet e o tempo

Semana passada viralizou nas mídias sociais a campanha “Conecte-se ao que importa”, criada pela Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas (AAHC), ...

Última atualização

Semana passada viralizou nas mídias sociais a campanha “Conecte-se ao que importa”, criada pela Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas (AAHC), de Curitiba (PR), por meio do Programa Dedica (Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente), da própria ONG. Recebi as imagens impactantes, porém reais e corriqueiras, em vários grupos do WhatsApp e também vi muitas pessoas postando em suas contas do Facebook e Instagram.

 

Mas o que realmente a campanha pretende? Nada mais, nada menos do que conscientizar pais e cuidadores sobre a importância de tentar diminuir o tempo de uso de aparelhos eletrônicos e a permanência na internet. E para mim, em particular, serviu como mais um sacode para algo que já venho me policiando muito.

 

No meu caso é bem complicado, pois trabalho com isso, vivo desse meio e gosto, gosto muito, devo admitir. Mas não é impossível, não posso deixar ser! E sei que se eu não me vigiar, entre um cliente e outro, um trabalho e outro, somados aos momentos de lazer, o dia passa e estou eu com o celular na mão 24 horas sem nem perceber. Mas é preciso parar! Dizer basta! Saber dividir o tempo e dar atenção ao mundo real também se faz necessário. E é essa a mensagem principal da campanha, precisamos nos conectar a quem importa de verdade, nossos filhos, nossa família. E infelizmente esta não é uma realidade só minha, por isso a importância de massificar e debater o assunto.

 

Outro ponto importante a ser abordado é a utilização destas ferramentas como verdadeiras “babás”. É isso mesmo! Quem nunca deixou o filho com o tablet na mão por horas pra fazer o jantar, dar um jeito na casa ou ainda resolver um problema profissional que atire a primeira pedra. Eu já fiz isso várias vezes, não me orgulho. E na maioria delas, por pura falta de opção, como outras mães que também precisam se virar nos 30 pra darem conta de tudo. Mas eu repito, isso não é desculpa, precisamos de outra solução.

 

Quem também vive esse dilema da vida moderna e tem refletido muito sobre o assunto é a Elaine Sperandio Martins, mãe do Gabriel, de 3 anos. Ela é formada em Ciências da Computação e em Direito e está concluindo uma pós-graduação em Direito Digital e Compliance, tema muito propício para embasar o tema da coluna de hoje.

 

Conversamos sobre educação digital como um todo e ela me disse acreditar que os pais precisam ser “educados” digitalmente, exatamente pra aprenderem a lidar com esta nova realidade do mundo. “Precisamos passar mais tempo com nossos filhos, curtir, dar atenção, saber o que estão fazendo, conversar ou insistir no diálogo, mesmo quando eles não quiserem. Pais novos como nós estão deixando os filhos muito tempo na internet com a desculpa de que precisam fazer almoço, terminar um trabalho e por aí vai. Digo isso porque eu mesma já fiz e hoje estou buscando me educar, me policiar porque meu filho está crescendo rápido demais e preciso realmente estar presente”, explicou.

 

Na verdade, são muitas questões envolvidas nesse tema tão abrangente. A campanha aborda principalmente o fato de gastarmos mais tempo na internet do que com os filhos e as consequências desses atos. Mas não para por aí. Como falei acima, também existe a necessidade de usarmos os meios tecnológicos como apoio, ajuda ou válvula de escape. Nesse caso, nós deixamos os filhos conectados para fazermos outras coisas.

 

E ainda tem outro ponto a ser discutido, a fiscalização e o monitoramento do conteúdo acessado pelas crianças e adolescentes e os perigos encontrados na rede, assunto tão rico, importante e urgente, que vai render uma coluna exclusiva sobre ele, aguardem.

 

Mas pra finalizar por hoje, fica o convite para juntos refletirmos sobre esse tema e adotarmos medidas reais. Por aqui coloquei a seguinte meta inicial. Pela manhã, que é quando as crianças estão em casa, eu olho o celular ao acordar e resolvo o que for preciso. Depois deixo no escritório ou longe das minhas mãos (tratamento de choque mesmo) e de tempos em tempos vou lá verificar as demandas, e-mails e resolver o que realmente for urgente, o restante fica pra parte da tarde, quando eles forem pra escola.

 

Claro que não é simples e tranquilo assim como pode aparecer. Tem dias que só estamos no mesmo ambiente, como costumo dizer. Eu estou trabalhando e eles brincando, aprontando ou usando tablets e vendo TV. Complicado, mas inevitável! Esta é a minha realidade, então só me resta tentar adaptá-la da melhor maneira possível. O que tento fazer neste caso é não deixá-los mais de 1 hora direto conectados. Quando vejo que já estão há muito tempo, paro o que estou fazendo e proponho outra atividade como pintar, ler um livro e brincar de verdade. Não é fácil e nem sempre consigo, mas sigo tentando por aqui. E você, o que tem feito em relação a isso? Até a próxima!

 

Imagens da campanha “Conecte-se ao que importa” que viralizaram na internet.

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