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Cara de paisagem no Convento

Vista geral do Convento da Penha, em Vila Velha. Foto: Arquivo/AT (*) Luiz Trevisan Em dias de feriadão, festa ou não, vale tudo para chegar ao mais ...

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Vista geral do Convento da Penha, em Vila Velha. Foto: Arquivo/AT

(*) Luiz Trevisan

Em dias de feriadão, festa ou não, vale tudo para chegar ao mais conhecido patrimônio religioso, histórico e turístico do Estado, o Convento da Penha: a pé, de barco, de carro, em caravanas. Porém alcançar o topo do penhasco, orar na secular capela e poder contemplar plenamente a bela vista não é para todos, pois ainda se faz cara de paisagem para a acessibilidade local. A romaria dos portadores de deficiência, uma das novidades da programação festiva deste ano, teve que parar na área do Campinho devido a pouca acessibilidade até o ponto mais alto.

Vivemos um período onde a tecnologia disponível facilita tudo. Só para lembrar e comparar, o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, igualmente patrimônio histórico, possui rampas, elevador e escada rolante. “Lá e cá, são patrimônios tombados e essa condição não pode impedir possíveis melhorias”, opina o ex-vereador canela-verde Joel Rangel, católico e assíduo nas subidas ao Convento.

A colunista Mariana Reis, de A Tribuna, consultora em acessibilidade e educadora física, relata que “faltam vontade política, força e informação”. E destaca que há alguns anos esteve num debate com o Iphan sobre o projeto de acessibilidade do Convento. “Foi esperançoso, mas acho que o movimento e participação não foram fortes o suficiente”, frisa.

Portanto, já faz um bom tempo nesse nadar, nadar e morrer na Prainha de Vila Velha. A própria Mariana Reis observa que não é uma questão apenas de colocar rampas para usuários de cadeiras de roda. Ela aponta as pessoas idosas, obesas, portadores de deficiência visual, surdos ou com limitação intelectual. Certamente, em sua maioria, são devotos de Nossa Senhora da Penha.

Vale observar ainda que, volta e meia, nas campanhas eleitorais surgem candidatos inserindo em suas plataformas a luta por uma melhor acessibilidade ao alto do Convento. Entre os eleitos, o ruidoso silêncio posterior é justificado pelo “medo de perder votos dos evangélicos”. Já entre as lideranças religiosas do Convento, a justificativa para a limitação da acessibilidade é o receio do impacto das obras necessárias, numa estrutura muito antiga e restrita, e o alto valor de um investimento de tal porte. Qualquer obra física ali corre um risco que precisa ser bem calculado.

Nada, porém, que impeça uma maior discussão sobre o tema, desde que envolva a bancada católica, que ainda parece não levar fé no avanço dessa acessibilidade. E segue fazendo cara de paisagem. Quanto aos altos custos, fica difícil acreditar que não existam empresas interessadas em um investimento dessa envergadura, na visibilidade, no resultado social e na mídia espontânea a conquistar com essa parceria.  Volta e meia, algum parlamentar ou burocrata oficial tira da gaveta o projeto de um teleférico ligando o Convento ao Morro do Moreno. Mas não decola e, pelo visto, não subirá tão cedo. Já foi rechaçado pelos guardiões do Convento que alegam: “Trânsito de gente estranha ao ambiente religioso, impactos ambientais e barulho”.

Procede, em parte, mas também em relação a esse empreendimento de alto potencial turístico existem alternativas que bem avaliadas poderiam prosperar. Quando nada, iria gerar uma renda para o Convento não ficar dependendo de campanhas de doações para bancar despesas ou convênios com o governo estadual para pagar a iluminação. Enfim, há condições e ações que não dependem de milagre da santa padroeira.

 

(*) Luiz Trevisan é jornalista.

 

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