
O ministro da Justiça Torquato Jardim faz um diagnóstico assustador do setor de segurança pública no Rio de Janeiro. Para o ministro, o governador fluminense, Luiz Fernando Pezão, e o secretário Estadual de Segurança, Roberto Sá, não controlam a Polícia Militar do Estado. Segundo Jardim, o comando da PM é estabelecido por acerto com deputado estadual e o crime organizado.
A declaração de Torquato Jardim veio após uma visita ao Estado e um encontro com o governador e o secretário, em Rio Branco, capital do Acre, na sexta-feira (27).
O ministro se declarou convencido que o tenente-coronel Luiz Gustavo Teixeira, comandante do 3º Batalhão da PM Carioca, foi assassinado no início do mês. A teoria da polícia é que ele foi vítima de um assalto.
“Esse coronel que foi executado ninguém me convence que não foi acerto de contas. Ninguém assalta dando dezenas de tiros em cima de um coronel à paisana, num carro descaracterizado”, afirmou.

Para o ministro, a criminalidade no Rio de Janeiro está sob um novo comando, sendo assumido hoje pela milícia. “Os principais chefões do tráfico estão trancafiados em presídios federais. E o crime organizado deixou de ser vertical. Passou a ser horizontal, muito mais difícil de controlar”, disse.
Em outro depoimento mais duro, Torquato Jardim afirma que o futuro do Rio de Janeiro só deve melhorar a partir de 2019, “com outro presidente e outro governador”. “Com o atual governo do Rio não será possível”, disse.
“Nós já tivemos conversas —ora eu sozinho, ora com o Raul Jungmann [ministro da Defesa] e o Sérgio Etchegoyen [chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência]—, conversas duríssimas com o secretário de Segurança do Estado e com o governador. Não tem comando”, afirmou.
Weslei Radavelli, com informações de agências