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O livro, o professor e a educação

por: Salvador Bonomo "O livro, o professor e a educação se entrelaçam simbioticamente" Já escrevi alhures que sempre fui, sou e sempre serei ...

Última atualização

por: Salvador Bonomo

“O livro, o professor e a educação se entrelaçam simbioticamente”

Já escrevi alhures que sempre fui, sou e sempre serei apaixonado pela Educação, pois ela, se universal e qualitativa, tem o condão de transformar a realidade, em razão do que – até para errar menos – cursei Direito e, depois, Letras. Aliás, para bem ilustrar, invoco dicção do nosso saudoso Monteiro Lobato: “Um Pais se constrói com homens e livros”.
Segundo certo registro histórico, a escrita surgiu por volta de 5.500 a.C, sucessivamente em tábuas de argila e/ou de pedra, em cilindro de papiro, em pergaminho e, por fim, em livro, cujo primeiro exemplar, escrito em Latim, foi a Bíblia, que data de 1455, graças à ímpar genialidade de Johannes Gutenberg, cuja inusitada importância pode ser extraída dos belos e pertinentes versos do saudoso poeta baiano Antônio de Castro Alves: “Oh! Bendito o que semeia Livros à mão cheia E manda o povo pensar! O livro, caindo n’alma É germe – que faz a palma (êxito), É chuva – que faz o mar” (abundância).
De igual modo, sobre a incontestável importância dos professores, ouso invocar assertiva de José Ribamar Muniz Feitosa, cujo inteiro teor restou vazado nestes ilustrativos termos: “Com um pé no chão e o outro nas estrelas, os professores podem levar seus alunos a todos os lugares”.
O livro, o professor e a educação se entrelaçam simbioticamente de tal maneira que, individual ou isoladamente se, perdem conteúdo, pois formam conjunto harmônico, de importância ímpar, tanto para o indivíduo como para a sociedade, porém de valorações demasiadamente díspares, pois, enquanto a educação e os livros são valorizados, os professores são sistematicamente desprestigiados, como bem o dissera Jô Soares, “O material escolar mais barato que existe na praça é o professor”.
Parece-me não pairar qualquer dúvida de que a educação é portadora de extraordinária importância, para cuja comprovação cabal, transcrevo milenar dicção do matemático e filósofo grego, Pitágoras (570-495 a.C.), sintetizada nestes inquestionáveis termos: “Eduquemos as crianças de hoje para não termos que punir os adultos de amanhã”, bem como no bicentenário discurso do saudoso poeta e dramaturgo francês, Victor Hugo (1802-1885): “Abrir escolas é fechar cadeias”.
A meu entender, os professores, culturalmente, se situam entre educação e livros, pelo que pode ser aplicada ao conjunto – livro, professor e educação – a vetusta e famosa Teoria Cristã do Bem Superior, que foi idealizada em 1645 pelo jesuíta Hermann Busembaum, que, assim, resultou vazada em Latim: Cui finis est licitus, etiam media sunt licita [Quando o fim é lícito (bom), lícitos (bons) também são os meios].
Concluindo, relevo que absolutamente nada há que justifique a conduta, sobretudo, dos governos, que traduz injusto tratamento de “dois pesos e duas medidas”, pois encarta valorização (leia-se: industrialização!) da educação e do livro e, contraditoriamente, desprestígio dos professores, que, em razão da permanente má remuneração, não têm condições de comprarem jornais diários, revistas semanais e, muito menos, livros técnicos para, acompanhando os dinâmicos fatos diuturnos, poderem atualizar seus conhecimentos indispensáveis para a consequente transmissão aos respectivos alunos.

Salvador Bonomo é ex-deputado estadual e promotor de Justiça inativo

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected].

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