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Ciberviolência: estamos em rede

por: Daniella Figueiredo "A misoginia, a homofobia e a violência contra as mulheres no “mundo real” se mudaram para o ciberespaço" Alarmantes são os ...

Última atualização

por: Daniella Figueiredo

“A misoginia, a homofobia e a violência contra as mulheres no “mundo real” se mudaram para o ciberespaço”

Alarmantes são os dados disponíveis sobre como a violência contra as mulheres está tomando novas formas e dimensões no ciberespaço, graças ao uso de novas tecnologias, se convertendo em um problema global com sérias consequências sociais e econômicas.
A ciberviolência se manifesta de muitas e diversas maneiras e, como as novas tecnologias, evolui com rapidez. As formas mais comuns são os discursos de ódio, os insultos e a linguagem sexista em chats, blogs, e-mails e redes sociais.
A publicação e a distribuição, sem consentimento, de fotos íntimas ou vídeos por aqueles que têm ou já tiveram relacionamentos afetivos com a mulher, ou, ainda, de material raqueado da rede, são o lado mais obscuro do ciberassédio.
Esse tipo de violência provoca consequências devastadoras, como a perda do emprego e o isolamento social e se agrava quando culmina em chantagem para obter favores sexuais, produção de pornografia ou vantagem econômica.
O uso das novas tecnologias também agrava os casos mais tradicionais de violência doméstica e familiar e, em alguns casos, contribui para atrasar a reabilitação de suas vítimas.
Em relato, a maioria das mulheres que já sofreram algum tipo de violência afirma que os agressores utilizaram tecnologias, como as de mensagens instantâneas, para atormentar, ameaçar ou controlar as suas vítimas.
Nesse sentido, merece destaque o crescente uso de aplicativos de espionagem, como câmeras ocultas, spyware, keyloggers ou os localizadores de celulares para vigiar, controlar e localizar as mulheres que são ou foram vítimas de violência.
Uma das consequências mais sutis e preocupantes desse tipo de agressão é silêncio progressivo das mulheres e a marginalização na internet, entendida como um novo espaço público fundamental para o desenvolvimento e integração social.
Não obstante, alguns sinais encorajadores apontam que também a internet e as novas tecnologias podem ser uma arma poderosa na luta contra a violência de gênero em geral.
Nos últimos anos surgiu uma infinidade de aplicativos móveis e sítios na internet com informações especializada sobre redes de proteção.
Movimentos sociais, normalmente liderados por mulheres jovens, também se organizam através da web com a finalidade de proteger, educar, difundir testemunhos e experiências e sensibilizar sobre a violência que sofrem as mulheres diariamente.
Outro exemplo são os fóruns de discussão on-line, convertidos em ferramentas indispensáveis para as muitas sobreviventes da violência doméstica, especialmente em regiões onde faltam ou existam dificuldades de aceder a serviços de ajuda psicossocial ou de refúgios temporários.
Em suma, a misoginia, o sexismo, a homofobia e a consequente violência contra as mulheres que vivemos no “mundo real” se mudaram para o ciberespaço, um campo de batalha relativamente desconhecido, sem limites e onde prima o anonimato e que, salvaguardando exceções, provoca indiferença nas autoridades, nas empresas donas das plataformas digitais e da sociedade em geral.

Daniella Figueiredo é especialista em Direito Penal e gerente de Proteção à Mulher da Secretaria  de Estado da Segurança Pública e Defesa Social.

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected].

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