
Representantes dos cidadãos e descendentes de italianos no Espírito Santo estão cobrando a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti. Ele foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos, no fim da década de 1970, e está no Brasil desde 2007.
A diretora de Relações Internacionais da Casa d’Italia do Espírito Santo, Rita Bortoluzzi Herzog, avalia que o Brasil não deveria discutir tais decisões.
“O Brasil não tem de discutir tais decisões, somente cumprir o acordo bilateral e extraditá-lo. Internacionalmente, é muito ruim para o Brasil não cumprir tal acordo. Dá uma sensação de que acobertamos condenados”, opinou.
“O Cesare Battisti foi julgado por todas as cortes italianas, apelou e foi condenado à prisão perpétua. Enfim, teve todas as possibilidades de defesa na esfera judicial italiana”, completou a diretora da Casa d’Italia.
O presidente do Circolo Trentino di Vitória, José Renato Margon, acredita que a extradição já deveria ter acontecido no primeiro pedido da Justiça italiana – quando o ex-presidente Lula negou a solicitação, em 2010.
“A Itália é um país democrático, e o Brasil deve confiar na Justiça italiana. Ele foi condenado pelos crimes e já deveria ter sido extraditado”, disse o presidente da associação, que tem cerca de 4.700 associados inscritos.
Coordenador do Partido Democrático (PD) no Espírito Santo, legenda italiana, Franco Patrignani, pensa como os demais colegas representantes dos cidadãos e descendentes italianos. Para ele, Battisti deve pagar sua dívida com a Justiça italiana.
“Ele foi julgado e condenado em diferentes níveis da magistratura italiana. Na Itália, ninguém pensa diferente. Ele diz que é vítima de discriminação política, mas lá ninguém acredita nisso”, afirmou o italiano nascido em Ancona, que mora em Vitória, e está no Brasil há mais de 10 anos.
Mesmo tendo sido condenado, Cesare Battisti se diz inocente. Ele alegou, em entrevistas recentes, que a extradição para ele equivale a uma pena de morte.
Reportagem: Giordany Bossato e Tiago Alencar