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Professores flagram alunos que se automutilam

Jovem com marcas de cortes: psicólogos dizem que o ato é uma forma de chamar a atenção para um problema. Foto: Divulgação Preocupados com alunos que ...

Professores flagram alunos que se automutilam
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Jovem com marcas de cortes: psicólogos dizem que o ato é uma forma de chamar a atenção para um problema. Foto: Divulgação

Preocupados com alunos que se machucam com lâminas, estiletes ou outros objetos professores revelam casos em escolas. Eles alertam que os pais devem ficar atentos aos comportamentos dos filhos.

Rurdiney da Silva, diretor de uma escola pública da Serra, contou que já trabalhou em locais onde viveu a experiência de ter alunos nessa situação. “Infelizmente a gente acaba vendo muita criança marcada, mutilada. Não acontece dentro da escola. Elas vão para a aula assim. Já teve caso que, conversando com a aluna, percebi que era para chamar a atenção da mãe ”.

Segundo ele, uma aluna de uma escola pública da Serra relatou que queria abraços da mãe e se mutilava no braço com estilete para chamar a atenção dela. “A escola procurou essa mãe, que explicou que não tinha percebido o fato e agradeceu”, contou.

Ele lembrou ainda de outro caso, em que o pai batia muito no aluno. O estudante se mutilava nos braços e nas pernas. “ O Conselho Tutelar foi acionado, mas o aluno não se abriu sobre os fatos”, contou.

Outro professor, de 43 anos, que não quis se identificar, contou que já encontrou um aluno nessa situação. “Ele se mutilava no braço. Foi feito um trabalho de orientação junto à família dele e ele também passou por acompanhamento psicológico. O motivo que o levou a fazer isso não foi revelado”.

Segundo o professor esses casos são mais comuns na pré-adolescência e adolescência. “É um período de muitos conflitos”, lembrou.

Segundo a psicóloga Rosalina Barros, a automutilação é um sintoma de que a criança ou adolescente não está bem emocionalmente, e o que ele está sentindo é uma tensão com a qual não está conseguindo ou sabendo lidar, há um sofrimento que não pode ser ignorado.

Para a psicóloga, quando o comportamento é de automutilação, é necessário que os pais acolham a criança ou adolescente e acreditem que o que está acontecendo, o sentimento que levou àquele comportamento, é verdadeiro. “É de extrema importância que ele seja acolhido sem julgamentos ou repreensões, nesse momento, deve prevalecer o afeto, respeito e especialmente que ele terá auxílio para resolver a situação”, explicou.

Psicóloga Teresa Spinassé. Foto: Divulgação

Psicóloga: “É sempre um pedido de ajuda”

“A automutilação é sempre um pedido de ajuda”, afirmou a pedagoga Teresa Spinassé. Ela explicou que são vários os motivos que podem levar a esse pedido, desde depressão a dificuldades de lidar com as questões da adolescência.

A pedagoga acrescentou que muitas vezes a escola percebe a situação antes da família, porque um professor ou um colega observou. “É preciso que a família fique atenta a mudanças de comportamento. E se acontecer, o ideal é procurar ajuda de um profissional”.

Ela orienta que os pais não devem brigar com os filhos por causa disso. Acrescenta que é um momento no qual o diálogo é necessário, pois se eles estão fragilizados há um motivo para isso e o empenho deve ser para descobrir qual.

Segundo a psicóloga Rosalina Barros, os pais devem ficar atentos e procurar entender os sinais que os filhos emitem para saber o que está acontecendo. “Quando os pais têm uma boa escuta e a confiança dos filhos, essa ajuda torna-se mais fácil”, observou a psicóloga.

Além disso, a pedagoga e a psicopedagoga destacaram que a família deve procurar um psicólogo ou psiquiatra. Segundo elas, a ajuda profissional é muito importante nesses casos.

 

Reportagem: Rayza Fontes e Verônica Aguiar

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