Vídeos divulgados nas redes sociais mostram cenas de caçadas a javalis, soltos em meio a plantações. Alguns destes vídeos, gravados no Brasil, mostram os caçadores voando de helicóptero em meio as lavouras, atirando nos animais com espingardas.
Apesar de impactante, a prática de matar os animais foi regulamentada por decreto na região de Santa Catarina, região sul do país. O governo catarinense regulamentou a caça, abate e captura dos javalis, atendendo a um pedido da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faesc).
O objetivo do abate é controlar a população do animal exótico que, criado fora de seu sistema, representam ameaças ao meio ambiente e causam prejuízos à economia, biodiversidade e ecossistemas naturais. Nesta região do país, as perdas econômicas, causadas pelos animais, foi um dos fatores que levaram ao pedido.
“O javali se tornou um tormento para os produtores rurais, porque destrói as plantações e ameaça a vida das pessoas que trabalham na área rural”, explicou o presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo.
Questionado o porquê do javali ser prejudicial ao meio ambiente, o professor Deolindo Stradiotti Júnior, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) explicou que o animal é classificado como uma das 100 piores espécies invasoras do mundo. “É preciso que se entenda trata-se de espécie exótica à nossa fauna silvestre. Sua agressividade e facilidade de adaptação associadas à reprodução descontrolada e à ausência de predadores naturais resultam em uma série de impactos ambientais e socioeconômicos”, disse.

De acordo com o professor, o javali é a única espécie em que há autorização para controle com o uso da caça com armas de fogo.
“É o procedimento indicado pelo IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente). Mas é válido ressaltar que a equipe de controladores da população animal deve ser registrada no IBAMA e ter registro das armas junto ao Exército. Todo cuidado deve ser tomado para que esse fato não sirva de brecha (abra precedentes) para que mudanças na Legislação sejam feitas em relação à fauna silvestre. Esse é o grande risco”, explicou.
No Espírito Santo, a criação do javali já foi discutida no passado. Em 2016, por exemplo, o Ibama emitiu um alerta à Prefeitura de Ibatiba sobre uma possível invasão de grupos deste animal na região.
“Houve a autorização para a criação comercial desta espécie no estado em anos passados, com adesão de alguns proprietários rurais. O grande risco encontra-se na soltura indevida ou escape de alguns animais na natureza, dado o já considerado”, completou o professor.
Weslei Radavelli