Uma gravação feita pela médica Milena Gottardi Tonini Frasson, 38 anos, durante uma conversa com os pais do policial civil Hilário Frasson, 44, marido de Milena, revela o apelo que ela fez aos sogros, antes de ser executada, segundo a polícia, a mando do marido e do próprio sogro com quem conversava na gravação.
Milena foi atingida por três tiros no último dia 14, após deixar o trabalho no Hospital das Clínicas, em Maruípe, Vitória, e morreu no dia seguinte. Além do marido e do sogro dela, Esperidião Frasson, outras quatro pessoas acusadas de participação no crime estão presas.
No áudio, ao qual a reportagem de A Tribuna teve acesso, a médica Milena faz uma série de desabafos ao sogro e à mulher dele em um local que não foi revelado.
Em um dos trechos, a médica alerta que a situação está “insustentável ao lado do marido”, com quem foi casada por 13 anos.
“Alguém aguenta, uma mulher aguenta isso C.. (nome da sogra)? Olha pra mim! É seu filho, mas olha a maldade no coração dele. Ele me queria a todo custo! Entendeu? Vocês sabem disso!”, dizia Milena com a voz embargada.
Sobre a sua saída de casa, Milena também explicou aos sogros qual o motivo do pedido feito à Justiça. “Eu tive que ir ao juiz para pedir para sair de casa para poupar as filhas nossas aqui, as netas de vocês, porque ele falou aqui, nessa mesa, ‘que para resolver esse problema tinha que dar um tiro na cabeça dele’, gritando”
Na gravação, a médica revela que até as conversas com pacientes foram rastreadas pelo marido.
Ouça abaixo um trecho da conversa que A Tribuna teve acesso, onde Milena conversa com os sogros.
Família
A reportagem procurou o advogado da família de Milena, Renan Sales, que vai atuar no processo como assistente da acusação, mas ele não comentou sobre o áudio. Apenas afirmou que o inquérito confirma que Milena se sentia refém do marido e perseguida por ele.
Reportagem: Hemerson Costa e Francine Spinassé