por: Eduardo Araújo
“A onda de otimismo vem surpreendendo analistas de todo o País”
Os números recentes do Banco Central dão conta de que as economias brasileira e capixaba estão melhores. O Índice de Atividade Econômica, chamado “PIB do Bacen”, mostra que a produção de riquezas no País atingiu crescimento de 0,3% até julho. O Espírito Santo já se expandiu 1,5% no mesmo período.
A onda de otimismo vem surpreendendo analistas de todo País. As projeções de crescimento têm sido sucessivamente elevadas. Os dados do Banco Central dão indicativo de um potencial de crescimento do PIB nacional de 0,8% este ano e de 1,8% da economia capixaba.
Apesar da melhora, a percepção de estagnação persiste entre a população. O motivo é a lenta resposta do mercado de trabalho. Apesar da ampliação no faturamento de alguns setores, as contratações seguem em ritmo insuficiente para atender às demandas sociais. Segmentos importantes, como Comércio e Indústria Extrativa, ainda acumulam saldo negativo de admissões.
A economia capixaba depara-se com o desafio de fazer a taxa de desocupação retroceder dos atuais 13% para os 6% do pré-crise. Ou seja, serão necessários cerca de 160 mil novos postos de trabalho para alcançar esse objetivo. A volta de operação da Samarco, a elevação do preço do petróleo e os investimentos públicos são elementos que podem favorecer nesse processo de retomada.
A perspectiva de maior crescimento do País em 2018 também ajuda. Porém, é preciso admitir que há muitas incertezas devido às eleições presidenciais. A adoção de política macroeconômica desastrosa também pode colocar em risco o desempenho da economia capixaba.
O cenário nacional é difícil por conta do crescimento do déficit público e do menor espaço para as políticas contracíclicas. Diferente do passado, há também pouca margem para estímulos ao consumo, como aqueles do FGTS ou subsídios ao crédito. Por esse motivo, é essencial se pensar em políticas públicas voltadas ao estímulo de investimentos produtivos.
É claro que a tendência de juros e inflação menores nos próximos meses favorecem os investimentos. Mas esses indicadores são voláteis e estão sujeitos a choques exógenos, como as flutuações na taxa de juros dos EUA ou mudanças de preços devido aos fatores climáticos.
Por isso é importante avançar no debate em torno das reformas estruturais. Por mais impopulares e difíceis que sejam, há que se fazer avançar na agenda do desenvolvimento econômico de longo prazo. É essencial o foco na produtividade e naquelas políticas que já foram testadas para promover a inclusão social.
O equilíbrio das finanças públicas é um item que merece atenção permanente pela sociedade. Em anos eleitorais é importante privilegiar gestores públicos que defendem a responsabilidade fiscal. É urgente o debate em torno da simplificação e revisão dos critérios de distribuição do ônus tributário no País. A melhoria do ambiente de negócios passa por regras mais simples de tributação.
Há que se olhar o presente, mas sem perder foco no futuro. E o desafio assumido pelos capixabas, há uma década, foi de alcançar renda média anual de R$ 64 mil por habitante até 2025. É preciso que haja um crescimento semelhante ao da economia chinesa nos próximos oito anos (9% por ano). Uma meta muito audaciosa que depende do envolvimento e da contribuição de toda sociedade: empresas, governos e trabalhadores.
Eduardo Araujo é vice-presidente do Conselho Regional de Economia do ES (Corecon-ES)
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