
Oração, emoção e saudade marcaram a cerimônia em homenagem às vítimas do maior acidente já registrado em rodovias do Estado. Às margens da BR-101, em frente ao km 343,2, uma missa foi celebrada, na manhã de sábado (22) com a participação de mais de 100 pessoas para lembrar os 23 mortos da tragédia.
Uma cena que não sai da memória de quem vivenciou o drama ou simplesmente passava pelo local, como a estudante Débora Mozer Carminati, 15 anos, que viu os passageiros sobreviventes do ônibus
que seguia de São Paulo para Vitória pedindo socorro no meio da rodovia. O veículo foi atingido por uma carreta de granito e pegou fogo. Duas ambulâncias também se envolveram na colisão.

Acompanhada do pai Pedro Carminati e da irmã Poliana Mozer Carminati, 22, que também participaram da celebração, ela recorda que seguia para escola, quando se deparou com a cena assustadora. “Havia muita gente à espera de socorro. Uma mulher, com o corpo queimado, ficou enrolada em uma toalha sentada no meio da rodovia. Foi desesperador!”
Moradores de Guarapari e Anchieta participaram da missa, que foi marcada por orações. “Rezemos pela ressurreição dos que partiram e pela ação de graças daqueles que ficaram vivos”, disse o padre Sandro Firmino Barbosa, que presidiu a celebração.
Já o padre Manoel David lembrou durante a missa que o País parou para acompanhar o resgate e
Guarapari passou a ser lembrada não somente pelas belas praias, mas pelo trágico acidente. “Não viemos aqui fazer um protesto.
Viemos para render graças pelas pessoas que não morreram e pedir mais segurança para as que ainda
trafegam por aqui (BR-101)”, disse.
A quinta-feira do dia 22 de junho registrou uma série de fatores que culminaram na maior tragédia automobilística do Espírito Santo: uma carreta com pneus carecas e com modificações estruturais, que
segundo a polícia foram cruciais para causar o acidente e o motorista do veículo que estava sob o efeito
de drogas, transportando uma carga muito acima do peso permitido.
O acidente deixou 23 mortos e outros 21 feridos. As investigações continuam e devem ser encerradas
dentro de 30 dias.
Reportagem de Roberta Bourguignon para o jornal A Tribuna deste domingo (23) .