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Ciência em alta no futebol: medicina e psicologia no trabalho diário

Ronaldo após o título da França na Copa do Mundo de 1998. Foto: Reprodução de internet Quando uma decisão de campeonato se aproxima, aquele jogador ...

Última atualização

Ronaldo após o título da França na Copa do Mundo de 1998. Foto: Reprodução de internet

Quando uma decisão de campeonato se aproxima, aquele jogador que você tanto confia para balançar as redes é anunciado fora da equipe. Na cabeça do torcedor, muitas opiniões passam a surgir a respeito do caso. Assim como aconteceu com Ronaldo, o “Fenômeno”, antes da final da Copa do Mundo de 1998. O lateral Roberto Carlos, na época, era seu companheiro de quarto e já revelou que o atacante teria sentido a pressão pelo jogo que daria o pentacampeonato à Seleção Brasileira.

A quarta parte da série especial multimídia “Ciência em alta no futebol”, trata do assunto “medicina e psicologia no trabalho diário”.

“A mente afeta o corpo e o corpo afeta a mente. Frio na barriga todo mundo vai ter, mas ansiedade em excesso aumenta o nível hormonal e o risco de lesão”, disse o psicólogo do Vitória, Bruno Ferreira.

Outro exemplo, agora regionalizado: a atacante Thaís Ribeiro, artilheira do Capixabão feminino deste ano com 17 gols, saiu logo no início do segundo tempo da final por ter sentido câimbra nas duas pernas.

Thaís Ribeiro foi a artilheira do Vila Nova e do Capixabão feminino este ano, com 17 gols. Foto: Fábio Vicentini

“Atleta com muita ansiedade está mais suscetível a lesão”, afirmou o fisiatra da Integral Médica Lucas Caseri, ex-médico do Santos na campanha do título brasileiro de 2004.

Leia aqui a primeira parte da série “Ciência em alta no futebol”

A fisiatria é o apelido da medicina física e de reabilitação, que lida com dor crônica e incapacidades. A função de Lucas Caseri é muito aproveitada nos esportes paralímpicos.

Torcedor declarado do Santos, Caseri não citou casos do título brasileiro, mas garante que um dos principais fatores para manter um elenco em alta performance, além do trabalho preventivo, é a chamada recuperação ativa.

Lucas Caseri, ex-médico do Santos na campanha do título brasileiro de 2004. Foto: Integral Médica/Divulgação

Veja aqui a segunda parte da série “Ciência em alta no futebol”

“A crioterapia (banheira com gelo) é muito utilizada após jogo e treino. O gelo ajuda na recuperação de inflamações nos tendões, é benéfico. Muitos clubes utilizam disso. O aquecimento adequado antes de fazer a prática da atividade física é fundamental. Muitos não alongam adequadamente, e isso pode estar relacionado a um risco maior de lesão”, disse Lucas Caseri.

Banheira de crioterapia utilizada pelo Botafogo na pré-temporada 2017, no Hotel Fazenda China Park, em Domingos Martins. Foto: Acácio Rodrigues

O médico não foge do discurso do eixo comportamental dos atletas. “Para entrar em uma obra, você precisa estar de capacete, botas e óculos de proteção. Quanto mais alto for o nível do atleta, e isso não é para quem quer, é para quem pode, maiores devem ser os cuidados. É um indivíduo diferente. Um indivíduo doente está para baixo da curva da maioria das pessoas e o atleta está para cima. É anormal. Ele precisa ser olhado com outro tipo de abordagem. Precisa ser muito disciplinado”.

Confira a terceira parte da série “Ciência em alta no futebol”

O psicólogo Bruno Ferreira garante que sua função precisa avaliar as condições de perfil do atleta, de onde ele veio, há quanto tempo joga, se teve algum problema familiar como perda dos pais, entre outros aspectos. E o profissional precisa trabalhar atuar de forma direcionada para cuidar do jogador.

Bruno Ferreira, psicólogo do Vitória. Foto: Henrique Montovanelli/Vitória FC/Divulgação

“Se eu falo com o atleta sobre controlar a respiração, ele vai me perguntar como fazer e preciso operacionalizar. É treinamento mesmo, tem que trabalhar nesse sentido, para que durante o jogo o cara consiga fazer isso sem eu estar ao lado dele. Se o cara estiver ansioso por uma final de campeonato, se ele perder, não é o fim do mundo. Ele não pode dar peso maior ao que as coisas têm, é importante trabalhar o controle da ansiedade”, explicou.

Longevidade

Ao ver um jogador com mais de 40 anos ser campeão da Copa do Brasil e do Brasileirão em dois anos consecutivos, com a camisa do Palmeiras, é notório que vão perguntar como ele consegue manter a alta performance. Zé Roberto, hoje com 43 anos, é uma lenda no futebol do País.

Zé Roberto em ação pelo Palmeiras no Brasileirão de 2016, conquistado pelo time paulista. Foto: Bê Caviquioli/Futura Press/Estadão Conteúdo

“Outro exemplo foi o Cafu. Ele tinha condições avaliadas por colegas que conheci, que eram totalmente acima da média”, garantiu o médico Lucas Caseri.

O fisiatra afirma que o atleta que se cuida, tem longevidade na carreira e na vida por respeitar suas condições para se manter com saúde.

“Os que permanecem ativos, primeiro porque tem condições privilegiadas e segundo porque se mantiveram ativos. Temos muitos casos de ex-jogadores que ficaram obesos. O atleta tem uma rotina alimentar de comer muita caloria. A atividade física não é poupança, mas se você passou dos 10 aos 60 anos fazendo atividade física moderada, terá mais saúde que outras pessoas. Mas se estiver pelo menos seis meses sem atividade, ganha uma carteirinha de sedentário (risos)”, disse Lucas Caseri.

Entrevista especial com o fisiologista do Botafogo, o capixaba Dailson Paulúcio

Mesmo que um jogador como Marcelinho Paraíba, de 42 anos, hoje na Portuguesa/SP, não renda o que se via em seu auge na Europa, a importância dos atletas experientes sobressaem.

“Muitos atletas acabam se lesionando por mau treinamento e param de se cuidar depois que encerram a carreira. Se ele se cuidou, se manteve ativo, é diferente. Dificilmente um atleta como o Zé Roberto, vai ganhar uma maratona. Mas no futebol você caminha durante o jogo, tendo alguns momentos de explosão, e aí treina potência, força muscular e pode contar com um atleta que pode gerenciar melhor o grupo. Quanto mais caráter coletivo, talvez seja mais fácil ter esse tipo de atleta”.

 

Reportagem de Acácio Rodrigues

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