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Presidente da Comissão Antidoping da CBF: “Queremos preservar a saúde dos jogadores”

Fernando Solera, Presidente da Comissão de Controle de Doping da CBF. Foto: Divulgação O anúncio de doping no jogador de futebol Ederson, do ...

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Fernando Solera, Presidente da Comissão de Controle de Doping da CBF. Foto: Divulgação

O anúncio de doping no jogador de futebol Ederson, do Flamengo, anunciou um problema muito mais sério, pelo menos para a saúde do jogador, do que o uso de uma substância proibida: a descoberta de um tumor nos testículos. A divulgação deste exame foi feita na manhã desta terça-feira (25).

A descoberta do tumor aconteceu em meio a realização de um exame, que apontou um alto índice de hormônio HCG. Como o jogador negou o uso do hormônio, o atleta e o Flamengo fizeram novos exames, que constataram a doença.

Sobre este caso, a equipe de A Tribuna fez uma entrevista exclusiva com Fernando Solera, Presidente da Comissão de Controle de Doping da CBF. Nesta entrevista, Solera fala sobre como se deu a descoberta desta doença no jogador e sobre o trabalho feito para “buscar” eventuais casos de doping.

A Tribuna – O meia do Flamengo, Ederson descobriu o tumor no testículo após uma exame de controle de doping. Como foi essa descoberta?
Fernando Solera – O jogador realizou o procedimento normal de exame antidoping. Na urina dele foi encontrado um valor elevado do hormônio HCG, uma das substâncias proibidas pela WADA, Agência Mundial Antidoping e FIFA. O jogador negou o uso desse hormônio, que alguns jogadores usam para melhorar o desempenho durante a partida.
Entretanto, acredito que o controle de antidoping deve ser um trabalho investigativo e não imediatamente conclusivo. Por isso em conversa com Dr Márcio Tannure, especialista em medicina esportiva e médico do Flamengo, eu sugeri a ele que submetesse o jogador Ederson a uma tomografia e um ultrassom. Após esses exames, o tumor foi confirmado.

A Tribuna – Com a descoberta, o jogador passa a ser inocente? O trabalho investigativo de antidoping é encerrado?
Fernando Solera – Não. Pedi ao médico que encaminhe à Comissão todos os exames do jogador, inclusive uma biópsia que comprove que não houve uso do hormônio e sim um aumento da substância no organismo, por consequência do tumor no testículo que também produz essa substância. Em seguida encaminharemos os exames à ABCD para comprovar de fato a inocência do jogador.

A Tribuna – Quantos exames são feitos no Brasil anualmente? Quantos já foram realizados este ano?
Fernando Solera – Realizamos no futebol brasileiro em 2016, pouco mais de cinco mil exames. Esse ano temos a expectativa de colher 6.500 amostras. Dentre estas, cerca de 10 jogadores foram flagrados com substâncias proibidas em seus organismos. Oito desses jogadores tinham corticoide no sangue, substância também proibida por forçar o desempenho do atleta. Estamos investigando se esses oito atletas tomaram esse corticoide com objetivo de aumento de desempenho ou por orientação médica para tratar alguma doença.

Ederson anunciou a doença em coletiva no Flamengo. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

A Tribuna – O senhor investiga todos os resultados? Em quais situações?
Fernando Solera – Faço questão de acompanhar a investigação de perto. Porque nesses momentos é que acabamos descobrindo irregularidades ou alertando os atletas quanto à problemas de saúde, como foi no caso do Ederson.

A Tribuna – Na história do futebol, o antidoping proporcionou a descoberta de outras doenças como aconteceu com Ederson?
Fernando Solera – As pessoas precisam entender o seguinte: o exame de doping, obrigatório entre os atletas não pode ser julgado apenas como um “caça as bruxas”. Precisamos entender que muito mais do que irregularidades, queremos preservar a saúde dos jogadores. Tivemos outro caso de descoberta de um câncer no cérebro de um jogador do Palmeiras há alguns anos, depois de descobrimos alto índice de testosterona na urina do atleta. Por isso, reafirmo: tudo deve ser cuidadosamente investigado.

A Tribuna – Qual a importância da medicina esportiva no mundo do futebol?
Fernando Solera – Eu não diria que a medicina esportiva é importante somente no mundo do futebol e sim para toda a sociedade. A medicina esportiva tem que estar presente em todos os lugares. Eu e outros médicos esportivos achamos um absurdo que as pessoas possam malhar sem uma autorização médica. No Brasil não existe uma legislação que determine isso. Quantas pessoas morrem praticando exercícios que não poderiam, ou ao menos não deveriam. Dando enfoque à sua pergunta, o antidoping, volto a dizer, não é somente um fiscalizador e mediante a essas situações como a de Ederson, se tornou um preventivo. Agora ele descobriu, vai se tratar e ficará bem. Isso é medicina esportiva aliando prudência com responsabilidade.

 

Milena Martins

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