Nas principais divisões do futebol brasileiro, a arbitragem capixaba têm se destacado. Os 15 profissionais do Espírito Santo (cinco árbitros e 10 assistentes), que estão no quadro nacional (CBF), têm sido responsáveis por grandes jogos do País. O número, aliás, é um recorde, tendo em vista que o Estado está na Quadradona. A média, geralmente, é de 12 profissionais nas Séries A e B.

São 154 profissionais de arbitragem da Federação de Futebol do Espírito Santo (FES), sendo 70 árbitros e 84 assistentes. Nenhum deles faz parte do quadro internacional (Fifa).
Atualmente, o árbitro Dyorgines Padovani, de 37 anos, tem sido mais acionado pelas boas atuações. Só este ano, apitou dois jogos do Brasileirão e cinco da Segundona.
Além de Padovani, a equipe contou com os assistentes Fabiano Ramires e Vanderson Zanotti, o quarto árbitro Édson dos Santos e os adicionais Devarly do Rosário e Felipe Varejão.
No último dia 8, Padovani apitou o empate em 1 a 1 entre Internacional e Criciúma pela Série B do Campeonato Brasileiro. O drama do Colorado, na busca pelo acesso, é enorme.
“Emocionalmente, foi extremamente difícil, devido à situação do Inter na tabela. Estava perdendo em casa, precisando ganhar, mas estudamos as duas equipes e sabíamos da pressão que iríamos encontrar. Tanto que foi muito difícil de controlar os ânimos dos jogadores. Por isso estudamos tudo sobre as equipes”, contou.
No dia 25 de junho, o desafio de Padovani foi apitar o confronto entre Vasco e Atlético/GO, no estádio São Januário. Vitória do time carioca por 1 a 0, gol de Nenê, mas com reclamação do meia.
Em uma disputa de bola na área, Nenê caiu e gesticulou bastante para cobrar a marcação de uma penalidade, que não existiu.
“Temos que estar bem nos treinos, sempre lendo as atualizações da regra e o grande desafio mesmo é o jogo. A gente tem que controlar a ansiedade no dia, na hora do jogo tem que ter calma e o maior desafio é esse, o próprio jogo em si”, afirmou.
Empenho pelas mulheres do apito
Há 18 anos atuando como profissional de arbitragem, a assistente Katiúscia Mayer Berger está decidida a trabalhar em prol das mulheres que escolhem este trabalho. Mas isso é ideia para longo prazo.
“Quero continuar na área e estou fazendo cursos para ser instrutora física de arbitragem. Daqui a uns cinco anos quero trabalhar na Federação (do Espírito Santo) e me mudar para Vitória”, afirmou.
Ela divide a rotina de viagens pelo Brasil afora, o trabalho como personal trainer e a atenção à filha de 15 anos.

Moradora de Baixo Guandu, Katiúscia tem 39 anos, é formada em bacharelado e licenciatura de Educação Física e se espelha em Ana Paula Oliveira, ex-assistente de arbitragem que é atual instrutora da comissão na CBF.
Ana Paula encerrou a carreira em 2007, quando não marcou dois gols válidos do Botafogo contra o Figueirense, na semifinal da Copa do Brasil, foi suspensa por 15 dias e após posar nua para uma revista masculina, foi excluída do quadro da Fifa e afastada de vez.
“Hoje, em cada estado, por iniciativa da Ana Paula, há um projeto de formação de novos profissionais da arbitragem. Ela ajuda muita gente”, disse Katiúscia.
As críticas para as mulheres da arbitragem são maiores que para homens, pelo machismo infelizmente enraizado no futebol.
“Acho que hoje está mais igual, mas antes a geladeira (afastamento) era grande para as mulheres”, acredita a capixaba.
Reportagem de Acácio Rodrigues, publicada na edição desta segunda-feira (24) em A Tribuna

