
Depois de quase 20 anos sozinha, uma aposentada de 60 anos encontra na internet um homem que promete transformá-la na mulher mais feliz deste mundo. Só que ela não imaginava que, por trás de declarações de amor, havia um vigarista e que iria cair no golpe do amor.
Enganada por ele, a aposentada fez oito empréstimos, incluindo instituições financeiras e agiotas, e agora está com uma dívida de cerca de R$ 40 mil e ainda corre o risco de perder o seu apartamento, em um bairro de Vitória.
Ela, que pediu para não ser identificada, faz parte das estatísticas de vítimas de criminosos, chamados de scammers, que aplicam golpes pela internet, em todo o Brasil, via países estrangeiros.
Sua história começou em dezembro de 2016, quando um desconhecido, que se identificou como Steven Kevin, pediu para que fosse adicionado a sua rede de amigos virtuais. No início, não aceitou, mas depois que pesquisou o seu perfil no Facebook e percebeu que ele estava fardado, aceitou sua amizade.
Ele dizia que morava nos Estados Unidos, mas que estava na Guerra do Iraque, onde comandava uma tropa de mil soldados.
Nas conversas iniciais, ele se mostrava muito cortez, dizia que era viúvo e que buscava uma pessoa para dividir os seus dias.
E foi a partir daí, já em janeiro, que ele partiu para a segunda parte do plano. Ele disse que tinha propriedades, que foram vendidas, e que queria enviar um pacote com dinheiro para a aposentada, já que sentiu que ela era uma pessoa de confiança.
Seu argumento era de que ela deveria guardá-lo por dois meses, prazo que ele chegaria ao Estado para conhecê-la. “No primeiro contato, ele disse que tinha ouro também, mas depois falou que só tinha dinheiro, 7,5 milhões de dólares (cerca de R$ 23 milhões).”
Ele dizia que iria enviar a encomenda para o Brasil e que um diplomata de sua confiança, que ele disse que se chamava David Johnson, faria a entrega.
Passados alguns dias, esse “diplomata” ligou para ela e disse que, para retirar a encomenda no aeroporto de São Paulo, ela precisaria pagar R$ 2 mil. Sem ter dinheiro, ela fez o primeiro empréstimo.
Só que o valor foi subindo e, sob ameaça de ser presa, ela acabou fazendo outros empréstimos, totalizando R$ 31 mil.
Com os juros, o valor se aproxima de R$ 40 mil. Desesperada, em maio, ela procurou a Delegacia de Repressão aos Crimes Eletrônicos (DRCE), que investiga o caso.
A reportagem completa sobre esse tipo de golpe, com entrevista com a vítima, você lê na edição desta sexta-feira (21) do jornal A Tribuna.
Reportagem: Eliane Proscholdt e Francine Spinassé