
Especialistas dizem que, em alguns casos, é preciso punir os filhos, mas isso tem que ser feito acompanhado de explicações
Educar os filhos sempre foi e continua sendo um grande desafio. Em alguns casos, por mais que os pais tentem ensinar que eles não podem fazer algo ou agir de tal forma, de nada adianta. Assim, recorrem aos temidos castigos. Mas será que esse tipo de punição realmente funciona?
Segundo especialistas, esse não é o método mai
Para a psicóloga perinatal e fundadora da Clínica Infans, Bianca Martins, a punição deve ser acompanhada por uma explicação. “Aplicar por si só não faz sentido. O caráter pedagógico está muito mais nas palavras dos pais.”
A especialista, no entanto, explica que geralmente é a partir do quarto ano que os pequenos passam a desenvolver seu juízo moral, o sentimento do certo ou errado.
“É nesse momento que o castigo passa a ter efetividade. Antes disso, as crianças não têm entendimento”, observa. “Os mais novos se educam na repetição. Só depois dos quatro anos que o castigo pode ser usado como limite.”
Diretora pedagógica da Escola da Ilha, Ignez Martins defende que o castigo deve ser utilizado como último recurso. Para ela, a punição funciona apenas como paliativo.
“Quando os pais precisam lançar mão de castigo, o ideal é que eles revejam sua relação com a criança”, opina. “Esse meio está relacionado à educação autoritária, onde a criança faz por obediência e não por compreender o motivo”.
Já para a psicanalista Suelen Alencar, em alguns casos a punição se faz necessária, como, por exemplo, para fazer os filhos entenderem questões sobre perigo e comportamentos inadequados, em que os pais não obtiveram êxito ao ensinar de outras maneiras.
“As outras formas de educar são mais eficientes e menos controversas, entretanto elas demandam tempo – para aplicar e para obter resultado – que os pais, principalmente os atuais, não dispõem”, afirma Suelen.
Um método sugerido é pelo reforço positivo, ou seja, utilizar o elogio certo que é reconhecer na criança aquilo que ela conseguiu, de fato, fazer.
“É possível criar situações para que a criança realize algo a seu alcance e que a faça se sentir bem. O reconhecimento e a gratidão dos adultos são a maior recompensa que uma criança pode ter”, acrescenta a psicanalista.
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“Violência, jamais”

Nada de assistir televisão nem mexer no celular quando apronta! É assim que o responsável pelo administrativo operacional de bufê Aguinaldo de Moura, 45 anos, castiga o filho Davi Santos Moura, 11, quando necessário.
“Não sou a favor da violência. Acredito que a melhor forma de fazer a criança refletir sobre o que fez é cortar algo que ela gosta. Tem que conhecer para punir”, diz o pai.
Para Aguinaldo, essa é uma das formas de fazer Davi entender que as atitudes dele têm consequências e que não é possível ter tudo o que deseja.
“Procuro deixar isso bem claro para ele. Faz parte da vida e é papel do pai ensinar”, afirma.
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Explique os motivos
Os filhos precisam entender o motivo do castigo e não achar que estão sendo punidos por autoritarismo ou irritação dos adultos. Eles precisam entender que o castigo é consequência de algo que fizeram e que os pais não têm prazer em castigar.
Preste atenção nas suas palavras
Fale sempre com rigidez e de forma objetiva, olhando para a criança e fazendo com que ela entenda que você está chateada com a tal atitude e não propriamente com ela.
Equilíbrio
Os castigos devem ser proporcionais ao que fizeram; e não podem ser nem muito brandos nem muito pesados. A criança precisa se importar com o que está sendo retirado dela. Às vezes, os pais castigam com algo que não importa tanto para ela, como, por exemplo, não poder assistir televisão, sendo que a criança gosta mesmo é de ficar na internet.
Sem voltar atrás
Os filhos precisam acreditar que se os pais ameaçaram fazer “tal coisa”, eles realmente irão fazer. Agora, se os pais não forem firmes em suas decisões, os filhos acabam não dando importância ao castigo.

Punição com afeto
Os pais precisam dizer e demonstrar que não é por raiva ou vingança que aquele castigo está sendo aplicado, e sim por amor, para que a criança esteja protegida e se torne um adulto responsável e amado.
Nada de bater!
Violência física e moral, quando recebida, com certeza será passada adiante como num ciclo. Da mesma forma não se deve agir com sustos e gritos. Se desejar ser ouvido, ouça o pedido de socorro da criança, ela só o consegue expressar pelo comportamento. Falar olhando nos olhos também é essencial.
Desestresse primeiro
Se o comportamento do filho tiver tirado os pais do sério, eles devem dar um tempo para se acalmar, mas alertando ao filho que aquela atitude terá consequências.
Medida imediata
A criança pequena deve ser repreendida logo em seguida ao mau comportamento. Mas cuidado com essa dica, pois o castigo não deve ser aplicado na presença de outras pessoas, uma vez que a existência de público o tornaria mais humilhante.
Fonte: Especialistas consultados.
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“Pais têm medo de não serem amados”

Maria Carolina e Max Coutinho dizem que
são firmes
ao disciplinar Maria Júlia,
de 5 anos, e Maria Catarina, de um ano e quatro meses. Foto: Antonio Moreira/AT
As crianças precisam conhecer limites, receber um “não” de vez em quando e, dependendo do que fizerem, ser castigadas. Faz parte do processo de aprendizado. Mas muitos pais sentem medo de punir ou negar algo que o filho queira com receio de que ele não se sinta amado. E mais: alguns deles temem ainda não serem amados por serem rigorosos.
Esse comportamento está ligado às mudanças vividas pelas famílias brasileiras nas últimas décadas, avalia a diretora pedagógica da Escola da Ilha, Ignez Martins.
“Nossos avós foram fruto de uma geração onde tudo era proibido. Nossos pais, por sua vez, passaram a agir de forma inversa; dando total liberdade. Já essa geração está um pouco perdida.”
Sem saber como se portar diante dos filhos, muitos cedem a todos os pedidos dos pequenos. Como para eles tudo é possível, a noção de limites acaba prejudicada.
“Hoje vejo famílias absolutamente permissivas em prol da felicidade que é idealizada. Para não frustrar os filhos, elas permitem tudo porque entendem que a frustração pode gerar sofrimento”, diz Ignez.
No entanto, essa falta de limites compromete o desenvolvimento social dos pequenos pois, para viver em sociedade, precisarão entender regras sociais e respeitá-las. Para isso, os pais e/ou responsáveis não devem ter receio de educar.
Rigor
Pais de duas meninas, a gerente financeiro Maria Carolina Cremasco Fraga, 33, e o empresário Max Coutinho Carvalho, 33, são firmes ao disciplinar Maria Júlia, de 5 anos, e Maria Catarina, de um ano e quatro meses.
“Vejo que, às vezes, os pais ficam com medo de castigar o filho. Eles fazem as vontades da criança com medo dela ficar chateada e, com isso, cedem à pressão. Mas eu percebo que minhas filhas não deixam de me amar por isso. Eu sinto o amor delas por mim. Então, sempre que preciso, sou rígida”, conta a mãe.
Desde que as meninas nasceram, a família criou e seguiu uma rotina, com horários para dormir, acordar e fazer as tarefas da escola. Os pais acreditam que esse é o motivo pelo qual as pequenas respeitam as regras e suas obrigações.
“Os castigos são esporádicos porque a Maria Júlia, que é mais velha, não me dá trabalho. Mas, quando acontece, corto algo que ela gosta de fazer”, diz Maria Carolina.
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Bebês e pequeninos
Nessa fase, não tem jeito. É pela repetição mesmo que se educa. “Meu filho, não pode mexer na tomada”, “tomada não é brinquedo”, “mexer na tomada não pode”, “tomada machuca”, “não pode” e por aí vai.
O adulto deve trazer calma e muitas vezes distrair a criança desviando sua atenção de um comportamento inadequado para outra situação qualquer.
Até essa idade não há necessidade de se aplicar punição ou castigo.
De três a cinco anos
O adulto não deve deixar passar a situação, ceder ou rir e, principalmente, não desistir da criança que dá trabalho. Não deve prometer e não cumprir, muito menos ameaçar o pequeno para conseguir o comportamento desejado.

Os castigos nessa fase devem ser no sentido de desfazer ou consertar o “estrago” feito pela própria criança, como, por exemplo: quebrou, conserte; derrubou, pegue de volta; acendeu, apague; e outros mais.
Acima de cinco anos
É necessário despertar nelas o senso para o dever. A partir dessa idade, a criança torna-se receptiva a advertências. Antes a criança não aceita e nem tem ainda senso para o dever, e sim apenas para a imitação.
A criança deve aprender que servir ao outro faz parte do trabalho que ela deve realizar e assim ela desenvolverá amor pela ação.
Todas as idades
Os filhos aprendem e se espelham em seus pais, portanto, uma boa maneira de educar é exercitar atitudes que gostaria de passar para os herdeiros; ser um modelo a ser seguido.
Fonte: Especialistas consultados.
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Rigor na hora de fazer as tarefas da escola

Após um longo dia de trabalho, é comum os pais chegarem em casa e se depararem com o filho relutando para não fazer as tarefas da escola. Como castigar se até eles estão exaustos para reagir?
Na prática, não é a punição que irá resolver o problema e sim a postura dos pais que devem ser presentes na vida escolar dos filhos.
Segundo a psicanalista Suelen Alencar, a criança não precisa dos pais o dia inteiro; apenas um tempo de qualidade, em que os adultos se dediquem integralmente a ela.
“Os pais sentam para estar com seus filhos, mas não soltam o celular ou não tiram o olho da televisão ou do computador”, observa.
“As crianças precisam que os pais tenham um tempo só para elas, seja 15 minutos ou duas horas. E que, nesse momento, haja olho no olho, interesse nas atitudes e acontecimentos, uma real participação e entrada do pai no mundo do filho.”
A psicóloga Bianca Martins reforça que a falta de tempo não é justificativa para não participar da rotina escolar. Os pais devem lembrar que eles escolheram ter filhos.
“Por mais cansados e estressados que estejam, essa função é primordial. O casal pode dividir, um dia ser responsabilidade da mãe e, no outro, do pai.”
Outra sugestão é realizar duas atividades em um mesmo momento. Por exemplo, enquanto a mãe prepara o jantar, supervisiona o filho com o dever na mesa.
Professora da creche e escola Espaço do Saber, Paula Karina Gomes do Carmo observa que o desenvolvimento escolar dos alunos está diretamente relacionado à participação dos tutores. “Com pais mais presentes, as crianças se desenvolvem mais depressa.”
Enquanto os adultos têm a obrigação de trabalhar, os mais novos têm de se dedicar aos estudos. Esse entendimento deve ser passado pelos genitores.
A diretora pedagógica Ignez Martins avalia que, quando o aluno falha em cumprir suas atribuições escolares, é necessário analisar o contexto familiar. “Precisamos entender as relações que ele tem com família e agregados para encontrar onde está o problema.”
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“Quando os pais precisam lançar mão de castigo, o ideal é que eles revejam sua relação com a criança”, opina. “Esse meio está relacionado à educação autoritária, onde a criança faz por obediência e não por compreender o motivo”.