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Ciência em alta no futebol: a nutrição como apoio para o alto rendimento

Foto: Reprodução de internet Quando o assunto é alimentação saudável, logo vem à cabeça a imagem de um prato de salada. A nutrição como alicerce para ...

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Foto: Reprodução de internet

Quando o assunto é alimentação saudável, logo vem à cabeça a imagem de um prato de salada. A nutrição como alicerce para o alto rendimento vai além dessa premissa. O consumo de água, por exemplo, pode prevenir lesões.

A terceira parte da série especial multimídia “Ciência em alta no futebol” trata do tema nutrição.

No Espírito Santo, o Vitória resolveu encorpar sua comissão técnica com profissionais de diferentes áreas.

Entre os membros, está a nutricionista Beatriz Gaudio, em sua primeira experiência em clube de futebol, mas já se comporta como veterana neste ramo. Formou-se em 2013, fez pós-graduação em Clínica Esportiva e ainda este ano vai concluir bacharelado em Educação Física.

Beatriz Gaudio é a nutricionista do Vitória e já tem o cronograma para o restante da temporada. Foto: Henrique Montovanelli/Vitória FC/Divulgação

“Já passei uma vivência no Rio Branco, mas foi mais coisa de estágio e nem conto muito. É como se estivesse começando do zero mesmo. Há alguns dias fui ao Rio de Janeiro, marquei com um nutricionista do Flamengo, Luís Patrick, para uma conversa onde ele pudesse colaborar com dicas. Nossa reunião durou cerca de quatro horas e foi muito bom para mim”, revelou.

Clique aqui e leia a primeira parte da série “Ciência em alta no futebol”

A busca de Beatriz Gaudio, pelo clube carioca, não foi à toa. Em 2016, o Flamengo foi o time com menos lesões no ano, entre as equipes que disputam o Brasileirão. Foram apenas 22 contusões, enquanto o Atlético/PR liderou a lista com 68.

Para chegar ao nível de alta performance, Beatriz Gaudio confessa que não é apenas o que você come que vai direcionar o bom peso e a saúde.

“Hoje em dia o que eu tenho mais visto de problema emergencial é na hidratação. Não só no sentido de água em si, mas de reposição de eletrólitos. Durante os jogos ou até mesmo antes, a gente precisa estar ciente de como está essa questão. A falta de reposição de algumas coisas que são perdidas durante os treinos, enfim”, disse a nutricionista do Vitória.

Para conquistar os objetivos de sua área, Beatriz Gaudio já tem um cronograma na ponta da língua. “São importantes o pré, o durante e o pós. Tenho que fazer um trabalho sobre a importância de reidratar melhor. Isso previne lesão, melhora o desempenho, é uma série de fatores. Diminui a fadiga também. O que vai acontecer no jogo, vai ser uma consequência da rotina deles”, explicou.

Palestras sobre psicologia e nutrição no esporte aos jogadores do Vitória. Foto: Henrique Montovanelli/Vitória FC/Divulgação

E com dedicação, a nutricionista começa a implementar uma filosofia no time alvianil com personalidade.

“Quero conseguir fazer com que não seja dieta ou restrição, mas uma mudança no estilo de vida. Eles são atletas e não podem ficar perdendo noite, não podem ficar ‘no rock’, como a gente vê muitos por aí. Não pode ser jogador de futebol sem ter uma base boa. Tem que ter consciência. Tem que ter um sono muito bom, alimentação, treinamento, enfim, entrar numa situação dessas é uma realização e sou fissurada nessas coisas de desafio. Hoje, levo um estilo de vida muito saudável. Comecei a testar algumas coisas em mim, antes de passar para os atletas”, contou Beatriz Gaudio.

Confira a segunda parte da série “Ciência em alta no futebol”

Uma das maiores preocupações da nutricionista do Vitória, e de outros profissionais da área, é com a ingestão de bebidas alcoólicas.

“É algo que me preocupa sim. Quando você pergunta se o atleta bebe, ele já está vacinado com o quer vai responder, tem medo de responder. Se beber, vai falar que bebe pouco. É algo que atrapalha a gente. Até falei sobre churrasco, atrapalha também, pelo costume que os atletas têm de fazer isso. Você jogou, ganhou, e quer comemorar. Mas não é bom. Tem que ter esse cuidado após os jogos”, garantiu.

Alimentação na base e pós-jogos

Campeão paulista da categoria sub-20 pela Portuguesa Santista como membro da comissão técnica, Mestre em Ciências da Saúde e nutricionista da Integral Médica, Jean Silvestre explica como devem ser os cuidados da transição entre a equipe júnior e a profissional.

Jean Silvestre, nutricionista da Integral Médica. Foto: Divulgação/Integral Médica

“A atenção com esses atletas é bem direcionada. Atendi bastante sub-15, sub-17 e sub-20, esse último com investimento maior. A prescrição da nutrição precisa ser seguida. Os mesmos tipos de legumes servidos em uma semana, não eram servidos na outra, eu tentava fazer uma mescla para atender a demanda diária dos atletas”, contou Jean Silvestre.

Veja a entrevista especial com o fisiologista do Botafogo, o capixaba Dailson Paulúcio

Além dos cuidados com os atletas de categorias de base, Jean Silvestre alerta para o consumo de carboidratos.

“Na nutrição, a gente interfere com alguns consumos de nutrientes específicos, como o clássico carboidrato. Com uma ingestão adequada, você faz com que ele rende mais. Encontrei atletas que precisavam perder o peso, mas retiravam muito. Consequentemente, no treino em intensidade alta, ele se machucava. Cortar carboidrato por conta própria pode causar lesões”, explicou.

Alguns clubes optam pelo consumo de pizza após os jogos. Mas o nutricionista da Integral Médica garante: o atleta precisa comer, adequadamente, o que o faz sentir bem durante uma partida.

“Já tive caso de atleta que gostava de comer macarrão antes dos jogos. Lógico que a quantidade era limitada, mas eu liberava, mesmo se o cara fosse comer aquilo pela manhã, quando acordou. Ele vai se sentir bem. Adequei isso à quantidade de carboidratos”.

Reportagem de Acácio Rodrigues

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