O velejador número 1 do Brasil na classe RS:X, o windsurfe, é o capixaba Gabriel Bastos Pereira, de 23 anos. Ao conquistar no último sábado da Copa Brasil, em Ilhabela (SP), o jovem de Vitória se consolidou como “o cara” do País nas competições internacionais da próxima temporada.

Gabriel treina no Rio há dois anos. Ele foi um dos integrantes do projeto Vivência Olímpica, do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que visa à formação e desenvolvimento de talentos com potencial para representar o País em Jogos Olímpicos.
A aposta do COB já começa a dar resultados. Com o título da Copa Brasil, o capixaba ganhou a condição de ser o principal atleta da classe no País, o que significa que é ele quem vai buscar, nos dois próximos anos, as classificações para o Pan de Lima/2019 e a Olimpíada de Tóquio/2020.
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“O ranking internacional é baseado nas competições internacionais que você faz no ano. Sendo o primeiro do Brasil, vou ter um pouco mais de atenção para ir para fora. Penso em fazer o máximo de eventos fora, preciso dessa experiência, de competir com gente boa. Quanto mais competições fizer, consigo subir mais (no ranking)”, afirmou.
Gabriel Pereira começou a velejar aos 11 anos, em Vila Velha, depois que viu alguns amigos da sua mãe praticando o esporte.
Em 2013 e 2014, morou em Búzios (RJ), já levando a sério os treinos. No ano seguinte, se mudou para a capital carioca.

“Eu treinava junto com o Bimba, que foi para várias Olimpíadas. Estava treinando em alto nível”, disse o capixaba.
Ricardo Winick, o Bimba, 37 anos, conquistou ouro na classe RS:X nos Pans de 2007, 2011 e 2015, além do Mundial em 2007. Até a conquista de Gabriel Pereira, era ele o número 1 do Brasil.
Fora da disputa da Copa Brasil, passou o bastão. “Quero ir além. Quero ir em frente para conseguir algum título internacional futuramente. Ganhar esse título brasileiro é uma porta que se abriu lá fora para conseguir mais resultados”, garante Gabriel.
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A TRIBUNA – Quais são seus planos após o título brasileiro e a consolidação como o melhor velejador do País na classe RS:X?
GABRIEL PEREIRA – Agora no final do ano, quero descansar um pouco, fazer uma atividade diferente só para manter o preparo físico. Gosto muito de pedalar, trouxe minha bicicleta para cá. O plano agora é dar uma descansada para voltar ao Rio já na primeira semana de janeiro, começar a treinar para o Sul-Americano, que vai ser em Paracas, no Peru (acontece em fevereiro e vale vaga para o Pan de 2019 em Lima), além da etapa da Copa do Mundo de Vela na Espanha (em março), que a CBVela vai me apoiar.
Qual é o caminho para estar na Olimpíada de Tóquio/2020?
A classificatória para a Olimpíada vai ser disputada no Mundial de Windsurfe do ano anterior, que vai ser na Itália. O melhor atleta de lá vai ser o escolhido para 2020. Porém, temos ainda que classificar o Brasil para a Olimpíada. Isso começa agora na Dinamarca (em agosto). Fui este ano a um evento-teste lá, em uma cidade chamada Aarhus. É o primeiro passo do sonho olímpico. Já em 2019, será uma disputa entre os brasileiros para ver quem vai representar o País.

Se sente preparado para os novos desafios, agora que você é o campeão brasileiro?
Ainda tenho que trabalhar bastante a parte física. Tenho que melhorar muito. Hoje, o “centro” da vela é na Europa, por ser onde todo mundo se encontra e tem bons treinamentos. Mas estou bastante otimista. Conheço muitos atletas da América do Sul e é um objetivo muito possível sim, de conquistar o título sul-americano (em fevereiro) e dar vaga ao Brasil para o Pan de 2019.
Quais são os países mais fortes do mundo na sua classe?
Italianos e holandeses. Este ano, fui para a Europa e fiquei na casa de um amigo, Mattia Camboni (italiano), que disputou a Olimpíada do ano passado (pela classe RS:X). É um cara super talentoso. Treinei na Escola Naval com um holandês, Dorian Van Rijsselberge, que ganhou no Rio, então, me espelho muito neles. Treinam, curtem o que fazem e têm uma equipe muito boa.
Elogios a Vitória e críticas à baía de Guanabara
Já faz quatro anos que Gabriel Bastos Pereira deixou Vitória para ingressar no mundo esportivo. Em Búzios (RJ) e no Rio, tem vivido momentos inesquecíveis.
Porém, a saudade da ilha que considera a mais charmosa fica maior ainda quando treina na baía de Guanabara, por exemplo.
“Aquela baía de Guanabara é muito bonita olhando de cima, mas quando você veleja é em cima do lixo, um esgoto praticamente. A gente bate em sacolas plásticas, sofá, televisão, enfim. Estou no Rio por causa da estrutura de treino. Mas, entre velejar lá e velejar aqui, prefiro mil vezes aqui. Não é à toa que chamam de ‘Ventória’ (risos)”, comparou o capixaba.

Do skimboard (prancha pequena usada na beira do mar) em Camburi ao título brasileiro no windsurfe, Gabriel passou por várias experiências. “Hoje sou muito competitivo. É o esporte que eu amo!”.
Além dos treinos no Iate Clube do Rio, o capixaba conta com outra estrutura para sua preparação.
“O COB me ajuda muito na preparação física. Toda sexta-feira vou treinar no Maria Lenk, o parque aquático que tem a estrutura toda para fazer a parte física, laboratórios, enfim, são essas coisas que ajudam e influenciam.”
Reportagem de Acácio Rodrigues, publicada na edição desta terça-feira (19), em A Tribuna