Por Juliana Alvarenga Rocha
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), todos os anos surgem mais de 176 mil casos de câncer da pele, o de maior incidência no Brasil e no mundo.
O mês de dezembro marca o início do verão e, aproveitando essa época, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) desenvolve, desde 2014, o movimento Dezembro Laranja, com a promoção de uma série de iniciativas de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce da doença.
Com o slogan “Se exponha, mas não se queime”, a campanha pretende educar as pessoas sobre os riscos do câncer da pele decorrentes da exposição excessiva ao sol sem proteção. Além das pessoas que aproveitam o sol durante os momentos de lazer, aqueles que trabalham sob o sol ou ao ar livre também precisam estar atentas para se proteger.
Trabalhadores que desempenham seus trabalhos expostos ao sol, como carteiros, vendedores ambulantes, operários da construção civil, feirantes e outros profissionais, precisam tomar alguns cuidados para que essa exposição prolongada não traga problemas de saúde.
A recomendação é de que usem equipamentos de proteção individual (EPI), tais como: chapéus de abas largas, óculos escuros, roupas que cubram boa parte do corpo e protetores solares com fator mínimo de proteção solar (FPS) 30. A hidratação constante também faz parte dessas medidas fotoprotetoras, sem esquecer de evitar os horários de maior insolação, entre 10 às 16 horas.
Uma pesquisa divulgada pela SBD, junto com o DataFolha, em 2016, evidenciou os hábitos de exposição solar do brasileiro, e mostrou que 106 milhões de pessoas se expõem ao sol de forma intencional nas atividades de trabalho. Desses, 63% não usam protetor solar no seu dia a dia.
A pesquisa mostrou ainda que 6 milhões de brasileiros adultos (mais de 4% da população) não se protegem quando estão na praia, piscina, cachoeira, banho de rio ou lago. Esses dados são preocupantes, pois a incidência dos cânceres de pele está diretamente relacionada à exposição solar.
O câncer de pele corresponde a 30% dos tumores malignos registrados no País, e pode ser dividido em câncer de pele melanoma e em câncer de pele não melanoma. O melanoma, apesar da agressividade, representa apenas 4% dos cânceres da pele.
Em muitos casos, ele se desenvolve a partir de uma pinta presente no corpo. Por isso é importante ficar atento ao próprio corpo e observar pintas que mudam de cor, sangram, descamam, possuem bordas irregulares e que cresçam rápido num curto período de tempo. E sempre que notar algo estranho, não demore em procurar um especialista.
A recomendação é que pessoas com pele muito clara e que possuam muitas pintas passem por acompanhamento anual com o dermatologista, mas isso não quer dizer que negros e morenos sejam imunes à doença. Não importa a cor da pele, é fundamental tomar os devidos cuidados com a exposição solar.
A prevenção é a melhor arma contra este mal. Independentemente da idade e do tipo de pele, os cuidados são os mesmos: evitar a exposição excessiva aos raios solares em todas as estação do ano, principalmente nos horários indicados. E, quando for se expor, usar protetor solar e protetores físicos, como boné e roupas frescas, com mangas e tecidos específicos, já com filtro solar.
Juliana Alvarenga Rocha é oncologista do Centro Capixaba de Oncologia (Cecon)