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Política

“Cunha tentou me tirar da vice-presidência 5 vezes”, diz capixaba afastado da Caixa

O vice-presidente Corporativo da Caixa Econômica Federal Antônio Carlos Ferreira, afastado na última terça-feira (16) pelo presidente Michel Temer, ...

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Ferreira disse que pediu para sair de Brasília por causa da pressão que vinha sofrendo na vice-presidência. Foto: Antonio Moreira 10/06/2012

O vice-presidente Corporativo da Caixa Econômica Federal Antônio Carlos Ferreira, afastado na última terça-feira (16) pelo presidente Michel Temer, revelou, em entrevista exclusiva ao jornal A Tribuna, que sofreu cinco tentativas de exoneração do cargo por parte do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e de seu grupo político.

Após um encontro com o ex-parlamentar, ocorrido na sala de liderança do PMDB na Câmara dos Deputados, em 2014, cerca de duas semanas após sua posse como vice-presidente, o capixaba conta que foi chantageado. Ele diz ainda que chegou a colocar o cargo à disposição do presidente da Caixa.

A Tribuna – Quantas vezes o ex-deputado Eduardo Cunha o procurou? Chegou a se encontrar com ele?

Antônio Carlos Ferreira – Eu me encontrei com ele logo depois que assumi a Vice-Presidência Corporativa, em 2014. Não conhecia o Eduardo Cunha e, a convite dele, fui ao gabinete da liderança do PMDB na Câmara.

Chegando lá, fui surpreendido pela forma agressiva com que se dirigiu a mim, reclamando que eu não estava atendendo o telefonema dele. Ele colocou condições para minha manutenção no cargo. Apontou o que era pra eu fazer.

O que Cunha pediu?

Pediu que eu fizesse visitas semanais a ele para prestar contas e o informasse sobre as operações da Caixa acima de R$ 50 milhões prestes a ser liberadas.

Respondi que tinha uma história de 33 anos na Caixa e que era um pedido impossível de atender. Ele me agrediu verbalmente e respondi que estava indo embora e que eu não faria nada daquilo.

E depois, se encontrou novamente com Cunha?

Não. Não fui mais procurado por ele, mas houve cinco tentativas, desde 2014, de eu ser exonerado do cargo. Houve um movimento político orquestrado para tentar me tirar de lá e nomear pessoas que pertenciam a esse grupo político.

Ele chegou a falar em nome de algum outro político?

Não. Ele fez os pedidos em nome dele, não citou o nome de nenhum outro parlamentar.

E o que o senhor fez?

Procurei o então presidente da Caixa na época, o Jorge Hereda, e disse a ele que eu não ficaria em Brasília, que não poderia trabalhar daquela forma e não tinha interesse algum em perder a minha tranquilidade. O presidente me deu todo o apoio para o enfrentamento ao Eduardo Cunha. Eu pedi para voltar para o Espírito Santo, mas ele me pediu para ficar em Brasília e marcou para eu conversar com Temer, que me recebeu com muita educação e disse para eu voltar tranquilo e fazer meu trabalho, que nada iria me acontecer. E verdadeiramente nada me aconteceu. Ele foi institucional e republicano. O que eu fiz desde que cheguei lá foi colocar um freio de arrumação para que o setor passasse a ser respeitado e executasse processos claros.

Crê que irá voltar ao cargo?

Estou triste, mas tranquilo, de cabeça erguida. O próprio Ministério Público não identificou indícios de irregularidade na minha gestão à frente do cargo. Estou ciente de que apresentarei ao Conselho de Administração da Caixa todos os esclarecimentos e não tenho dúvida de que o conselho vai autorizar a minha recondução ao cargo.

Cunha nega relação

Em nota escrita do complexo penal onde está preso, no Paraná, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) negou que tenha exercido influência sobre a cúpula da Caixa e afirmou que a nomeação de um dos dirigentes do banco coube ao presidente Michel Temer.

Acusado de pressionar Antônio Carlos Ferreira, Cunha declarou que não tem “relação, influência ou qualquer relação pessoal” com os quatro vice-presidentes afastados por suspeitas de corrupção e irregularidades.

O ex-deputado afirmou que Ferreira foi indicado em 2014 “pela então deputada e hoje senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) diretamente ao então vice-presidente Michel Temer” quando Cunha era o líder do partido na Câmara.

Segundo Cunha, Ferreira foi indicado para substituir Geddel Vieira Lima. O ex-deputado afirmou que esteve com o capixaba apenas duas vezes após a nomeação e que o então vice-presidente o procurou “para se pôr à disposição da bancada por orientação de Rose de Freitas”.

Por nota, a senadora informou que como coordenadora da bancada do Espírito Santo em 2014, “e com apoio de integrantes daquele colegiado”, apoiou a indicação de Antônio Carlos Ferreira a uma vice-presidência da Caixa.

Rose justificou ainda que Ferreira, “antes de ocupar uma vice-presidência, foi superintendente regional da Caixa no Espírito Santo por nove anos. Era, portanto, conhecido da bancada capixaba”.

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